sexta-feira

Coppélia

Publicado a 29-12-2008
Dança-se sobre a ideia de uma troca de parceiros. Actua na incerteza do amor exclusivo. Interpreta a desconfiança e o ciúme, a paixão e a fantasia, a vingança e a redenção. Coppélia é um ballet com uma dose de comédia, outra de sentimentalismo e uma pitada de surrealidade. Estreada em Paris no século XIX, foi o ballet mais representado na Ópera Garnier, na Cidade- Luz. Conta a história de Swanilda e o seu noivo, Franz, que se interpõem na vida do Doutor Coppelius, que fabrica brinquedos e tem fama de bruxo, bem como da sua boneca Coppelia, tão semelhante à carne humana. A curiosidade e o fervor do que se quer revelar misturam estas quatro personagens.
Quem são estas pessoas que se coincidem numa traição simultânea ao casamento? Que novidade proibida é esta que os tornam insanes por um objecto de desejo tão pessoal, tão escaldante, tão perigoso, tão real? Repete-se agora a dança que Helena e Rodrigo dançaram com os seus amantes, casados um com o outro, a sete minutos das cinco. Quem são eles? Mário é um médico de clínica geral, com um consultório privado na baixa da cidade. Casado há quase vinte anos com uma mulher que lhe deu uma concepção de família, dois filhos lindos e uma estabilidade paralela à sua carreira de sucesso. Colecciona amantes dentro do seu consultório, experimentado aventuras sexuais que se guardam no segredo da sua imagem social. Ainda assim, preza em esforçar-se para que o seu lar seja uma riqueza de sentimentos. Anabela é a devota esposa deste médico. Dona de casa por gosto mas também dedicação, acumula funções escriturárias numa firma de construção civil que pertence aos seus progenitores. Assim, tanto pode ter um inusitado avental a cobrir-lhe o corpo como pode evocar as curvas do seu corpo num fato clássico mas também ousado. Os filhos, esses, trouxe-os ao mundo na forma de casal e todos os dias servem para espelhar a imagem que ela quer dar de si mesma. Nos seus segredos mais íntimos, guarda uma mão cheia de amantes, resgatados nas triviais tarefas diárias de uma mãe e esposa e que se escondem nos libertinos horários que o divergem do marido.
Helena é mais uma das belas mulheres que acorreu ao consultório do Dr. Mário, em busca de uma consulta dispendiosa, mas privilegiada. Começou com o rumor que Helena ouviu de uma amiga de sessões de cabeleireiro, sobre um médico maduro e sensual. Avançou com uma anormal queixa do seu filho mais novo, no joelho dorido. Penetrou no arrebatamento que ela sentiu ao estar diante dele, sentindo a mão direita possante do médico quando o cumprimentou e um olhar devorador em todo o tempo da consulta. Confirmou-se quando ele passou a mão sobre a coxa descoberta dela, por debaixo da sua secretária, com o paciente adolescente ali mesmo ao lado. Gerou-se quando Helena voltou sozinha para receber os resultados dos exames do seu filho. Eles eram casados e desejavam ter em comum a ânsia de serem apaixonadamente infiéis.
Rodrigo é o amante maduro de Anabela. É ele que tem aquele ar de homem sério, comprometido mas infiel. Atrevido mas com telhados de vidro. Os outros são apenas pedaços de um homem perfeito que a mulher tenta encontrar em todo o esplendor no seu marido. Desde o jovem universitário que se torna incansável no saciar das suas frenéticas sedes libidinosas, até ao depravado talhante que lhe satisfaz as mais mordazes fantasias sexuais. Começando no vizinho reformado que faz pequenos arranjos no apartamento e no seu corpo obscuramente lascivo, terminando no inexperiente mas encantador colega de trabalho, recentemente casado com uma jovem católica praticante. Mas Rodrigo é diferente de todos estes amantes. Para Anabela, ele é o intermédio dos outros amantes, porque lhe traz um equilíbrio de sensações proibidas.
