Mostrar mensagens com a etiqueta Narrador. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Narrador. Mostrar todas as mensagens

domingo

Toda a paixão que ainda existe para contar

Publicado a 06-01-2009
"A vida não é medida em minutos, mas em momentos"
Tagline do filme The Curious Case of Benjamin Button, de 2008, escrito por Eric Roth, realizado por David Fincher e protagonizado por Brad Pitt http://www.imdb.com/title/tt0421715/

O Edifício Magnólia completa no dia de hoje um ano de existência.
A história que, tal como prometido, não era suposto ter um fim, mantém-se viva. A história que ainda gosto de postar e contar, continua a ser uma grande aventura. Faz hoje um ano que se abriu a porta deste lugar que pretendeu trazer uma lufada de originalidade ao mundo da blogosfera, especialmente na temática erótica. Espero, que ao fim de um ano, esse objectivo ainda se mantenha desperto.
Fará amanhã um ano que se deu a conhecer Helena e Rodrigo, o casal mais que perfeito à beira da ruptura. Daqui a dois irão passar 365 dias desde que se cuscou a entrada no seu novo apartamento de Maria José, a professora universitária quarentona, humilhada por vinte anos de casamento. Três dias depois, comemora-se a primeira revelação da vida de Lúcia, jovem universitária que se apaixonou pela sua colega de casa, Tania. Ao quarto dia contado a partir de hoje, irão passar doze meses desde que foi dado a conhecer o lar de Afonso e Laura, um casal de idades distintas mas pensamentos comuns, apaixonados pela partilha. Faltam só cinco dias para celebrar a postagem da novel história de Rafael, um instrutor de equitação, atraente e irresitivel para as suas vizinhas. E ao sexto dia depois da anuidade do blogue, há lugar para felicitar Ana, a deslumbrante acompanhante de luxo que mora sozinha com as suas máscaras. Claro que o Edifício Magnólia também conta as suas histórias no Espaço Magnólia, na garagem, no elevador e na casa das máquinas e no jacuzzi no andar superior, mas é dentro destes seis apartamentos que tem residido a magia destas personagens.
Ao fim de um ano, contaram-se cerca de 20 histórias para cada inquilino. Foram 126 posts em que se procurou ser sempre mais surpreendente na próxima postagem do que na anterior. As opiniões podem divergir, mas na opinião deste humilde narrador, creio que houve um esforço para assim o tentar efectuar. E se o ritmo inicial de postagem era feito com carácter diário, nos últimos meses houve um significativo decréscimo de postagens. Em momento algum, durante este ano, estes doze meses, estas cinquenta e duas semanas, estes trezentos e sessenta e cinco dias, houve alguma procura em desistir. Houve desmotivações, algum cansaço certamente, até um certo desnorte. Mas nunca desistir. Porque o Edifício Magnólia surgiu de uma vontade imensa de narrar ideias íntimas, desenvolver conceitos, expandir a mente. E isso é mais forte do que qualquer desmoralização ou inconveniência material. Adoro fazer isto. Se pudesse vivia disto. Ainda não posso. Mas se pudesse, este era o meu lar, o meu ar. Existem outros projectos paralelos ao Edifício que também necessitam de dedicação, tempo e alguma coragem. Se algumas vezes o Edifício parece esmorecer, isso deve-se às limitações que decorrem de tanto projecto. Mas um desses projectos é justamente este. Por isso, posso certamente dizer que não se prevê que o Edifício vá encerrar brevemente. Não está previsto. Não irá acontecer. O Edifício Magnólia será eterno.
Mesmo para o reduzido número de leitores frequentes que o blogue possa deter, há orgulho no trabalho feito. Imaginava fazer muitos posts. Não julgava era que fosse possível fazê-los. Pressupunha alguns leitores. Não poderia era pedir que fossem tão bons leitores. Desejava manter alguma qualidade e distinção. Não exigia é que ela fosse distinguida. Outros voos foram sonhados. Esses ainda não foram conquistados. Haverá tempo. O Edifício Magnólia quer ser sólido. Quer estabelecer-se e sorrir à surpresas que possam ir aparecendo. Acima de tudo, acredito no produto e é um entusiasmo saber que há mais quem acredite neles. E a todas essas pessoas que nele depositam confiança para cuscar algumas vezes, gostava que pudessem ler este post, numa espécie de agradecimento por, seja de que forma for, se identificarem minimanente com algum aspecto do Edifício.
Naturalmente que um blogue, seja ele de que matéria for, sobrevive e cresce à conta dos visitantes. Quer em número, quer em qualidade. Continuo a não querer 1000 pessoas a saberem que o Edifício existe. Continuo a não querer que 100 pessoas tenham visto o titulo do último post. Mais do que tudo, quero que 10 pessoas, ao fim deste ano, tenham vivido intensamente - como se estivessem dentro do Edifício - pelo menos uma das mais de cem histórias que partilhei. Se isso acontecer, sinto-me reconhecido.
E porque este post de comemoração também é de quem lê, de quem aguarda com expectativa por uma nova história e de quem comenta, também esta "semana" haverá a entrega da já "habitual" Menção Especial Magnolium. Este singelo prémio foi criado para promover a participação de quem sente as histórias do Edifício mas nem sempre tem coragem de comentar ou não encontra algo a dizer. Nem sempre é fácil eleger um bloguista ou um leitor, até porque muitas vezes não é unânime a escolha, ou o legítimo mencionado já foi designado. Não sinto que seja ainda a altura de repetir algumas distinções, mesmo que parecesse justo. Esta "semana", após alguma ponderação, decidi adiar a repetição de uma nomeação, para a entregar a alguém que já há imenso tempo comenta no Edifício e nunca teve oportunidade de a receber. E apesar da Lize ter deixado sempre comentários muito gratificantes, a Menção Magnolium esta "semana" vai para o Shelyak. Porque ele tem sido um dos nossos pioneiros. Porque todos os moradores sabem que ele nutre um carinho especial pelas cusquices que andam aqui dentro. Porque faz sentido dar um pouco do Edifício ao administrador de um blogue, em si dinâmico e original. A Menção Magnolium é-lhe então entregue em nome do Rodrigo e da Helena, os quais o Shelyak tanto estima.
Não há tempo para olhar para trás. Alguns moradores ainda o fazem, alguns querem viver todo o presente, mas a maioria deles olha para o futuro com alguma ansiedade e até desejo. Porque eles sabem que a sua vida transforma-se nos momentos vividos, também eles não querem deixar de partilhar aquilo que sentem, aquilo que vivem, aquilo que ambicionam, aquilo que provam e acima de tudo aquilo que os consome de uma forma demasiado intensa. Novas histórias estão para surgir. Nada se esgotou. Tudo se mantém muito quente. Espero que continue por aqui. Entre nesta rua, espreite pela porta de entrada, se preferir tome um café no Espaço, ou se quiser escolha uma campainha e certamente alguém o deixará entrar. Sente-se, deite-se, ou deixe-se ficar a pé. Devore cada pedaço, delicie-se com cada instante de prazer, guarde cada resto de sensualidade que ainda sobrar. O Edifício Magnólia quer continuar a recebê-lo. Isto ainda não é o fim...

Até onde a surrealidade nos levar

Publicado a 09-09-2008
"LoveHateDreamsLifeWorkPlayFriendshipSex"
Tagline retirada do filme Vanilla Sky, de 2001, baseado no filme "Abre Los Ojos", de Alejandro Amenábar e Mateo Gil. http://www.imdb.com/title/tt0259711/

A vida numa forma de arte. Todos nós entendemos a vida como uma rotina quotidiana, como uma procura em alcançar objectivos e transformar felicidades. Viver tornou-se um cálculo demasiado paradigmático. Trabalhar para receber, receber para gastar, gastar para trabalhar e tudo isto é um imenso circulo vicioso do qual nos embrenhamos até não ter consciência da forma pura das coisas. Viver é respirar. Sentir que todos os dias pode haver algo diferente. Ganhar o Euromilhões ou receber um abraço inesperado. Ser promovido ou sonhar com o futuro. Ser melhor que o colega do lado ou escrever um conto sublime. Viver pode ser feito de pequenas coisas grandiosas. Viver é pintar algo de novo, é esculpir ideias diferentes, é bordar paixões, filmar o amor, cantar um orgasmo, bailar num lago, construir aquilo que nunca jamais ninguém ousou sequer pensar. A vida numa forma de arte. É neste sentimento que proponho um mergulho na próxima "semana" do Edificio Magnolia.
Na verdade, as "semanas" dos inquilinos cada vez têm sido mais longas, com um espaço de divulgação cada vez mais distante. Eu sei. Eu entendo. O Edificio Magnólia têm andado adormecido. Em parte, a culpa é do Narrador. Vida profissional, outros projectos que se intrometeram, calor, repouso, algumas férias. Cansaço? Algum, talvez. Desânimo? Uma pontinha. Neste blogue existem cinco ou seis leitores cativos, aos quais quem narra e quem vive as paredes do Edificio agradecem a atenção e as palavras. Mas ainda assim, é difícil encontrar forças constantes para escrever para o mundo da net e nem sempre sentir o melhor feed-back. Isto não é uma queixa, é um mero desabafo, que procura justificar as longas ausências que têm ocorrido. Em parte deve-se a isso, no entanto, é acima de tudo porque Agosto tem sido um mês complexo. Isto não significa que o Edificio Magnólia está a morrer. Pelo menos eu acho que não. Eu pretendo mantê-lo vivo. Nem que seja para os cinco ou seis leitores. Isto não significa também que tenha havido uma falta de histórias ou criatividade ou imaginação para as contar. Pelo contrário. A essência mantém-se lá. As histórias já estão vividas, sem alterações, mas com muitas novidades. Falta apenas descrevê-las, torná-las vivas, procurar torná-las artísticas. E a ansiedade de as querer contar precipita-se na falta de tempo e estímulo para o fazer em condições. Aos que gostam do Edifício Magnólia. Aos que ainda acreditam nesta ideia. Aguardem, por favor. Os seis apartamentos voltaram oportunamente. E uma enorme surpresa ainda está reservada.
Quanto ao Magnolium Comentários, já lá vai algum tempo desde a última atribuição da Menção, intrinssecamente característico à vida do Edifício. A Lize foi a última contemplada e continua a ser uma fiel detentora do "prémio". Dois meses depois, e apesar de não serem muitos os motivos para encontrar novos nomeados, é importante fazer duas referências. Uma aos leitores habituais, que apesar da distância que quem narra tem evidenciado, continuam a prazentear-nos com palavras queridas, reveladoras do gosto que julgo ainda manterem pelo espaço. Outra à nossa mencionada desta "semana". A Red Light Special é outra das pioneiras do blogue. É uma leitora que nos acompanha desde início, não obstante algumas ausências compreensíveis. De qualquer forma, e tendo em conta o último comentário que ela colocou, é entregue com alguma justiça o Magnolium Comentários de 09 de Setembro. Por todos os comentários que já aqui passaram dela e pelas palavras recentes, que criaram um estimulo rejuvenescido, quer nas vidas dos inquilinos, quer na forma de ver o Edifício de quem narra. Na esperança que para além de pioneira, a Red Light veja o envelhecer das paredes do Edifício, entregamos esta Menção com respeito, agradecimento e carinho.
O Edifício continua vivo. Veremos em que moldes tal decorre, mas desde já fica a promessa de que tal sítio não morreu. A todos os que ainda continuam a espreitar pela porta de entrada, os maiores agradecimentos e cumprimentos. Amor, ódios, sonhos, vida trabalho, energia, amizade, sexo. Tudo isto se descobre por entre estas paredes.

Existe um tempo certo para tudo

Publicado a 07-07-2008
"Ontem é história, amanhã é mistério, mas hoje é um dom. Por isso é que se chama presente"
Retirado do filme Kung Fu Panda, de 2008, com vozes de Jack Black, Dustin Hoffman e Angelina Jolie http://www.imdb.com/title/tt0441773/
Tudo é possível. Todas as perspectivas. Todos os pontos de vistas. Todas as hipóteses. Vindas de quem vier. Na altura que parecer mais certa. As vidas dos inquilinos do Edifício Magnólia tendem a confundir-se, a misturar-se, a envolverem-se. Aquilo que ontem era apenas o desconhecido, hoje é algo plausível de se cometer. Amanhã será mais do que uma fantasia. Nada do que acontece neste empreendimento é mera obra do acaso. Nem tão pouco se constata quebras fantasiosas, que se distanciem daquilo que é plenamente vivido por entre estas paredes. Por isso, mantenha-se atento ao que surge neste lugar. Uma porta entreaberta, uma corrente de ar suspeita, um ruído leve mas indiciador de novidades, um cruzamento entre inquilinos. O presente destes moradores oferece mais coisas para contar do que aquelas que já foram reveladas. O presente destas personagens oferece mais do que uma mera história. Oferece mistério, fantasias, excitação, ansiedade e revelação. E tudo isto é para si.
Ainda há comentários com alma no Edifício Magnólia. Ainda existem palavras fortes, elogios que perduram, criticas que servem para reflectir. Ainda há margem para poder haver mais comentários, mais ideias, mais novel leitores, mais vizinhos que possam reforçar a convicção de que revelar o que se passa neste lugar vale mesmo a pena. Ainda assim, há sempre lugar para entregar mais uma Menção Magnolium.
É uma atribuição adiada. Semana após semana, desde que existem os Magnolium, ela apresentou-se sempre como uma forte candidata à menção, que para os moradores é fundamental, vital, intensamente necessária ao respeito que eles têm pelos seus vizinhos cuscos. A mencionada desta semana não perde uma revelação e comenta sempre com uma alma genuína. Não é um comentário banal, não são palavras soltas ao acaso. Concisa, terna e atenciosa aos moradores do Edifício, ela faz questão de demonstrar apreço constante por quem gosta de lhe trazer novidades. No primeiro andar estimam-na. No segundo andar, anseiam pelos comentários dela. No terceiro andar, rejubilam com as palavras apresentadas a respeito deles. Assim - e porque não poderia passar mais uma semana sem uma menção - a gestão do condomínio do Edifício Magnólia, juntamente com o Narrador do blogue, tem o maior prazer em entregar o Magnolium desta semana a alguém que apesar de ter mudado de nome recentemente, mantém-se fiel à alma deste espaço. Pelas palavras, pela manutenção nestas paredes, agradecemos-te Lize, pelos teus comentários.
E já que é nesta vizinha autêntica que falamos, aproveitamos para referir a qualidade dos espaços que ela detém. Mesmo do outro lado do oceano, Lize mantém um espírito crítico ao que a rodeia e não se abstém de dizer aquilo que a sua alma pensa. De uma forma tranquila, divertida e próxima. Mesmo para quem nunca se dirigiu ao Novo Mundo. Ao mesmo tempo, a sua forma objectiva do ser parece induzir os inquilinos deste Edifício para imagens que transportam imediatamente para uma ideia surreal, uma fantasia, um pensamento que pertencerá apenas àqueles que colocaram os olhos nas sugestões gráficas que a Lize partilha. Deste lado do oceano, os imensos parabéns pelos espaços que colocaste ao dispor dos inquilinos e - esperemos - de um cada vez maior número de cibernautas.
Apenas para concluir a conversa sobre a Menção Magnolium, queremos apenas deixar um pedido especial à Lize e até mesmo à Lua Feiticeira. Os moradores vão constatando que os sucessivos mencionados do prémio do Edifício tendem a deixar de comentar após a atribuição do Magnolium. Parece uma espécie de enguiço. Assemelha-se a um quase bruxedo. Mas tem sido constante. Assim que o prémio é entregue, o mencionado recebe e depois como que desaparece. Talvez seja coincidência, possivelmente é uma infeliz conjugação de factores, mas é impossível deixar de reparar. Ou o prémio tem algum feitiço ou talvez seja um sinal de aurora. A Lua Feiticeira mantém-se por cá e até temos uma explicação para isso. Esperemos que essa explicação se mantenha para a Lize. Isto é, claro, se ela estiver disposta a receber a Menção e colocá-la num lugar à sua escolha no seu espaço. Em todo o caso, o Edifício pertence pacificamente a todos os vizinhos.
A Lua Feiticeira "obrigou" a um prolongamento da última reunião de condomínio do Edifício Magnólia. Isto porque ela entregou um desafio na caixa de correio para ser feito pelo narrador ou pelos moradores. Por uma maioria razoável, decidiu-se que quem responderia ao desafio seriam os inquilinos. Por minoria, o narrador não teve direito de resposta. De qualquer forma, o mesmo faz questão de revelar as respostas dadas na reunião magna, como é sua função primordial. Assim, e à pergunta sobre as coisas que nunca foram feitas pelos desafios, aqui fica a melhor resposta possível, com uma pequena alteração ao molde do desafio. O(s) inquilino(s) do (...) ainda nunca:
Helena e Rodrigo ( 1º esquerdo )
- Trocaram de parceiros mutuamente;
- Passaram um dia sem confessarem um "amo-te" ao cônjuge;
- Fizeram um filme porno caseiro;
Maria José ( 1º direito )
- Partilhou uma cama com uma mulher;
- Se masturbou diante do parceiro;
Lúcia ( 2º esquerdo )
- Se apaixonou loucamente por um homem;
- Recebeu um objecto erótico no seu aniversário;
- Simulou um orgasmo com uma parceira;
Laura e Afonso ( 2º direito )
- Tiveram relações sexuais num local sagrado;
- Se cansaram de encontrar o lugar perfeito para a foda perfeita;
- Vender um filme porno caseiro;
Rafael ( 3º esquerdo )
- Aceitou um convite sexual gay;
- Cantou uma música dedicada a uma pessoa que amasse num karaoke;
- Comeu uma mulher exótica;
- Recebeu dinheiro por sexo, mesmo com oferta irrecusável;
Ana ( 3º direito )
- Teve relações sado-masoquistas;
- Aceitou um pedido de casamento;
- Chorou por uma traição;
- Confessou ao parceiro ter fingido um orgasmo;
Naturalmente, é necessário fazer uma nota. Motivado pelo atraso considerável com que chegou à reunião de condomínio, Tania apenas forneceu uma vaga resposta ao desafio, indicando que ainda nunca se tinha sentido tão perdida.
Este desafio baseou-se então numa proposta feita aos moradores do Edifício Magnólia sobre algo ousado que já lhes tenha passado pelo menos uma vez pela cabeça e que nunca tenha sido concretizado. Algo que achem relevante confessar e que de uma forma ou de outra possa trazer um novo elemento ao perfil que os vizinhos que cusquem o Edifício possam ter deles.
Na semana que se avizinha, o tempo é preponderante para o desenrolar dos acontecimentos. Há um momento especifico em que acções, decisões e pensamentos influenciam aquilo que vivemos ou aquilo que ainda temos para experienciar. Não perca os segundos que contam, o minuto vital, o instante crucial, o momento relevante que mudará a forma como vê o Edifício.

Aquilo que pensamos é o reflexo das evidências

Publicado a 18-06-08
"Todos nós precisamos de espelhos para lembrarmos a nós mesmos quem somos."
Retirado do filme Memento, de 2000, escrito e realizado por Christopher Nolan. http://www.imdb.com/title/tt0209144/