Quis entrar quase imperceptível. Ainda assim, teve que enfrentar a assistente do Dr. Mário, uma mulher de cinquenta anos, gélida mas consciente do carácter debochado do consultório onde trabalha. O seu posto de trabalho está assegurado pelo sigilo que ela se compromete em manter de cada vez que permite uma mulher como Helena em entrar pela porta atrás de si. O médico recebeu-a com o mesmo olhar penetrante, com um indesmentível gozo de quem sabe receber. Helena entregou-se como quem pagou para ter aquele homem. Deixou que o seu corpo se tornasse frágil, maneável e volátil. Despiu o casaco, evidenciando a suavidade da sua roupa, descaradamente fácil de retirar. Atrás do biombo branco, Mário abriu a blusa branca da amante e invadiu a mulher com as suas mãos quentes e carinhosas, num abraço intenso, embrulhado na respiração ansiosa dela. Por detrás desse biombo, o doutor examinou a tesão de Helena, certificando-se que os seus seios estavam a arder de desejo. E ela pertencia a todo o querer do seu amante.
Conheceram-se no sapateiro, dois quarteirões acima do Edifício Magnólia. Ela rebuscou um olhar inocente, ele desvendou-lhe a alma sensual e feroz. Partilharam o atendimento do velho por detrás do balcão e imaginaram um beijo voraz em qualquer sítio, desde que fosse imediato. Os sapatos estavam remendados, pela segunda vez no espaço de uma semana. Rodrigo lançou um sorriso indiscreto e vislumbrou toda a postura feminina. Ela não tinha o avental vestido, nem tão pouco o fato profissional. Ainda assim, Anabela mostrava o seu corpo maduro, os seus gestos sábios, o seu peito firme. Regressar pelos dois quarteirões é suficiente para Anabela se sentir novamente conquistada pela adrenalina do seu amante. Subir até ao 1º esquerdo justificava-se na necessidade de extravasar a volúpia sentida em todos aqueles passos. Rodrigo voltou a beijá-la após fechar a porta, com a garantia de que tão cedo ninguém regressava à sua casa.
No ballet, o casal pode fingir ser outro alguém. Nem que fosse para perceber até onde é que consegue chegar. Nem que para isso tenha que surgir algo de diferente na sua vida, algo que revele uma outra personalidade desconhecida. Em Coppelia, a jovem procurou disfarçar-se de boneca, deixando-se entregue aos caprichos do Dr. Coppelius.
O divã do consultório excitava Helena. A ideia de fragilidade, de inocência, de permissão preenchia as fantasias da mulher. A sua blusa branca estava presa junto aos cotovelos, ainda que o seu soutien bordeuax já se estendia no chão. Os seus mamilos arrebitavam em bico, oferecendo-se ao fervor do doutor que a empurrava agora em direcção à cama clínica. Ao mesmo tempo, ele puxava-lhe a saia azul para cima, fazendo-a escorregar pelas coxas meigas de Helena. A mulher casada sentou-se sobre a cama, aguardando os gestos do seu amante. Mário colocou-se vagarosamente entre os joelhos dela, acariciando as mamas excitadas da mulher. Aproximou a sua face do pescoço dela e empurrou-a delicadamente para trás. Leve como uma pena, Helena deslizava os seus membros como um fantoche. As suas nádegas escorregavam pelo tecido da cama, enquanto a sua perna esquerda se erguia ligeiramente. O seu sapato de salto alto descolou-se do chão e cada vez mais, Helena era volátil.
Anabela tinha um peito desconcertante. Assim que ela retirou a camisola de algodão bege, os seios volumosos e descaídos pularam diante do olhar de Rodrigo. Brancas, suaves, com uma ténue transparência dos seus quarenta e alguns anos, mamilos da cor do cabelo curto e castanho claro, as mamas reservavam uma sensualidade invulgar. Misturavam a sua aparência maternal com uma postura apaixonada, evidenciando uma pureza fictícia. O peito de Anabela clamava para ser tocado, para ser beijado, para ser comido, para ser devorado. O peito da mulher casada, mãe de dois filhos e objecto de desejo de tantos amantes, era um tesouro que só ela sabia guardar. A varanda do apartamento de Rodrigo tornava-se um lugar inusitado para despir uma amante fogosa. Ela estava sentada num pequeno banco, encostado ao muro. Conseguia encostar o pescoço no parapeito daquele espaço aberto. Não era de todo impossível que alguém pudesse avistar Rodrigo a retirar calmamente as calças femininas e perceber o que o inquilino estava prestes a fazer. Mas Anabela não se importava. Encantava-se com as mãos dele que entretanto retiravam as cuecas brancas da mulher casada. Ajoelhado no chão, ele aproximou-se do peito da amante e colou a boca no vale apertado, entre as mamas que ele ousou segurar com veemência. Anabela abraçou a cabeça dele e apertou-o contra o seu peito rijo e entesado. As mãos de Rodrigo apalparam as nádegas ligeiramente flácidas da mulher, mãe de filhos. As pernas dela abriram-se e permitiram que a ponta dos dedos dele começasse a deleitar os seus lábios vaginais.