A memória pode mudar a forma de um quarto, pode mudar a cor de um carro. E as memórias podem ser distorcidas. Elas são só uma interpretação, não são uma gravação e elas são irrelevantes quando tens os factos. Eu tenho que acreditar num mundo para além da minha própria mente. Eu tenho que acreditar que quando os meus olhos estão fechados, o mundo ainda está ali. Se eu acredito que o mundo está ali? Está mesmo ali? Sim. Todos nós precisamos de espelhos para lembrarmos a nós mesmos quem somos. Eu não sou diferente.
É um filme. É um pedaço retirado de um filme. É um estranho desenrolar de coincidências que se desenvolve nesta postagem e que se confirma ao longo desta semana, em cada uma das revelações. Porque é difícil expor e transcrever as ideias quando esses pensamentos já tinham quase sido expostos eles mesmos num diálogo cinematográfico. Talvez pareça plágio, mesmo que esteja referenciado e devidamente transcrito, e quem escreva recuse essa acusação. Talvez soe a uma ideia consequente de algo que já se tinha visto ou que se imaginou derivado de uma outra ideia. Em todo o caso, quem narra hoje e nas outras postagens, pode garantir que aquilo que ele viu, sentiu e quis revelar sobre o Edifício encaminharam-no - através de uma autêntica bola de neve de pensamentos - para a página deste filme, no maior site de cinema da web. A ideia não é igual. Nem tão pouco semelhante. É apenas um espelho. A ideia inicial para esta semana de querer interpretar e revelar os acontecimentos do Edificio transformou-se numa bizarra coincidência. E isso tinha que ser exposto, perante quem visita este blogue. O resumo, a antecipação, a postagem que pretende estimular as próximas seis, foi reflectida numa ideia de um filme estrangeiro. Isso só pode ser especial. Só pode ser algo demasiado forte. Só pode ser uma demonstração de que esta semana irá valer mesmo a pena. Nunca fez tanto sentido retirar um pedaço de filme para o Edifício. Nunca pareceu tão necessário confessar o que vai na cabeça de quem narra. Jamais. Em mais de 100 posts, jamais houve uma tamanha conjugação de coincidências que trouxesse uma dinâmica tão intensa, tão especial e tão poderosa ao que é pretendido apresentar. Podem pensar que é colocar as expectativas demasiado altas nas seis postagens que se avizinham. Possivelmente. E peço desde já as mais sinceras desculpas a quem posteriormente se sentir defraudado. Mas depois de tudo o que aconteceu recentemente nos seis apartamentos. Depois de tudo o que foi interpretado por quem narra. Depois de decidir a melhor forma de o revelar. Com a modéstia que é possível deixar transparecer, misturada na ansiedade de querer revelar o que aconteceu, em conformidade com a possibilidade de o conseguir fazer, e confrontado com o choque da evidência das coincidências, só me resta deixar claro o seguinte. Esta semana, nada será o mesmo no Edifício Magnólia.
Não obstante o que vai acontecer no Edifício, há efectivamente um mundo para além do que imaginamos e sentimos. Há um mundo cheio de evidências, de verdades sem contestação, de factos a serem valorizados, de pensamentos com necessidade de menção. O Magnolium comentários está de volta, como tem sido habitual e inerente ao post do Narrador. Como é possível reparar na barra lateral do blogue, existe uma excepção no que concerne às regras que foram estipuladas em relação à atribuição da menção. As regras são para ser quebradas e o Edifício gosta de surpreender. Assim, esta semana existem dois mencionados. Por motivos diferentes, com critérios distintos, mas com um intuito único. Dar valor aos comentários que têm sido colocados na caixa de correio do Edifício. E na verdade, desde que a Menção foi divulgada, tem havido um incremento no número e até mesmo na qualidade dos comentários. Talvez não tenha directamente a ver com a atribuição do Magnolium. Certamente que também se relaciona com a encruzilhada que tem havido nos diversos apartamentos, que gera uma maior diversificação de opiniões e critivas. Ainda assim, é positivo constatar tal facto. E por isso, o balanço que se pode fazer de ter uma menção, é o de que sem sombra de dúvida, faz sentido.
Tal como foi indicado, desta vez vão ser entregues duas menções. Primeiro, porque já faz algum tempo desde a última atribuição ( quase um mês ). Segundo, foi difícil escolher um mencionado. Ainda assim foi uma decisão unânime. Terceiro, apesar de custar não mencionar outros comentadores, nenhum dos que foi mencionado esta semana poderia ser excluído por mais tempo desta decisão. Mais uma vez, por motivos diferentes.
O Fantasma do Edifício. Foi escolhido pela sua regularidade nos comentários. Pelas suas palavras medidas, pela leitura envolvente que demonstra fazer pelos apartamentos do Edifício. Pela originalidade do nick que encontrou para chegar até nós. Pelas criticas. Pelos elogios. Pela sinceridade. Por querer fazer parte de toda a estrutura. O Fantasma do Edifício é um comentador, mas é mais do que isso. É uma presença sinistra, um elemento que vagueia e deixa rasto. Acima de tudo, há um factor que torna o Fantasma especial para todos os inquilinos e também visitantes - julgo eu. Em toda a concepção do nome e na vivência que faz entre estas paredes, ele é omni presente em todas as acções do Edifício. Por estes motivos e por tudo aquilo que ele sabe que transmite diariamente ao blogue, é colocada a Menção num lugar especial do Edifício. Esperemos que o Magnolium seja do agrado do comentador e que tal atribuição possa encorajar a continuar aquilo que ele sempre deu à vida do Edifício.
No dia 30 de Maio, após aquilo que se depreende ter sido uma leitura exaustiva, em menos de dois dias, de uma nova leitora, surgiu um comentário no post 99 - "A dedicação mantém-nos vivos", que salvo algum lapso não propositado, que se tornou na opinião mais sublime que já deu entrada na caixa de correio do Edifício. Para além de várias cusquices à porta do prédio, essencialmente a da Lua, não creio ter havido um comentário assim. Que resumisse com um encanto benevolente, que personificasse os vários apartamentos com uma metáfora tão terna, que caracterizasse o espírito do Edifício num jeito tão magnânimo. Não quero desconsiderar qualquer outro comentário que seja, mas este tornou-se especial na vida de todos os moradores e de quem todos os dias vive este blogue com dedicação. Desde esse comentário, surgiu um novo fôlego na procura de tornar o Edifício Magnólia num espaço especial para quem o visita. Antes de tudo o mais e para que pelo menos possa ser valorizada esta menção, abaixo transcrevo as palavras imensas:
Papinha disse...
Os aromas do edifício Magnólia

Aproximando-me da entrada do edifício, consigo saborear o aroma vindo, tão inequivocamente do espaço Magnólia. O cheiro a café, torradas, chocolates; diluído nos olhares ansioso, obscuros, atrevidos ou de uma tranquilidade aparente de todos os que ali passam. Quer se encontrem em momentos felizes, de reflexão, comuns ou de uma excitação transparente. Incitam-me a entrar neste inigualável edifício.
Paro no hall e, tal é a miscelânea de aromas, que decido percorrer andar a andar pelas escadas, com a esperança de conseguir separar cada aroma, um a um.
Será possível?
Subo curiosamente até ao 1º andar e inevitavelmente paro na porta do lado esquerdo. É um aroma agridoce, onde a doçura de uma relação sólida parece “minada” por tantas obscuridades agrestes.
Percorro o Patamar e encontro-me de fronte com a porta direita; é distinto do que sentira anteriormente, é um aroma floral, maduro, aconchegante, que transmite sensualidade e segurança.
Decido subir prontamente mais um vão de escadas, a minha ansiedade por descobrir, aroma a aroma, não me deixa cessar por aqui.
Parada em frente ao 2º esquerdo, deparo-me com um aroma misto. Balançando entre a frescura da maçã verde, com o oculto do chocolate. Um aroma excitante e antagónico, em que a frescura da idade se difunde com o descobrir de um novo eu.
Dou mais uns passos até ao outro lado do patamar, e sou, mais uma vez, surpreendida. No 2º Direito transpira-se maturidade e vigor, incitando novas descobertas. Um misto de nozes envolvidas em ovos moles. Em que, a dureza de uma relação assente em fundações bem profundas, se mistura com a fragilidade de percorrer um caminho de descoberta, da essência sexual de cada um.
Já com o meu olfacto praticamente saciado, com tamanha e diversificada mistura de aromas, não resisto e subo até ao terceiro andar deste edifício.
Encostada ao lado esquerdo deste 3º patamar, o meu nariz enche-se de um aroma a lima forte e atractiva, como um chamamento… Chamamento que faz recuar qualquer mulher que procura estabilidade, aqui só se encontra força e sexualidade…muita sexualidade, muita força…Dou duas passadas largas até ao lado direito deste patamar, na esperança de ser pela última vez surpreendida… e assim foi!
O aroma intenso a perfume francês, caro, bom, excepcional, de uma qualidade sublime; cheio de calor, vigor e de uma segurança incrível.
Extasiada com tamanha diversidade, resolvi descer todos os andares, mais uma vez a pé, para sentir mais uma vez cada aroma que tão livremente saciaram o meu olfacto, a pé e sem espreitar o último andar, nem tão pouco o elevador…Sim, porque tenciono cá voltar, com o nariz recomposto de tanta intensidade.
Quem sabe para poder ser inquilina…quem sabe…
Indescritível. Supremo. Ousado. Divino. Encorajador. Espiritual. Magnolium. Um comentário com alma.... A Papinha, leitora que não tem blogue, não tem espaço ( pelo menos que os moradores conheçam ), ainda não tinha tido o agradecimento devido por este pedaço maravilhoso que nos entregou. Esta é a melhor forma que encontrámos para o fazer. Daí que não poderíamos aguardar mais dias para agraciar este comentário. A decisão de entregarmos em ex aequo com o Fantasma, prende-se com o facto de que no dia em que foi decidido mencioná-lo, surgiu precisamente o comentário da Papinha. Até neste caso, o post de hoje, em que é referida a coincidência com o filme Memento, é relacionado. Há uma espécie de reflexo, de equiparação, de espelho no Magnolium comentários. Não são dois prémios. É um espelho. Mas nenhum deles é necessariamente o espelho do outro. A Menção da Papinha e a Menção do Fantasma são o reflexo mútuo da procura em dar mais alma ao Edifício, mas de formas distintas. À Papinha, que continua fiel leitora e comentadora, um imenso agradecimento, na esperança de que esta menção seja um suborno eficaz para te mantermos aqui e nos deixares as tuas deliciosas palavras.
As próximas seis histórias, para além de terem um carácter reflexivo sobre a vivência dos inquilinos, têm uma forte componente de reflexos. Vão existir vários espelhos. Uns verdadeiros, outros imaginários. Uns concretos, outros metafóricos. Vão ser colocados reflexos de pensamentos, de ideias, de acções, de confrontações. Aquilo que é dado como certo, espelha-se de uma forma distinta. Aquilo que se deseja, tem um reflexo contrário. Algo que se quer oculto, irá brilhar com o reflexo dos espelhos. Não consegue acreditar? Pois bem, nem quem narra consegue crer que tal ocaso foi possível surgir. Esta semana, nada mais será o mesmo no Edifício Magnólia. Será apenas o reflexo daquilo que teria que acontecer.

A dedicação mantém-nos vivos

Publicado a 25-05-08
"O que fazemos em vida ecoa na eternidade"
Tagline do filme Gladiator, de 2000, realizado por Ridley Scott e protagonizado por Russel Crowe http://www.imdb.com/title/tt0172495/

Na 99ª postagem publicada no blogue "Edifício Magnólia" achou-se por bem reunir os condóminos e guardar espaço para os vizinhos e visitantes que estejam interessados em seguir a ordem de trabalhos desta semana. Por ser especial, por ser importante, por ser decisiva na vivência dos inquilinos e de quem lê as histórias deste espaço virtual com quase seis meses.
A comemoração essencial e natural será com a postagem número 100. Sem sombra de dúvida. Mas porque o seguimento das postagens nunca foi cortado ( seis histórias por semana e um post do Narrador ao Domingo ) e a ordem definiu que a postagem cem será a história de Segunda-feira, o condominio determinou que tudo o que há a ser dito sobre noventa e nove postagens mais uma, será feita hoje. Há assim lugar para indagar, reflectir e perspectivar sobre a existência deste prédio. Seja por quem narra, seja obviamente por quem visita e comenta. Desta forma, sinta-se livre para comentar, criticar, elogiar, dizer o que achar pertinente nesta pequena comemoração. Na próxima postagem, será publicada aquela que pretende ser uma das histórias mais excitantes que este prédio já viveu.
Desde já, e porque o blogue sempre teve como intuito chegar ao leitor e dar a conhecer fantasias escondidas por detrás de paredes de vidro, entende-se o momento como certo ( ou quase certo ) para revelar o segundo premiado com a Menção Especial Magnolium comentários. Antes disso, é importante fazer uma refêrencia a este primeiro periodo de existência da Menção. Jamais era esperada uma reacção tão emotiva por parte de quem recebeu a pioneira distinção. Não obstante o facto de o Magnolium ser uma forma de incentivar os comentários neste blogue e não pretender ser um Globo de Ouro dos Blogues ou algo do género, foi com o agrado de todos os moradores que se assistiu à repercussão da primeira entrega. A Lua Feiticeira já tinha sido uma escolha natural para entregar o Magnolium nº 1. Mas recebê-lo com tanto carinho, tanta dedicação estava longe das expectativas de todos os que fazem quase diariamente o Edificio. A Lua Feiticeira fez questão de criar um post dedicado ao prémio, resumindo os quase cem posts do prédio e dando relevo ao selo do Magnolium no seu blogue fantástico, cheio de qualidade e carregado de adeptos. A Lua Feiticeira honrou e levantou um pouco mais. Um pouco mais? Algo mudou na vida deste Edificio desde a criação do prémio. À Lua Feiticeira, que para além de ser uma paragem obrigatória nas noites dos moradores e narrador do Edificio, o mais sincero agradecimento. Mais do que qualquer prémio ou referência, é legitimo afirmar que o significado da Lua Feiticeira para a vida deste blogue representa mais do que isso. Se por um lado a reacção sublime da Lua à recepção da menção nos deixa reticentes à entrega do segundo ( apenas e só pelo facto de ela ser uma dignissima mandatária do prémio ), não é menos verdade que para dar o real valor à acima mencionada é necessário prosseguir. Para que o Magnolium possa ser tão especial como a Lua o tornou, é urgente prosseguir com novas atribuições. Também elas especiais, também elas reflexo dos bons comentários que os moradores do Edificio gostam de ler. Ainda assim ( esta é para a Lua ), continuas a ter um prémio como mais ninguém tem, porque o teu foi o Primeiro.
Desta forma, e esperando que o eleito possa receber a noticia tão breve quanto possivel, passamos a indicar o mencionado desta semana. Apesar de não ter um blogue para ser mencionado, apesar de não ter um espaço próprio para receber o selo, apesar de ser um elemento omnipresente na blogosfera, crêmos que é essencial entregar este prémio ao Julio 135. Em relação aos outros espaços virtuais não temos a certeza. Mas aqui no Edificio, o Julio 135 é uma presença constante. Cumprimenta, fala com os moradores, percepciona o estado de espirito dos mesmos, critica, elogia e mais importante do que tudo, prevê o que se pode passar. É um leitor especial por isso mesmo. Ele tenta dar as previsões de acordo com o que sentiu dos moradores. Há leitores que ocasionalmente fazem isto. O Julio 135 faz constantemente. Mesmo esta semana, em que nem sempre lhe foi possivel fazê-lo. E acima de tudo, ele fá-lo com mestria. Com uma boa dose de humor mordaz. Com sugestões intensas e muitas vezes perversa. Por entre todos os elogios e criticas construtivas. Misturando entre pequenas e grandes mensagens quase diárias, o Julio 135 é o vizinho perfeito, o coscuvilheiro ideal em qualquer bairro. Enfim, o Julio 135 comenta. Porque urge tornar a presença deste leitor cada vez mais próxima, porque a continuidade da vivência deste prédio só faz sentido depois desta acção. Porque queremos tornar o nosso leitor do outro lado do Atlântico mais próximo, esta semana, com a data de 24 de Maio de 2005, entregamos o Magnolium comentários ao Julio 135.
Na barra lateral do Edificio, uma espécie de hall de entrada do prédio, passa a estar o selo com a referência ao segundo premiado. Mais abaixo, depois do link para a explicação da Menção Magnolium, fica exposto um slide com os premiados.
Este é o 99º post. Com a maior sinceridade, desde a primeira postagem, no dia 6 de Janeiro de 2008, havia duas metas que quem narra o Edificio tomou como decisivas na definição de sucesso do blogue. Porque o mundo da blogosfera é enorme e dificil de acompanhar. Porque não é fácil manter um blogue. Porque qualquer motivo parece suficiente para poder desistir de escrever. A primeira semana era decisiva. Ao fim do segundo post de Narrador houve a percepção de que havia pernas para continuar. Haviam algumas pessoas que tinham encorajado a prosseguir. A partir daí, muita coisa era possível fazer. A segunda meta era exactamente o post número 100. Há ainda muito a desejar na vida deste blogue. Há ainda coisas que podem ser melhoradas, leitores para cativar, rotinas a criar, qualidade a aumentar. Mas apesar de não ser dos blogues mais vistos, lidos, comentados, falados, etc, etc, o Edificio guarda uma espécie de orgulho em saber que não é fácil colocar 100 posts em menos de 6 meses. Posts que dão trabalho a redigir e que cada um deles deve preencher pelo menos quatro páginas A4. Com mais ou menos qualidade, com mais ou menos aptidão para chegar aos gostos dos leitores. Na passagem deste marco, fica a ideia por parte de quem narra de que vale mesmo a pena estar aqui. Não é uma obrigação. Não é uma tortura. É um enorme prazer.
Quem está deste lado a narrar tem um imenso gosto e regozijo na tarefa de escrever. Antes do blogue existir já haviam outros projectos pessoais, bem longe do mundo da blogosfera. Uns concretizados, outros ainda em gestação. Abrir o Edificio foi um desafio pessoal, motivado por um desafio de alguém bem próximo. O que posso dizer é que para além do prazer que existe na construção das histórias e fantasias, do acompanhamento das personagens ( a real e as ficticias ) e da receptividade dos leitores, tem havido uma enorme aprendizagem pessoal a cada post que é colocado. Mais do que alguém alguma vez possa imaginar. Porque mais do que um desafio, é um jogo. É um exercicio criativo. É uma introspecção da mente e organização de ideias que não seria possivel pôr em ordem sem a plataforma de um blogue. Aqui, por mais que não se queira, existem regras a cumprir, leitores a fidelizar, criticas para se moldar. Neste nonagésimo nono post, o que é essencial dizer é que em menos de seis meses, o Edificio faz parte da minha vida.
Apesar de quem narra ser um adepto fervoso de regras de escrita, de guião e de lógica sequencial, o Edificio tem-se pautado por algumas mudanças. Quer a nivel de imagem, quer em introduções de novas formas de apresentar as histórias ( umas com mais sucesso do que outras ), o blogue procura estar adaptado às exigências e necessidades de quem os lê. E nos últimos tempos, algo se tornou demasiado urgente. Quem narra entende que é dificil acompanhar as histórias e os longos textos. É inegável. E entende também que à vezes, mais do que ler todas as histórias, é preciso que os novos leitores obtenham um resumo aliciante daquilo que já ocorreu no Edificio Magnolia. Creio que tenha sido um pedido feito por imensos leitores, sugestões feitas por quem acaba de entrar o que deixou de aparecer. Quem narra só tem que dar a mão à palmatória. Nem eu teria coragem de ler, num curto espaço de tempo, 99 posts. Assim e já a partir da próxima semana, surgirá o primeiro post criado pelo Narrador, que irá conter um resumo muito breve do que de relevante já aconteceu nas paredes deste prédio. Essa postagem será renovada sempre que possível. E porque ainda faltam sete posts para lá chegarmos, a porta estará aberta para sugestões. Seja nos comentários ou via e-mail, gostariamos de saber aquilo que vos agradaria de ter num resumo deste Edificio. A partir desse post será criado um link para quem deseje ambientar-se ao prédio e conhecer os moradores. De qualquer forma, é essencial referir que uma das postagens de maior importância é exactamente o primeiro. Não porque seja o que resume tudo. Mas porquê é a génese de tudo o que acontece aqui. Há sempre forma de acompanhar o Edificio. Como já aqui alguém disse, o blogue funciona como uma novela. Basta ler um ou dois episódios para se perceber o que acontece. O resto, como também já alguém referiu, são fantasias, sexo e muita irreverência. As quais teríamos todo o gosto que continuasse a acompanhar.
A postagem 100 vai ser especial. Pretende ser sublime. Irá tentar chegar aos segredos mais ocultos de um dos inquilinos e, por sua vez, levá-lo a descobrir as fantasias mais profundas que o leitor terá dentro de si. Pelo menos, é assim que esperamos que se deixe levar. Para comemorar este marco do Edificio, pretendemos que também seja especial para si. Três dígitos fazem diferença. Dez dezenas de posts têm que significar algo transcendente. E a melhor forma de o tornar digno de um número tão especial, é revelando algo muito intenso. A plavra chave é que o post 100 é Surreal. Não será amanhã a revelação dessa história. É uma postagem mais longa, mais detalhada, mais exaustiva. Necessita de uma descrição bem mais profunda do que uma mera revelação. Precisa de ser distinta. E como tal, é complexo construir a postagem. Mas irá valer a pena. Se gosta do edificio, este post vai ser especial. Não é possível desvendar inquilino ou os inquilinos que faram parte deste episódio. É uma surpresa. Esperemos que seja aliciante. Mas desde já, podemos revelar algo. A história da postagem 100 não se irá passar no Edificio Magnólia.
O Edificio continua vivo. Os inquilinos respiram uma apetência vibrante e apaixonante. Cada um sabe o papel que representa. Na vida pessoal, social e virtual que envolve cada apartamento. Esta semana há um sentimento especial que vai percorrer a mente de cada um dos moradores. Em cada uma das campainhas vai haver um sentimento de pertença. Um pressentimento de legado. Porque tudo o que cada um destes moradores faz, diz ou pensa irá ser revelado. E irá tornar-se mais importante que a sua própria existência. Porque todos nós temos uma tarefa, uma razão para continuarmos aqui. Um objectivo, uma carreira, um propósito. E tudo isto só faz um sentido se houver dedicação. O Edificio Magnólia vai continuar. Com uma vontade cada vez maior. Com a mesma dedicação de sempre.
Um agradecimento especial a todos os que continuam a abrir esta porta, essencialmente àqueles que ajudaram a abri-la pela primeira vez. Um agradecimento por fazerem parte de uma óptima experiência que será a o número 100 do Edificio Magnólia. Por esta altura, numa renovação de espirito do Edificio, só apetece dizer: Sejam bem-vindos!