O Dr. Coppelius enfeitiça a sua falsa boneca. Torna-a parte do seu mundo surreal e fá-la dançar no interior da sua casa. Swanilda entende o que é ser manipulada, mas também admirada. Franz aguarda cá fora pela verdadeira boneca doce e cantante. Ainda encantado por Coppelia, não deduz que o seu deslumbramento o cega da outra realidade.
Não havia pressa, mas também não era pretendido que fosse longo. Helena estava à mercê dos caprichos do seu doutor. A sua perna direita erguia-se o mais alto que podia, encostada ao peito do médico. A perna esquerda procurava tocar o chão, equilibrá-la na cama e manter o caminho aberto para que o sexo do seu amante a penetrasse incessantemente. Os seus braços estavam limitados pelo pedaço de tecido branco que ainda não tinha sido do seu corpo. Ainda assim, a mão esquerda segurava o seu corpo, pressionada no colchão da cama clínica. O seu tronco estava assim numa diagonal que lhe permitia sentir cada entrada dele no seu intimo. A mão direita de Helena apoiava-se no pescoço do médico, para que ela não caísse, mas ao mesmo tempo demonstrando o quanto ela se deliciava com cada penetração. Porque Mário entregava toda a sua dedicação à mulher que ambicionava meia hora da sua consulta. De pé, ele exercitava a sua cintura de forma a que cada penetração parecesse imensa, trouxesse calor ao interior do sexo feminino e colocasse Helena nas nuvens. E ela gemia quando isso acontecia. Ela soltava dos seus pulmões a reacção mágica às maravilhas que o pénis duro e longo de Mário trabalhava dentro de si. Como dois loucos, o médico e a mulher fodiam sem parar. Não havia sequer um limite imposto. Ele queria devorá-la. Ela só queria que aquilo jamais terminasse. A face dela derretia, o seu pescoço suava rios de prazer e as mamas desfaziam-se tal era a intensidade exercida pelo seu corpo. O sexo de Mário preenchia a sua rata e ela julgava que ele nunca mais ia parar de inchar. O médico era incitado a não cessar o ritmo das suas penetrações. Fodia a mulher madura, tão semelhante a si, como se fosse a última vez que lhe fosse concedido um momento assim. Apenas e só com as calças dobradas nos tornozelos, Mário segurava o corpo da mulher pelas costas, sugando por vezes os seios molhados e morenos da mulher. Na proibição do lugar, do momento, da acção, Helena incitava o doutor a fodê-la. Procurava olhá-lo nos olhos, mas a cópula era tão vibrante que todo o seu corpo estremecia de cada vez que ele se aprofundava dentro dela. Mário sentiu a mulher encharcada e guardou as últimas forças para aquele espaço de tempo em que Helena sentiu uma tontura vertiginosa e o sexo dele a explodir dentro de si.
Já tinha acontecido anteriormente. Aquela varanda experimentou o desejo carnal entre marido e mulher por um bom punhado de vezes. Mas nunca outrora Rodrigo se sentiu tão descomplexado em provar uma mulher casada num lugar tão inusitado dentro do seu apartamento. E a mulher que estava bela e nua diante de si, não era a sua esposa. Era a conjugue de outro alguém que ele desconhecia. A carne que se entregava a si, aberta e com um aroma único, era uma amante que tinha tanto a perder como ele próprio. Por isso, ele não hesitou em colocar a sua boca na vagina húmida e bonita, que por uns momentos lhe pertenceu. Anabela apertou as coxas contra a cabeça dele, demonstrando que não estava receosa do que poderia acontecer. Ela acariciou os cabelos do homem e fez pressão com os dedos na nuca dele. Rodrigo tinha um convite para lamber o sexo saboroso. Porque os seus lábios sentiram logo a divindade daquela rata madura. A sua lingua deslizou por entre os folhos vaginais e as suas papilas gustativas sentiram os sucos deliciosos do âmago da mulher. E Anabela tremeu. As suas mamas pressentiram os gestos de prazer que eram entregues àquele corpo. Os mamilos pareciam florescer e o vale do peito começou a suar. Anabela soltou um sorriso, cerrou os olhos, e deixou-se levar por aquele minete soberbo. A sua nuca quase que se encostava na parede atrás de si. Apesar de não estar na sua casa, ela não receava que alguém pudesse ver ou surgir de dentro de casa. Aquele era o seu momento. Ela estava a ser lambida, a ser tocada, a ser mimada. Naquele instante em que a língua do homem fazia cócegas alucinantes no seu clitóris, Anabela tinha em mente que só o seu amante maduro, esse que equilibrava a sua sede sexual, lhe poderia lamber como Rodrigo o fazia. Ela tinha vontade de se tocar, de levar os seus dedos a segurarem aquele deleite. Mas deixou esse pormenor à aptidão e fome do anfitrião. Rodrigo comia a rata. Mas devorava-a num jeito que ele não se recordava de querer. Porque colado à sua boca estava um sexo diferente. Maduro como o da sua esposa, sem dúvida. Molhado como a grande maioria das suas amantes proibidas. Ardente como qualquer mulher que ele deseja. Mas Anabela expelia de si uma magia que o enfeitiçava. Ela era tão somente uma mulher que palpitava o coração da mesma forma que o seu. Rodrigo sabia que à noite podia experimentar algo semelhante. Mas ele queria que fosse diferente. E tornou-o diferente. Rodrigo fez um minete memorável até Anabela demonstrar que só ele a poderia lamber assim. O orgasmo que ela preparava para exaltar era a prova de que no adultério não há lugar para fingimentos.
Swanilda temeu os encantamentos do Dr. Coppelius. Sentiu o seu corpo tremer com o pressentimento de que se ela pode desejar ser uma boneca, também o seu noivo pode desejar ser uma boneca. Na iminência desta preocupação, o mágico e fabricante de brinquedos preferiu afastá-la. Voltou a pô-la no sítio onde a descobriu e no seu pensamento clamou pela presença da sua boneca.
Helena mal se conseguia mexer. Exausta com o esforço físico e emocional, procurou recompor-se. Sentou-se na cama onde o médico acolhia os pacientes e tentou perceber como podia voltar a vestir a camisa. Também Mário levou algum tempo a encaixar a realidade. Levantou as calças com o sexo ainda molhado e fixou o olhar na mulher a quem ele tinha acabado de dar um prazer imenso mas arriscado. Helena tinha a face ruborizada e ainda estava a ajeitar as cuequinhas quando o seu fervoroso amante se sentou calmamente ao seu lado...
Anabela parecia a mulher mais feliz do mundo. Tinha aquela sensação de que as suas energias se convergiram no seu sexo para depois explodirem por todo o seu corpo numa plena vitalidade. Para a convidada do inquilino do 1º esquerdo, os pequenos problemas da sua vida podiam aguardar. Rodrigo, o homem que a lambeu sem pudor, ergue-se e fez-lhe uma leve caricia nos seus seios frenéticos. Ele encostou-se ao muro da varanda, deixando a cabeça da mulher encostar-se à sua perna. Por uns segundos, Anabela abriu os olhos e inspirou fundo...
- Ele tem uma amante... - confessou Anabela.
- Vou deixá-la... - soltou Mário.
- Acho que até deve ter várias... - disse Anabela.
- Não suporto a ideia de que ela me possa enganar... - desabafou Mário.
- Não sentes o mesmo? - perguntou Anabela.
- Nunca achaste que ele também te enganava? - questionou Mário.
Tanto Helena como Rodrigo ouviram as confissões dos seus amantes com um nó na garganta. As incertezas que tanto Mário como Anabela detinham, foram e iriam continuar a ser os seus maiores tormentos. O casal que os inquilinos infiéis do Edifício Magnólia procuraram para satisfazer os seus caprichos fantasiosos eram o espelho do que eles sentiam. E no momento em que procuravam formular uma resposta, Helena e Rodrigo sentiam-se como o espelho de Anabela e Mário. Também eles desconfiavam da infidelidade do parceiro. Também eles eram culpados. Também eles pensaram terminar tudo, sem sequer meditar sobre o que havia a perder. Depois de alguns momentos de silêncio, Helena puxou a saia para baixo, recompondo-se dentro do que era possível. No instante em que ele recolheu a roupa da sua amante, Rodrigo aproximou-se dela.
- A vida continua... Todos nós queremos ter amantes... Tu não és mais perfeita do que o teu marido... - respondeu Rodrigo.
- Tu não vais querer perder aquilo que tens...Agora apetece-te deixá-la, mostrar-lhe que ela é uma cabra e que nunca te amou... - respondeu Helena.