Porque todos podem ser cuscos

Publicado a 08-05-08
"And it is in the humble opinion of this narrator that this is not just "Something That Happened." This cannot be "One of Those Things...” This, please, cannot be that. And for what I would like to say, I can't. This Was Not Just A Matter Of Chance. Ohhhh. These strange things happen all the time."*
Retirado, na versão original, da narração do filme Magnolia, de 1999, realizado por Paul Thomas Anderson http://www.imdb.com/title/tt0175880/
-
O Edificio Magnolia tem pautado por uma regularidade de visitas, de certa forma inesperada. Com os meios disponiveis na rede virtual, é possivel verificar as estatisticas quer das visitas efectuadas, quer das portas que os leitores percorrem, quer do local de onde provém, mas também da confrontação de todos estes dados, os quais todos os inquilinos do prédio têm acesso. Exceptuando a quebra geral ao fim-de-semana e alguns feriados, onde os leitores procuram libertar a mente do mundo bloguista e pondo de parte a quebra de postagens que este blogue vai sofrendo, o Edificio tem uma média, que na opinião de todos os moradores e também Narrador, é considerada extremamente positiva. Não se trata de uma obsessão por números, não se trata de uma guerra de audiências ou de uma procura em ter todos os leitores possiveis. A estatistica feita às visitas do Edificio prende-se com a curiosidade de conhecer os visitantes e os seus hábitos quando visitam os diferentes espaços disponiveis. Só assim é possivel tornar as postagens melhores, só assim é possivel ter uma constante motivação em revelar os segredos mais intimos dos moradores deste prédio. E para além de todas as visitas, de todas as votações, de todas as rotinas que é possivel criar em quem nos lê, o blogue pretende ter cada vez mais os leitores activos. Presentes. Criticos. Nobres em palavras. Ferozes nas intervenções. Imaginativos nas sugestões e projecções. O Edificio, com em qualquer blogue gosta de ler comentários. Afinal, também é esse o propósito da blogosfera e um dos elementos vitais na sobrevivência de portais como o Blogger. Opinião gera postagem. Postagem cria comentário. Comentário traduz-se em participação. Participação transforma-se em reacções. Reacções levam a opinião. E todo este circulo vicioso acaba sempre em novas postagens. Em melhores postagens. Neste caso concreto, uma procura constante em tornar o Edificio mais aliciante. Mas para isso, também é necessário, obviamente, a participação activa de quem lê este blogue. Não só de quem já comenta frequentemente. A todos esses, que sabem quem são, o mais sincero agradecimento do condominio do Edificio, por darem eco aos sentimentos dos moradores. Mas a participação também tem que vir de quem lê anonimamente. De quem visita mas só vê. A estes, que são muitos, os moradores também querem que participem. Que digam de vossa justiça. Que considerem o que é plausivel de julgar. Que se queixem pelas mais surreais objecções. Que tragam um novo espirito à existência do Edificio. Mais uma vez, só assim é possivel continuar a dar uma continuidade frequente, emotiva e apaixonante da vida de todos os inquilinos.
Assim, e porque os inquilinos, o condominio e o narrador valorizam quem os visita e essencialmente quem os comenta, a gestão de condominio do Edificio Magnolia decidiram criar uma menção especial às melhores opiniões emitidas na caixa de correio do prédio. Seja no 1º direito ou no 3º esquerdo. Pode ser dirigida directamente à Lúcia ou tão só ao Narrador. São aceites criticas ou sugestões, perspectivas ou pensamentos, resumos ou pedidos. Desde já, esta referência passa a ser designada por Menção Especial Magnolium comentários. Porque daqui em diante, os comentários e cusquices irão ser valorizados mais do que nunca no Edificio Magnolia. Queremos congratular aqueles que tornam o quotidiano deste prédio um lugar ainda mais especial. Todas as semanas será entregue virtualmente uma menção honrosa ao visitante mais activo do blogue. Aquele que deixar os comentários mais originais. Aquele que se considerar preso aos relatos - de um apartamento em especifico ou do prédio em geral. Aquele que transmitir alma em cada comentário. Tal menção será colocada com carácter regular na barra lateral desta página e poderá ser inserida no blogue/site do leitor a quem foi atribuida a menção, ou ainda que o mesmo não tenha blogue, será feito um slideshow na barra lateral deste espaço divulgando os sucessivos mencionados semanais. A Menção só é transmissivel pelo Condominio do Edificio Magnolia ao premiado, tal como o selo inerente.
Nesta semana de arranque, e apesar de ter havido outros fortes candidatos que brevemente serão referenciados, a primeira Menção Especial Magnolium comentários é atribuida à Lua Feiticeira. Por ser uma das leitoras pioneiras do Edificio. Por manter uma regularidade saudável de comentários soberbos, mas também criticos e sugestivos. Pela forma como vive as diferentes inquilinos de uma forma intensa. Por elogiar os novos arranjos florais do Edificio. E por ter reservado um carinho especial de todos os intervenientes na vida deste Edificio, ela é a primeira bloguista/leitora a constar deste prémio virtual surreal. Esperemos que seja unânime a entrega do selo entre todos os que nos visitam. Esperemos que seja um incentivo quer a ver os comentários da Lua, quer a dar uma longa espreitadela à pagina desta criativa escritora. Ansiamos que este possa ser a primeira de muitas menções. Aqui no Edificio aguarda-se com expectativa de que esta ideia possa ser tão estimulante e entusiasmante para si, como está a ser para todos os inquilinos e Narrador.
Você é o elo mais importante deste lugar. Se não se fizer ouvir, ninguém o escutará. E se as paredes deste Edificio são praticamente transparentes, também têm ouvidos. Faça-se ouvir, nós teremos sempre todo o gosto em o receber e escutar.

* E é na humilde opinião deste narrador que isto não é só "Algo Que Aconteceu". Isto não pode ser "Uma Daquelas Coisas..." Isto, por favor, não pode ser isso. E por aquilo que eu gostaria de dizer, eu não posso. Isto Não Foi Só Uma Obra Do Acaso. Ohhhh. Estas coisas estranhas acontecem a toda a hora.

Não tenha receio em aproximar-se

"É o sentido do toque. Em qualquer cidade real, tu andas, sabes? As pessoas chocam contra ti. (...) Eu acho que nós sentimos tanta falta desse toque, que colidimos uns nos outros, só para conseguirmos sentir alguma coisa"

Retirado do filme Crash, de 2004, com Brendan Fraser, Matt Dillon, Sandra Bullock, Don Cheadle e Thandie Newton. http://www.imdb.com/title/tt0375679/





Há algo distinto na vida deste Edificio. Existe uma sensação diferente que torna o quotidiano de cada um dos inquilinos, um acontecimento ímpar. Porque já nada é o mesmo. Ninguém neste empreendimento pode dizer em voz alta que a sua vida se mantém na mesma e insignificante rotina. Porque algo mudou. Ou até o que essa pessoa tocou, fez mudar algo. E a estrada não parece a mesma. Segue trilhos distintos, sem sequer se adivinhar um fim de percurso. Porque tudo vai deixar de ser o mesmo. As vidas movem-se. Os pensamentos transformam-se. Os desejos ebulem. Porque eles hoje querem sentir. E não da mesma forma que sentiram ontem. E certamente de uma forma que não se repetirá amanhã.
O que está então de diferente? O que distingue com tanta intensidade este Edificio dos restantes que o envolvem. Nesta rua, neste bairro, nesta cidade, neste mundo onde todos procuramos sentir algo distinto.
Há uma sede. Há um desejo. Há uma procura. Há uma distância. E o que distingue as vidas destes seis apartamentos é a procura dessa distância. A sede de aproximar essa distância. O desejo de guardar uma distância. O capricho de conquistar essa distância da forma como se pretende e nunca mais mudar. Seja essa distância um mundo inteiro. Seja esse espaço que separa um quarto. Seja um palmo de distância. Seja a pele que se cola ao outro corpo de uma forma inseparável. Há que guardar uma distância. Porque o amor também se guarda. Porque os segredos também se guardam. As paixões ficam cá dentro e não se diluem. A dor guarda-se de uma forma transcendente. A saudade guarda-se. Porque não guardar uma distância? Numa casa, num quarto, numa caixa, no peito, no coração, no mais intimo desejo sexual. Os inquilinos do Edificio Magnolia vão guardar uma distância.
Para si é seguro aproximar-se. A distância é suficientemente intensa para se poder quebrar. Este semana, quebre tudo isso. Quebre a distância, quebre os tabus, quebre os seus próprios limites. Leia, empolgue-se, sinta esse fervor interior, partilhe essa fome, comente, critique, sugira, apaixone-se. intervenha. Aventure-se, imagine, fantasie, arrisque. Esta também pode ser a sua vida, ou o seu desejo, ou o seu pecado. E ainda que possa ser só um grande fruto da imaginação, aproxime-se. Venha ver o que para aqui vai e melhor do que nunca, irá entender a distância que quer guardar.
Para além de daqui em diante conseguir perceber ( finalmente ) a diferença entre o dia em que a acção decorre e o dia da publicação da postagem, para além de dar de caras com novas revelações, cada vez mais profundas e inebriantes, esta semana ouse em sentir o toque. No fim, diga-nos o que pensa.

E se tudo pudesse tomar outro rumo

"Às vezes, as coisas que não conseguimos mudar....acabam por nos mudar a nós"

Tagline do filme The air i breathe, de 2007, com Andy Garcia, Kevin Bacon, Forest Whitaker, Sarah Michelle Gellar, Brendan Fraser e Julie Delpy http://www.imdb.com/title/tt0485851/

Será que nos apercebemos? Será que é possível tomarmos consciência imediata de tudo o que nos rodeia, no momento em que tudo explode? Será que conseguimos ser neutros, frios, distantes o suficiente, para percebermos que algo está a mudar? Será que temos lucidez suficiente para tomarmos a melhor opção? Será que temos alternativa? Será que o nosso destino não somos nós e as nossas duas mãos, os nossos dois olhos, a nossa dupla e ambígua personalidade?

Será que o bom e o mau, o certo e o errado, não têm um intermédio?Porque tudo o que fazemos, decidimos ou pensamos, é puro instinto. Sem espaço para recuar, apenas para arrepender. Porque o intermédio dos extremos é apenas e só o momento em que tudo já é passado. E o passado não se sonha, não se tenta mudar. Está escrito. E dentro de todos os pontos de vista que cada um pode ter sobre o passado, o nosso é sempre o mais coerente. Porque é a nossa decisão que prevaleceu. Não se deve questionar a forma como o poderíamos ter feito. Devemos apenas consciencializar que está feito. A melhor opção é sempre aquela que foi tomada. Viver é a única forma de apreciar o passado.