- Nunca vais deixar de cobiçar outros homens...e vais sempre pensar que ele come outras mulheres... - continuou Rodrigo.
- Amanhã vais perceber que a única mulher que te pode amar é aquela que no silêncio te pode perdoar...esquecer...ignorar... - continuou Helena.
- Somos todos iguais... - concluiu Rodrigo.
- Não somos melhores do que eles... - concluiu Helena.
No pecado de querer algo mais do que se conquistou, eles fecham os olhos ao que fazem, julgando que cometem adultério para justificar o que outrem também faz. Mas tudo isto é um ciclo vicioso e eles só procuram uma desculpa. Anabela e Mário apenas têm uma vida demasiado igual a eles próprios e jamais seriam um espelho perfeito para se olharem e redimirem. Ainda assim, o desejo ultrapassa qualquer culpa. Helena sai do consultório com o pescoço húmido, a face ruborizada e a blusa com botões mal presos. Cumprimenta a assistente desconfiada e cúmplice e termina a sua consulta com um sorriso na face. Rodrigo despede-se da amante com um beijo quente nos lábios fervorosos femininos. A sua boca irá manter aquele sabor cremoso até ao final da tarde, minutos antes da sua adorada esposa chegar a casa.
Franz acordou do encantamento e subiu até à casa do Dr. Coppelius. Encontrou a sua noiva na varanda, sozinha. Ambos perceberam que uma boneca, irá ser sempre fruto de uma imaginação. O que os olhos não vêem, perdoam, esquecem. Assim, Swanilda aceita receber o seu noivo nos seus braços. E apesar de Franz e Swanilda alcançarem o auge do amor que ainda os une, a magia de terem experimentado uma outra alma encantada atravessou para sempre as suas vidas.

quinta-feira

A Casa da Cascata

Publicado a 11-11-2008
Há sitios que nos fazem sentir bem. Há espaços que tornam a vivência mais inspiradora. Há recantos construídos com um espírito inovador, feitos a pensar na comodidade, mas acima de tudo, desenhados para serem únicos e especiais. A Casa da Cascata é uma obra do arquitecto americano, Frank Lloyd Wright. Foi construída em 1936, nos Estados Unidos da América, com o intuito de servir de casa de férias de um homem de negócios, mas dado o seu carácter revolucionário foi transformado em museu. O que a demarcava de todas as outras obras arquitectónicas era a sua envolvência com o meio florestal e possuir uma queda d'água que corria por debaixo da casa. O aspecto estético hoje pode ser considerado vulgar, mas na época foi uma quebra com as correntes arquitectónicas existentes. The Fallingwater House é um lugar que respira tranquilidade, imponência e uma peculiar sensualidade.
A casa do jacuzzi no Edifício Magnólia tornou-se parte essencial da vida deste empreendimento. Criou um espaço de lazer consignado a todos os moradores. Permitiu proporcionar momentos relaxantes a cada um dos utilizadores. Trouxe novas experiências aos já ousados inquilinos, especialmente para aqueles que nunca imaginavam uma piscina interior e todo o equipamento envolvente, como um local de fantasias excêntricas. Quando a administradora do condomínio propôs a construção de um jacuzzi no topo do Edifício, os inquilinos consideravam-na louca. Agora, eles assumem a loucura de querer gozar naquele espaço, quantas vezes a imaginação lhes permitir.
Rafael delira com a casa do jacuzzi. Vive-a quantas vezes puder. Sonha das formas que for possível. Reserva o seu lugar quase todas as semanas. Seja para um prolongado banho no chuveiro retemperador. Seja para um mergulho sublime na água borbulhante do tanque. Seja para trazer companhia que possa entender a surrealidade que ali dentro se pode viver. Ao final da tarde, a luz ainda entra pela janela diagonal. Ele ainda está vestido com a indumentária profissional. Chegou há dez minutos do clube de equitação e entra com a ansiedade a brotar da sua pele. Ao seu lado vem Carolina. A jovem amante do inquilino do 3º esquerdo quis conhecer a outra face do Edifício. A irmã da outra jovem amante de Rafael quer voltar a entregar-se aos caprichos escaldantes do homem. E tudo decorre como ela pretende. A sós com ele, Carolina percepciona que o lugar espalha a mesma magia sensual que a fez seduzir por Rafael, no Espaço Magnólia. A piscina é apelativa, o chão é tépido e a tranquilidade reina de uma forma surreal.
- É para aqui que queres trazer a minha irmã? - atira Carolina.
- Como é que?!!...
- Somos unha e carne...Sempre o fomos...
- Então porque é que estás aqui sozinha?...
A pertinência da questão desarma a mulher. Carolina, a faceta mais madura das duas irmãs percebe que Rafael não tem rodeios. Ela está ali e a irmã não. Ela quer o homem e não consegue sequer criar um jogo persuasivo. Ele tira a camisola suada e chega-se junto a ela. As mãos femininas colam-se à pele húmida do amante. Um sorriso transparece o desejo consumado dela em deter o homem, antes mesmo da sua irmã chegar. Rafael é impulsivo. Rafael é inusitadamente atrevido. Não há nada a enganar. Carolina teve ciúmes por ele ter combinado um encontro no jacuzzi com Alexandra. Carolina queria confrontar o amante com a curiosidade. A resposta dele, quanto ao facto de a querer comer, estava na forma como ele abre violentamente a blusa da mulher jovem. Ela solta um suspiro. Ele sorri ao ver Carolina com o soutien branco e com o peito erguido. Envolve as mãos na cintura dela e cola os lábios no cimo do vale dos seios. Carolina salta para o colo do homem aguerrido.
- Fode-me...Ohhh, fode-me, Neves!...
Ele transporta-a até ao chuveiro peculiar da casa do jacuzzi. Deixa a porta de vidro entreaberta e encosta-a na cadeira longa de madeira. Puxa as calças de ganga dela com ímpeto, deixando a mulher jovem com o soutien e as cuecas. Apesar de ter as ancas largas, ela exalta uma figura excitante e apelativa. Rafael abre a torneira de água quente, que molha imediatamente todo o corpo de Carolina, ainda com a lingerie vestida. Ela solta um gemido, sentido que a água desperta toda a sua libido. Demasiado depressa. Ele está sentado na cadeira e acaricia as nádegas da mulher. Os dedos dele parecem penas a escorregar junto às virilhas femininas. Os lábios dele passeiam no ventre dela, junto ao elástico das cuecas.
- Era a minha irmã que devia estar aqui, não era?...Uhm??!!
A dúvida de Carolina mantém a pertinência dos curtos rasgos dialogais. Enquanto Rafael beijava as cuecas, junto ao sexo dela, a mulher provocava o seu amante. Na verdade, ele passou a tarde inteira a imaginar a forma como iria receber Alexandra. Com dois dedos, Rafael puxa as cuecas para o lado.
- Ohhh!!...Era ela...Era ela que querias foder aqui...
- Sim...era!...
Ele entra no jogo e quando descobre os lábios vaginais de Carolina, lança o que a sua imaginação processa. Passa levemente a língua pela fenda erógena da mulher jovem e ergue o olhar.
- Ias meter-lhe os dedos?...Assim?!...
- Não!...
- Então?!...Uhm?!!...
- Ia encostá-la aqui...Exactamente como estás agora...
- E depois?!....
- Desviava as cuecas dela e enfiava-lhe...
- O dedo?
- Não!...
- Cabrão!!
Enquanto dois dedos de Rafael escorregam por entre os lábios vaginais molhados, Carolina delicia-se com a água que lhe escorre pelos cabelos, pelos ombros, pelas costas, pelos seios ainda cobertos pelo soutien. Ele masturba-a, mas não deixa de atentar no que a amante poderá estar a imaginar sobre a sua irmã.
- Não a tocavas?!...
- Eu sei que ela ansiava para que eu a penetrasse...Para que eu a fodesse assim de pé...
- Estás a mentir!... A minha irmã gosta de ser tocada..ohhh...assim como o estás a fazer...
- Ela já não precisa...
- Porquê?!...Ohhh!!
- Ela já se tocou... Enquanto estava ao telefone comigo...
- Aaahhh!!...
Rafael volta a escorregar a lingua pelos lábios vaginais inchados de Carolina, roçando brevemente pelo clitóris. Apalpava com a mão direita as nádegas redondas dela, ao mesmo tempo que a mulher colocava a perna esquerda sobre o ombro dele. O duche era mesmo relaxante. Parecia que ela era lambida por debaixo de uma cascata surreal.
- Vou fodê-la... Vou penetrá-la profundamente até sentir que ela treme toda...
- E depois?!...Ohhh... E depois??...O que lhe fazes, Neves?!!!
- Vou agarrar-lhe os seios e prolongar aquela tesão toda. Vou encher-lhe a rata e não saio...
- Ohhh....mais...mais!!!