O casamento de Helena e Rodrigo parece imune a tanta traição. E aquilo que já foi feito é um encorajamento a fazer mais. Sem olhar para trás, apenas para a frente. A tentação é apenas um sabor instantâneo que cedo desvanecerá com o êxtase do prazer.

Maria José não percebe como se apaixonou. Acontece. Mesmo que o passado lhe tente ensinar a fugir de um futuro inevitável. Não é amor, é fascínio. Uma mistura apaixonante de redescoberta intima e partilha de prazer.

Lúcia está num beco sem saída. Não consegue corrigir os acontecimentos do passado. Não consegue transformar o fervilhar do coração. E um passo em frente pode ser sempre o último. E o último passo pode ser sempre o ponto de partida de um novo inicio.

Laura e Afonso procuram mais. Algo que o passado já não lhe satisfaz. Algo que as memórias e fantasias já não conseguem saciar. Só a perspectiva de algo mais intenso redescobre a paixão. E mesmo que a força do amor os faça navegar por águas calmas, a tentação só pode trazer novas fantasias, novas ideias, novas pessoas.

Rafael sabe quem é. Frio e calculista. O presente é apenas uma cópia do passado. Uma repetição de um desejo que se torna vazio e necessitado de um novo fôlego. Ele tem mais a contar do que a vista alcança. Mas só uma facada no coração lhe vai abrir o peito e acordá-lo do passado.

Ana anseia por experimentar um atalho. Uma viagem diferente daquilo que a torna única. Uma tentação irresistível mas perigosa. Por um caminho difícil de percorrer, que certamente lhe pode abrir uma porta que ela não quer abrir. A sua máscara nocturna preenche-a mais do que ela pode imaginar. Não é tudo. Não é o futuro. Mas é o instante. É o seu papel que lhe traz confiança, segurança e felicidade. Mesmo que ilusória. E esse atalho só a pode tornar insegura.

E se tudo parece vago ou surreal, se é arriscado prever o futuro de cada um destes inquilinos, é porque nem a própria pessoa sabe que decisão tomar. Porque nada parece claro. Nada consegue convencer o instinto a esboçar uma reacção. No Edificio Magnolia, esperar não é uma opção. Agir é uma consequência do tempo que já não retorna. O bom e o mau. O certo e o errado. O meio termo de tudo isto é apenas avançar. Só o tempo irá determinar as consequências da acção, a aceitação ou o arrependimento. A glória ou a decepção. A este instante, tudo o que se passar neste espaço é fruto da vivência que não se esgota em cada um dos inquilinos.

E acredite, se não mudar a sua vida, se não lhe fizer ver a vida com outros olhos, irá certamente mudar toda a vida do inquilino que você for espreitar. Porque o ponto de vista desse morador foi a decisão que ele tomou. E isso você já não pode mudar. Mas pode assistir a essa revelação.

As obras foram concluidas

"Provar uma vez não chega"

Tagline retirada do filme Chocolat de 2000, realizado por Lasse Hallström, baseado numa história de Joanne Harris. http://www.imdb.com/title/tt0241303/


Finalmente. As obras no Edifício Magnolia foram concluídas. Após algumas semanas onde os inquilinos viveram, ouviram e sentiram de perto o incómodo de parecer que o tecto ia desabar durante o dia, chega a recompensa. Talvez estas obras tenham passado despercebidas ao comum visitante do Edifício. Mas é certo também que a conclusão do projecto, agora concluído no topo do prédio, era uma ambição dos proprietários dos apartamentos e uma ansiedade quotidiana em todos os que acompanharam o desenvolvimento do que foi erguido. Naturalmente, esta curiosidade deve ter sido acompanhada também pelos visitantes que fortuitamente entravam no Edifício e ouviam os sons provenientes do terraço no topo. Como é compreensível, nem sempre seria possível observar o que era feito. E sinceramente, existirá obviamente um maior prazer e uma maior surpresa em saber o que foi feito no cimo do Edifício Magnolia, com a obra concluída.
Helena faz questão de apresentar o resultado do investimento, pelo qual todos os inquilinos que se aglomeram em redor da gestora de condomínio fizeram parte de bom grado. Depois de uma reunião de condomínio na sala indicada, a mulher de Rodrigo convida todos os participantes a subirem até ao topo do Edifício. E o convite parece inerente aos visitantes deste empreendimento. Portanto, veja, admire e fixe cada canto. As revelações também vão surgir por aqui.
Subindo as escadas renovadas depois do terceiro andar, saísse para o exterior. E desde logo é perceptível a diferença. O terraço ficou mais curto, com menos espaço ao ar livre. Tal como Helena refere, nunca ninguém fez questão de o utilizar frequentemente. A construção concluída ocupa quase dois terços do terraço. É um espaço fechado, com madeira a ladear as paredes que suportam a edificação. Tem uma porta também de madeira, que é aberta com uma chave especial. Um cartão magnético que permite a entrada num lugar diferente. Tudo cheira a novo, tudo brilha como novo. O espaço que agora é dado a conhecer aos inquilinos é um inovador jacuzzi. Amplo, coberto, acolhedor, romântico, intimo, prazeirento e com um espantoso ambiente sedutor. Vale a pena dizer que os inquilinos adoraram a primeira sensação mal aqui entraram? Ao subir imediatamente o primeiro degrau ladrilhado, é possível visualizar a piscina. Com capacidade para dez pessoas estarem de pé ou sentadas tranquilamente, o tanque tem quase um metro de profundidade, assemelhando-se a uma pequena piscina. Envolta em pedra terracota e um reboco de tez cinzenta, a água da piscina é aquecida por um sistema que é activado assim que o cartão magnético acciona a porta. O jacuzzi está situado no canto mais ao fundo da porta, dois degraus acima do espaço onde todos os inquilinos ainda admiram o novo local de lazer. O tecto por cima da piscina é uma enorme janela, que permite iluminação natural a todo o espaço. Mesmo ao lado do jacuzzi sobra ainda um espaço para três espreguiçadeiras de madeira e para um chuveiro especial. Dentro de uma cabine de vidro, que é opaco até um pouco mais de metro e meio de altura, o chuveiro permite ter duas pessoas debaixo do jacto de água com várias programas e uma cadeira de madeira surreal. É um único pedaço de madeira que se fixa ao chão, curva para permitir que alguém se sente e depois é fixado ao topo do chuveiro. Quem se senta nesta cadeira tem a possibilidade de desfrutar um duche diferente, onde a água escorre pela madeira e encharca as costas do utilizador. É esta explicação que Helena dá aos moradores atentos, indicando também que só experimentado é que se pode perceber as capacidades terapêuticas de tal sistema. Rendidos e envolvidos no espaço, os inquilinos vão-se espalhando pelo lugar. Laura e Afonso reparam nas espreguiçadeiras e trocam o olhar de uma forma mais perversa. Maria José admira em conjunto com o proprietário do seu apartamento, cada parede, cada recanto daquele sitio ousado. Ana não esconde o fascínio pelo chuveiro e Rafael faz questão de se aproximar dela, entendendo a reacção por tal habitáculo. Lúcia acompanha o sorriso de Tania, olhando para a piscina. Afinal, o espaço é enorme e tudo é possível ali dentro. Helena olha para todos os residentes do Edifício e sente-se satisfeita por o local ser do agrado dos moradores. Afinal, aquele espaço tem um enorme toque seu. Dela, do marido e da empresa de ambos que se encarregou de grande parte da obra. Eles próprios sabem o intuito deste projecto. Porque foi concebido, o que pode provocar, como vai aliciar, quando irá acontecer, onde é irresistível tentar e quem querem trazer.
Antes de saírem, pasmados com o equipamento que o prédio dispõe, Helena indica as poucas regras que o espaço tem, comum a todos os utilizadores. Apesar de existir uma equipa de manutenção que irá procurar manter o sitio asseado e confortável, a inquilina pede a todos os vizinhos que tratem tão bem do jacuzzi como tratam da sua própria casa. O mesmo acontece com todas as visitas que pretenderem usar este espaço. Este local de lazer irá ter também um mapa de utilização. Ou seja, cada inquilino tem um dia especifico da semana para usufruir em privado do jacuzzi. Obviamente que estes dias podem ser trocados, com o acordo prévio das partes envolvidas. Mais ainda, o Domingo ficou definido como dia aberto a todos os residentes para utilizar o espaço em comum. De resto, Helena apenas pede bom-senso a todos quanto anseiam utilizar esta nova infra-estrutura.
Não há por onde negar. Este é o novo lugar do Edifício Magnolia. Complementa o Espaço, intensifica o que se vive dentro dos apartamentos e liberta qualquer desejo de experimentar novas coisas, numa casa pouco privada. Esta é a palavra chave para o leitor que pretende visitar o Edifício nos próximos tempos. A privacidade escasseia. Porque voltam a haver revelações. Porque tudo se torna mais intenso, mais perigoso, mais aliciante. Porque cada revelação é mais que um segredo. É uma história para ler, saborear e voltar a rever na mente. Exactamente como se fosse possível espreitar. Porque cada um destes inquilinos pede para ser espreitado. E se verificar, o jacuzzi não é mais do que um espaço pouco dado a privacidades. Se vier visitar o terraço do Edifício Magnolia, irá perceber que consegue ver mais do que os seus próprios olhos alcançam. Tenha apenas uma coisa em mente. Assim que espreitar, é possivel que não consiga retirar mais a atenção deste Edifício. Assim esperam os inquilinos.