- Ela vai sentir-se cheia...vai querer que eu me venha...
Nos intervalos em que Carolina geme, Rafael coloca a boca na rata da mulher. Puxa o clitóris dela apenas com os lábios e suga toda a excitação da mulher. Ele sente-la frenética. Sente que ela está a vibrar em toda a pele, em cada pedaço do seu corpo. As mãos dela seguram o cabelo dele pela nuca. Empurram a cabeça do homem para dentro de si. E quando a língua invade a doce profundeza de Carolina, ela solta um gemido forte.
- Ohhhh!...Cabrão!...Vais comê-la por trás?
- Uhmmm...Sim!...Vou virar o corpo dela, passar os meus dedos por entre as pernas....uhmmm... e sim...Vou enchê-la por trás...
- Aaahhh...oohhh...és louco!...Ohh...És louco!
- Sim...e eu vou fodê-la até ela gritar! Vou encher as minhas mãos com as mamas...
- Cala-te!...Ohhh...Cala-te e come-me...Come a minha rata, por favor!!
Rafael está excitado com a cena. O corpo encharcado e húmido de Carolina. A posição que ela ostenta. A entrega que ela se predispõe ao ter a rata mesmo diante da boca do amante. Quando a mulher alcança o auge da sua excitação, ele enterra a boca ainda com mais intensidade. A tensão na perna de Carolina é evidente. Ela está a vir-se. E não sabe se é a forma como a língua dele invade a sua vagina, se são os dentes dele que seguram o clítoris inchado, se é a imaginação dela que a transporta para um estado de demência excitante. Imaginar a irmã a ser penetrada e tocada naquela cadeira inovadora, deixa Carolina fora de si. Mais do que ciúmes, mais do que a ideia de que tal poderá mesmo vir a acontecer. A irmã de Alexandra adorava estar presente para ver a cena. Talvez a excite mais do que aquela masturbação fenomenal.
Rafael entrega-lhe uma toalha. Ela tomou um duche peculiar. Com alguma vergonha, ela retira as cuecas. O clima intenso já serenou. Ele estava de pé e tirava também as calças, imensamente encharcadas. Olhava para a sua amante, que se despe totalmente, ao tirar o soutien. As mamas molhadas dela transpiram sensualidade. Mas tudo parecia aligeirar.
- Desculpa!...Não posso mesmo faltar...
- Se tens que ir...
- Tenho...E acredita que adoraria ficar aqui...
Carolina acaba de se limpar com a toalha e vai buscar as suas roupas. A caminhar nua pela casa do jacuzzi, ela sabe que a irmã pode surgir a qualquer momento. Afinal, a mulher jovem está definitivamente com pressa. Mais do que uma rapidinha. Carolina trouxe Rafael para um devaneio emergente. E a masturbação que ele lhe ofereceu foi uma ofertada minada. Ela volta a aproximar-se dele e arranca-lhe um beijo. Ele olha para ela, sabendo que raramente teve tanta excitação com um minete. A sua efémera amante volta a sair do seu espaço, encantada com a magia do jacuzzi.
-//-
O homem mantém os boxers. Ainda não teve a astúcia de os retirar. Aguarda pelo melhor instante para o fazer. Está sentado no pequeno degrau da piscina redonda. A água borbulha no seu peito. O ar está imensamente húmido, tornado a respiração um processo mais rígido. Sobre as suas coxas, Rafael tem a jovem mulher sentada ao seu colo. Alexandra chegou sete minutos depois da irmã ter abandonado o topo do Edifício Magnólia. Os braços da irmã mais nova de Carolina apoiam-se nos ombros do inquilino. Os cabelos de Alexandra ainda estão secos, apesar de carregarem o vapor do ambiente. Ela está nua, tendo espalhadas no chão as suas roupas. A jovem amante do professor de equitação está impaciente. Aguarda pelo momento em que ele lhe possa entregar o prazer que está implícito na sua face. Eles trocam o olhar, parecendo comunicar desejo entre ambos. As mãos de Rafael, que seguram as costas macias dela, deixam o corpo dela pender para trás. Os enormes seios de Alexandra apresentam-se viçosos e entesados, perante a atenção do homem. Ela deixa que o cabelo mergulhe na água. Jamais ela poderia imaginar um lugar tão intenso, como o jacuzzi onde Rafael a trouxe. Ele descreveu-o ao telemóvel, duas horas antes. Disse-lhe que era possível concretizar as fantasias sexuais que só residem nos sonhos que ocorrem em ilhas paradisíacas. Os dedos de Alexandra cruzam-se por trás do pescoço do homem, suportando peso do seu corpo que quase flutua na linha de água borbulhante. O sexo do homem roça por entre a sua rata, mas ainda cobertos pelo pedaço de tecido. Ele não consegue descrever para si mesmo o calor que brota daquela vagina. Ela olha para a janela surreal e apercebe-se do cair da noite. Inspira fundo e cerra os olhos.