Venha espreitar esta tentação

"Basta provar uma vez"

Tagline do filme Chocolat, de 2000, com Johnny Deep e Juliette Binoche http://www.imdb.com/title/tt0241303/

As revelações já não são segredo. Essa caracteristica intrinseca da revelação dissipa-se a cada dia. Quando se espreita num apartamento suga-se algo profundo. Quando se ouve o que os inquilinos confessam, algo inebriante transparece das paredes do Edificio. E tudo o que está para vir só pode trazer pedaços de revelações já esperadas. Porque tudo o que aqui é contado é uma sucessão lógica de acontecimentos. E o mais certo é haver palpites certeiros por parte de quem visita frequentemente o Edificio. Mas atenção. Nem tudo o que parece, o é verdadeiramente. E as novas revelações que se aproximam, serão mais surpreendentes do que possa ser esperado. Criar suposições sobre o que acontecerá na vida destes inquilinos poderá ser precipitado. Sonhar com o que estará para vir será pura ilusão. Porque as histórias que se vão tatuando nas paredes destes apartamentos voam mais alto que qualquer fantasia que neste segundo possa estar a construir na sua mente.
E o mais surreal é que essas revelações, essas histórias irão ser relatadas em pequenos pedaços da vida destas personagens. Mais do que nunca, entrar no Edificio Magnolia será como espreitar secretamente pelo buraco de uma fechadura. Num pequeno espaço de tempo, de uma forma que o vai fazer sentir-se intruso. Experimente. Torne-se ousado. Seja célere. Quando começar a espreitar, a revelação pode já estar a decorrer. Resta-lhe tentar imaginar porque é que tudo aquilo começou. Seja paciente. O buraco da fechadura pode ser mais estreito do que a fantasia. E se não conseguir espreitar tudo, imagine. E ainda que o pedaço revelado deixe um sabor na boca a pedir por mais, fica a certeza que despertará desejos na curiosidade dos visitantes. Por isso, se lhe parecer que lhe foi oferecida uma pequena porção de chocolate, na verdade perceberá que foi você que conseguiu roubar uma tablete inteira. Apenas um conselho, tenha cuidado com a gula. Poderá ser viciante.
Esta semana está a ser feito um esforço para terminar a obra no topo do Edificio Magnolia. De acordo com o que foi estipulado, preve-se que ela termine o mais depressa possivel e que esteja disponivel para todos os inquilinos e até visitantes no espaço de alguns dias. Nas suas próximas visitas, olhe bem para o chão, olhe bem para as paredes. Tenha cuidado nos corredores. Não tropece em nada, não se magoe. É possivel que haja espaços indisponiveis. Tenha efectivamente muito cuidado quando está a espreitar. Esperemos contudo, que tais obras não lhe criem inconveninetes na sua curiosidade em espreitar as revelações. Estará a indagar que obra é essa e porque é que é tão relevante na vida do Edificio. Pois então, mais uma vez, a curiosidade aguça o apetite. Aguarde para ver a obra que irá mudar o quotidiano dos habitantes do Edificio. Mais do que alguma vez pôde imaginar.
Prove.
Delicie-se.
Volte a provar.
E ceda à tentação.
Porque o pecado não mora ao lado.
Vive aqui mesmo, no Edificio Magnolia.

A que ponto se chega

-
"Num mundo de ilusões, nada é o que parece ser."

Tagline do filme The Illusionist, de 2006, com Edward Norton e Jessica Biel http://www.imdb.com/title/tt0443543/



São histórias em que se quer acreditar. São episódios difíceis de não serem passíveis de confundir com outras tantas rotinas que nos são tão familiares. A história de qualquer um destes inquilinos cruza-se diante de nós diariamente. Quando vamos a caminho do trabalho, por quantas acompanhantes não trocamos o olhar? No autocarro, é assim tão dificil de supor que a mulher sentada ao nosso lado é divorciada e voltou a apaixonar-se pela vida e por todos os seus pecados? No trânsito, se olharmos no espelho retrovisor, o carro que nos antecede pode ser conduzido por um homem sem vontade de se comprometer. No café habitual, onde tomamos o pequeno-almoço, o casal que se senta diante de nós possivelmente é infiel um ao outro e não se sente mal com isso. Nas escadas em direcção ao trabalho, podemos sempre passar bem de perto a uma jovem bissexual que apenas quer encontrar um caminho para se confessar à pessoa que ama secretamente. E é sempre possivel dar de caras, em dezenas de situações ocasionais durante o dia, com um casal swing. Afinal, quem vê caras não vê corações. Aquilo que se esconde por detrás de um desconhecido pode conter bem mais do que alguma vez pudemos imaginar.
São dias convergentes. Aquilo que foi, vai continuar a ser. É importante não esquecer o que já aconteceu, de forma a não perder pitada do que surgir. Mais do que momentos escaldantes, mais do que momentos sensuais, mais do que fantasias que se pretende revelar, que se pretende conhecer. O Edificio Magnolia vai desvendar os pormenores intimos da vida de cada um dos inquilinos. Porque a vida deles já não é o que era. A vida deles conta uma história, que por sua vez se desdobra em pequenas vivências. E tudo isso torna a existência deles mais viva, mais pródiga em desflorar detalhes sórdidos. Detalhes que querem ser descobertos e que aliciam a que se espreite, a que se cusque, a que se queira contar ao ouvido alheio. São dias convergentes. O que se descobriu na semana passada, será explorado na próxima semana, nas semanas posteriores. Nada mais será o mesmo. E até os próprios inquilinos já perceberam isso.
A máscara nocturna de Ana já se confunde com a máscara diária. Um impulso apaixonante forçou-a a abdicar dos seus caprichos. Uma sucessão de acontecimentos descaracterizou-a dos seus dotes profissionais, da sua capacidade de enfeitiçar um cliente. Porque o seu último cliente, não o era. E nem ela própria desvenda se o pretende como cliente ou como amigo colorido, ou como paixão. Esse impulso desmascara-a, deixa-a desprotegida e despe a máscara diária, diante do seu papel de acompanhante.
Rafael começa a sucumbir à sua frieza. O seu coração vai-se revelando e a semana que passou demonstrou-lhe isso mesmo num instante decisivo. Algo está diferente nele. Porque Rafael não costumo procurar uma mulher. Ele não se perde em gestos apelativos e misteriosos para cativar o fascinio de uma mulher bonita. Mas neste caso, é mais que uma mulher bonita. É mais que alguém que ele queira levar para a cama. Nesta situação particular, um dilema apresenta-se à sua personalidade calculista.
Rodrigo e Helena aproximam-se. Como dois meteoritos prestes a chocarem. Esta semana, um limite de tempo muito ténue separou a perfeição do seu casamento do abismo da infidelidade crua. A sede de experimentar carne alheia misturada na ilusão de manter a todo o custo uma familia unida, proporciona aos dois conjugues uma adrenalina onde é dificil prever um desfecho harmonioso.
Maria José ainda dança na liberdade da sua vida. Saboreia os pequenos prazeres da vida. Goza os sabores carnais que se lhe apresentam como apeteciveis. Solta de uma casamento de correntes, ela aprende novamente a ser jovem de espirito. E ainda assim, não consegue ludibriar a inevitabilidade do amor, da paixão, da intensa sensação de querer alguém. Por muito tempo. Mas mesmo que a ansiedade palpite o seu coração e o carregue de compaixão, a indecisão irá fazer parte da sua nova vida.
Lúcia caminha num trilho perigoso. Nos seus lábios ela guarda um segredo incomportável. Partilha-o apenas com duas pessoas. Uma que invade a sua cama em noites quentes, sem mais. Outra que pretende invadir a sua cama, mas da qual ela não sente afinidade. Nem tão pouco para um beijo. E no meio de tudo isto, a pessoa que enche o seu coração secretamente é a única que ainda não recebeu nas suas mãos a revelação inusitada. Se o fizer, tudo poderá mudar.
Afonso e Laura estão expectantes. Uma semana inteira a planear e a antecipar um fim de semana diferente deixou-o tão extasiados como se já tivessem vivido esses dias. O casal amigo deles preparou tudo ao pormenor e guardam em si a mesma ansiedade para aproveitar uma partilha diferente. No Espaço Magnolia, a imaginação soltou-se e espalhou-se surrealmente por entre os sofás. Na mente de cada um deles, houve um envolvimento sensual. Despiram-se os parceiros, à medida da fantasia de cada um. Agora, enquanto o fim de semana decorre, tudo pode ser vivido realmente. Aguardam-se novidades. Aguardam-se experiências fora do comum. Aguarda-se uma sensação de um novo amanhecer.
Quem quer acreditar nestas histórias? Quem é que se atreve a não acreditar? Estas revelações fazem parte da sua vida. Nem que seja por um instante, uma destas personagens já se cruzou no quotidiano e você talvez nem sequer se tenha apercebido. E o mais provável é uma destas histórias se identificar consigo. É por esse motivo que o Edificio existe. Para juntar realidades e transformá-las em episódios entusiasmantes. É essa expectativa que permite revelar novas ideias, novos momentos, as velhas e habituais fantasias que no fundo, pertencem a todos os que queiram espreitar. Leia, envolva-se, vote se ainda não o fez. Comente o que vai surgir, comente também o que já está revelado. Critique, elogie, identifique-se. Você é a visita que os inquilinos do Edificio Magnolia aguardam diariamente.
Este é o ponto a que se chegou. Está preparado para mais?

terça-feira

Tempo de reflexão

-
"A carne seduz. A paixão mata"

Tagline do filme Basic Instinct, de 1992, com Sharon Stone, Michael Douglas e Jeanne Tripplehorn http://www.imdb.com/title/tt0103772/

"Nick entra em casa, juntamente com Beth. Dois dedos de conversa são suficientes para criar ambiente. Ele segura no corpo dela e encosta-a à parede. Beth sente-se arrebatada. Deixa-se levar pelas mãos dele que lhe percorrem as pernas, a saia de doutora aprumada e a blusa de seda verde. De tal maneira que ela se sente envolvida nas mãos imponentes do policia, que os amantes colam um beijo intenso, fogoso e sinistro. Violentamente, ele rebenta os botões da blusa dela e abre-a, descobrindo o peito. Nick quer a mulher. Nick entesa-se de pensar na sensualidade da sua amante. Nick está descontrolado. Pega no corpo dela e abraça-a. Ela empurra-o para a parede em frente. Cedo ela está de costas para ele, entregue aos caprichos de Nick. Ele apalpa as mamas escaldantes de Beth. A boca dele procura os lábios carnudos da mulher, ao mesmo tempo que o seu corpo se apodera dela. Impulsivamente, Nick empurra-a contra a parte traseira do sofá e em actos selvagens puxa-lhe a saia, rasga as cuecas dela e apalpa-lhe o rabo. O homem abre as suas próprias calças que caem aos seus tornozelos e penetra vigorosamente na mulher, que está inclinada sobre a poltrona. Beth sente-se consumida. Sente-se possuida pelo seu amante, que agarra na sua cabeça com extrema garra. Beth sente-se cheia. Sente que dentro de si, algo irrompeu violentamente. E no entanto, quer. E no entanto ela deseja aquela foda. E no entanto, ela própria geme com aquele sentimento ambiguo. Nick, o seu amante quer comê-la impulsivamente. E Beth deixa. Naquele momento, a paixão e o desejo sobrepõem-se a qualquer sentimento, a qualquer dor, a qualquer acção."
O cinema, como muitas outras formas de arte, podem fascinar-nos, podem fazer-nos fantasiar, podem até mesmo levar-nos a confundir a ficção com a realidade. Seja o conteúdo efectivamente real ou notoriamente ficção. Principalmente quando nos sentimos envolvidos nas histórias, nas personagens, nos sitios, ou na forma como são contadas. Muitas vezes, o cinema e as suas obras, levam a que os espectadores se sintam entusiasmados - até excitados - com as histórias de amor e as cenas eróticas que vão surgindo. "Instinto Fatal", ou Basic Instinct, como preferirem, é só um exemplo. Mas haverão outros que servem perfeitamente para demonstrar aquilo que é pretendido dizer nesta postagem. O filme que lançou Sharon Stone e Michael Douglas para um patamar muito alto do estrelato e da capacidade de representação, é um bom filme. Claro que é uma opinião subjectiva, no entanto é legitimo dizer que tem um argumento envolvente. E como tal, agarra muitos dos espectadores que já se lançaram a visioná-lo. Não só a história num mundo que existe. Não só a carga dramática das personagens que poderiam existir. Não só o famoso cruzar de pernas. Também e acima de tudo, as cenas de sexo cativam imenso o espectador. Isso é inegável. E a cena em que Nick Curran e Beth Garner se envolvem pode considerar-se um dos pontos altos do filme.
Agora pergunta o leitor. O que tem o filme e em concreto a cena de sexo a ver com a postagem de hoje e a vivência do Edificio Magnolia? Quer na acção que foi descrita acima, retirada do visionamento do filme citado, quer em muitas das histórias do Edificio, não existe ou não é dado a conhecer a existência no pénis do homem de um preservativo!
Eu sugiro ao leitor que retorne a ler a descrição da cena do filme. Sugiro que entre o momento em que ele baixa as calças, apalpando em seguida o rabo e o momento em que ele a penetra violentamente, coloque outra descrição. "Ele abriu o preservativo o mais rápido que pôde, colocou-o afincadamente no seu sexo e depois de lubrificar convenientemente o buraco anal dela, penetrou-a vigorosamente." Àqueles que tiveram oportunidade de ver o filme e que ainda relembram este episódio, imaginem o Nick Curran a fazer exactamente isto. É dificil, não é? Pouco estimulante para uma cena que se pretende intensa. Para uma penetração que se pretende vigorosa. Mostrar que o homem tem um preservativo ou que até lubrificou o rabo da amante pareceria no minimo improvável. O mais certo é parecer inestético, sem emoção, sem ritmo e desmotivante. Creio não estar em erro dizer que todas as outras cenas de sexo do filme não fazem menção a preservativos, a lubrificantes, ou a qualquer outra forma de tornar o sexo mais seguro, mais confortável, mais adequado. Creio não estar em erro quando afirmo que a maioria das cenas eróticas que se vê no cinema comercial contemporâneo não contêm qualquer descrição de sexo seguro. Assim, porque haveria de ter um texto erótico uma descrição sobre sexo seguro?
Esta primeira pergunta é colocada com base no facto de surgirem temporariamente comentários sobre a forma como as personagens do Edificio poucas vezes usam preservativo, ou como muito poucas vezes é feita referência ao mesmo. Longe de quem coloca com frequência as revelações do Edificio Magnolia, não querer aceitar as criticas ou sugestões que são feitas. Pelo contrário. No entanto e de acordo com o que alguns leitores legitimamente já referiram, este parece ser um assunto ou um tema que merece um outro tipo de análise e de resposta que vai para além de um simples comentário.
Porquê?
O Edificio Magnolia é um blogue, como muitos outros, que pretende transmitir descrições eróticas, fantasias sexuais, revelações que sendo reais ou não, são verdadeiras. Pretende dar a conhecer pontos de vista surpreendentes sobre sexo e relações. Pretende ampliar, dentro do que é possivel, a imaginação de quem o visita. Porque acima de tudo, o Edificio é um local onde apesar de haver alguma descrição, é incentivada uma enorme liberdade de imaginação. No entanto, já que se trata de sexo, já que se trata de relações, já que se trata de fantasias, deixo a segunda pergunta. Porque haveria o Edificio Magnolia de ter um carácter pedagógico?
Creio que a maioria dos leitores assiduos deste espaço vêm aqui por causa de sexo. Não vêm aprender, vêm descobrir. E se vêm por causa do sexo e das fantasias que tais textos possam gerar, precisam de ser ensinados? Quem aqui entra e fica algum tempo sabe minimamente o significado de sexo. Caso contrário, provavelmente fecharia a página à primeira vez que visse as palavras "rata", "foda" ou "picha". Quem costuma aqui vir sabe possivelmente imensas posições sexuais, jogos eróticos e sonha frequentemente com amantes. Ainda bem que sim. É saudável. Quem entra aqui possivelmente sabe as precauções a tomar relativamente ao sexo. A forma como é possivel gerar vida através do mesmo, as doenças inerentes à prática irresponsável de sexo, os desconfortos que as mesmas práticas podem provocar corporalmente. E claro, haverá sempre quem não sabe. É legitimo. No entanto, mais uma vez...Terá um blog que guarda um carácter de lazer, de entretenimento, de fantasia e liberdade de imaginação, que conter pedaços de educação sexual? Porque haveria de ser este blogue e não outros que contém linguagem sexual? Porque haveria de ser um blogue e não um filme? Porque haveria de ser um blogue ou um filme, se há livros de carácter erótico que em imensas páginas não fazem referência a um preservativo?
Quem pensa, escreve e edita o Edificio Magnolia está ciente do poder da comunicação como influência à sociedade, como veiculador de mensagens. Mas não acho que o facto de indicar que Ana, do 3º direito tem sempre relações sexuais com um cliente só com preservativo se torne mais educativo e que consciencialize mais jovens e prostitutas a fazerem-no sem excepção. Não acho que referir o facto de Maria José tomar a pílula dê uma maior consistência à personagem e que alerte para gravidezes indesejadas. Não creio que dizer que quando Rodrigo penetrou no rabo da sua mulher na casa de banho usou lubrificante, abra a mente de quem não tem cuidado com possiveis futuras lesões ou irritações anais. Pelo contrário, apenas arrefeceria o tom intenso, erótico, excitante e acima de tudo fantasioso que é pretendido dar a cada pedaço de história. Acima de tudo, essa é a preocupação de quem escreve diariamente para os leitores que, acredito, vêm aqui efectivamente para estimularem a sua imaginação, não para se consciencializarem.
As personagens do Edificio, reais ou não, têm a sua dose de consistência. Já foi demonstrado o uso do preservativo em várias situações. Em muitas delas, não foi indicado que usavam, mas também não foi dito o contrário. E noutras vezes, não houve sequer esse uso. Seja porque a descrição assim o referiu, seja porque a situação em que as personagens estavam envolvidas não o permitia. Nunca foi dito que as personagens eram educativas. Nem o pretendem ser. Nunca ninguém disse que as personagens eram perfeitas. São uma procura de aproximação a algumas realidades. E se a realidade dissesse que toda a gente usa preservativo, não se usavam milhares de euros em campanhas de sensibilização.
Não é pretendido com isto fugir a uma realidade social. Nem tão pouco se pretende que o Edificio seja contra qualquer tipo de pedagogia em meios de comunicação para o uso do preservativo e consciencialização das doenças sexualmente transmissiveis. De qualquer forma, este blogue não pretende ser um manual de educação sexual e por consequência descrever todas as situações de uma forma que transmita a ideia de sexo seguro. Se outros meios de comunicação não o fazem, porque haveria este blogue ou muitos outros de o fazer?
Séries juvenis na televisão portuguesa e estrangeira transmitem diariamente conselhos pedagógicos em várias áreas, incluindo o sexo, por entre os seus argumentos ficticios. Reforçam constantemente o choque entre sexo seguro e sexo irresponsável, preservativos, pilulas do dia seguinte, planeamento familiar, interrupção voluntária da gravidez, doenças sexualmente transmissiveis, etc, etc, etc. Isto tudo em conversas com os pais, em salas de aulas, em conversas de café. E no entanto, mesmo que o público alvo dessas mesmas séries sejam jovens que começam a sua vida sexual, os episódios mostram frequentemente a contracenação de actores em cenas escaldantes e em quase nenhuma delas salta um preservativo ou a rapariga a dizer antes de se consumar o acto que tomou a pilula. Contraditório, não é?
O público-alvo deste blogue não está especificado. Provavelmente situa-se em pessoas que tem uma vida sexual já activa ou que procuram novas sensações, dar largas à imaginação. Claro que para uma regra há sempre a excepção e possivelmente deve haver vários leitores jovens, outros adultos, pouco informados, dogmáticos, inconscientes, irresponsáveis, que possam ler alguns pedaços de histórias. E é aqui que voltamos ao "Instinto Fatal". Com certeza que muitos dos leitores deste blogue que não têm um conhecimento efectivo de sexo seguro, já viram o filme. Ficaram mais ou menos sensibilizados depois de o verem? Em meu entender, acho que isso pouco interessa. A educação, como diz o povo sabedor, parte dentro da própria casa, mas também da escola e do meio social que envolve o ser humano. Tudo o resto são fragmentos que esse mesmo ser vai encaixando e adaptando à sua personalidade e forma de viver.
Respondendo a alguns comentários que já houve ( os quais são bem vindos, porque este também pretende ser um espaço com uma ampla liberdade critica ), gostava que imaginassem um post qualquer do Edificio. O vosso preferido, o mais excitante, o mais ousado...qualquer um. E que no momento em que achassem adequado, imaginassem também uma descrição do homem a colocar correctamente o preservativo ou a pedir alguns minutos à mulher antes de ir buscar a vaselina ou o lubrificante. Claro que em alguns casos pode tornar a história mais escaldante, o momento mais intenso. Mas na maioria das vezes, apenas torna a descrição da cena mais constrangedora. Mais uma vez, as histórias permitem uma enorme liberdade criativa ao leitor. Já o referi num comentário a uma leitora. Por isso, se aquilo que está na vossa mente, é a colocação do preservativo ou de um lubrificante, isso só pode ser positivo. A personalidade dos inquilinos, a descrição dos lugares, os gestos que são trocados, as coisas que são ditas, não terminam com o que é escrito por quem narra. É ai que começa. Só termina na mente de quem imagina.
Na esperança de que esta postagem possa ser correctamente entendida e determinante da forma de os leitores habituais entenderem o ponto de vista de quem narra e desvenda as revelações do Edificio, deixo assim espaço de manobra para expressarem tudo o que vos venha à cabeça. Não só está em vocês a capacidade critica, como fundamentalmente está, e repito, a liberdade criativa. O Edificio Magnolia é tudo aquilo que a vossa imaginação quiser. Por isso, sintam-se livres aqui.