- Fodeste-la mesmo?...
É inevitável. Carolina era incapaz de suportar estar cinco minutos sem contar à sua irmã a aventura que teve com Rafael. Mas era também incapaz de lhe contar tudo o que ocorreu dentro daquele espaço. É esse desconhecimento que faz palpitar o íntimo de Alexandra.
- Diz-me...Fodeste-la aqui?...
- Sim...
- Aqui?!!
- Sim...Comi a tua irmã dentro desta piscina....
- Como?
- ... Como?!!....
Alexandra ergue de novo o corpo dela. Coloca o peito saliente e palpitante junto à cara de Rafael. Acaricia levemente os cabelos do homem, mas não deixa de transparecer um ar apreensivo. A curiosidade devora o seu estado. A mão do professor escorrega por debaixo da água nas coxas fofas da jovem. Vazia de roupa por entre as pernas, Alexandra sente os dedos do amante a roçarem nos seus lábios vaginais.
- Ela pediu-me...
- Pediu o quê?
- Estava demasiado entesado para não o querer...
- Pediu o quê, Neves?!...
A ansiedade acumula-se no peito de Alexandra. A mão esquerda de Rafael apalpa o seio dela, esfregando o bico entesado na palma da mão. A mão direita já se apoderou do sexo feminino. E o leve gemido dela estava no intervalo entre a surpresa da acção que possa ter decorrido com o amante e a irmã, e a introdução do polegar masculino dentro da sua rata inchada. E assim que o dedo escorregou profundamente na vagina, ele olhou a jovem com um toque de malícia.
- A boca dela sugou-a...Uhmmm...Tinha assim os lábios como os teus...
- A minha irmã pediu para te chupar?!!!...
- Sim....
- E ela fê-lo?!
- Sim...
- Aqui?!!...
- No preciso sítio onde estou sentado...
- Não pode ser....
- Durou alguns segundos. Mas ela aguenta muito bem com a cabeça debaixo de água....
- Gostaste?!...Uhmmm?!!...
- Ser chupado debaixo de água?...Delirei...
E agora Alexandra era possuída por uma fantasia emergente. Uma ideia chocante, na medida em que parece ter sido estonteante, ver Carolina chupar aquele homem, em lugar tão inusitado. Mas Rafael estava a ser trapaceiro. Nada daquilo tinha acontecido. Mas enquanto o polegar fazia curtas viagens dentro da rata de Alexandra, ele não deixava de pensar que poderia ter sido poderoso receber sexo oral da mulher jovem. Talvez tão bom como sentir os lábios carnudos de Alexandra a abocanharem a sua picha. Todavia, neste instante, Rafael está entretido com a rata daquela irmã. E ele sente que pode continuar assim até anoitecer por completo. Penetra várias vezes por entre os lábios grandes e estimula o sexo de Alexandra.
- Ohhh...isso sabe bem, Neves....Uhmmm....Não pares!...
- Ela também não queria que eu parasse.
- Quando?!! Também a masturbavas?
- Não...
- Não?!...Uhmmm...oohhh...não lhe meteste os dedos??
- Só quando a penetrei...
- Fodeste-a mesmo!...Ohhh....
- Claro que sim....Achas que conseguia resistir àquele rabo?
- Vocês são mesmo...ooohhh...Podiam ter esperado por mim....
- Sim...podiamos...Mas eu queria enchê-la...
Alexandra procura ter uma ideia concisa do que pode ter acontecido naquela piscina. Mas não importa o que ela possa imaginar, nunca irá passar disso. Uma intensa e pródiga imaginação. Mas dentro daquele jacuzzi climatizado, só Rafael sabe o que verdadeiramente aconteceu. No entanto, a ideia de ter Alexandra na sua mão, entesada e devota ao seu desejo, fê-lo prosseguir a inofensiva mentira. Retirou o polegar de dentro da rata dela e introduziu dois dedos.
- Encostei-a aqui ao muro. Ela quase que se deitou....Consegues imaginar?....
- Sim!!....uhmmm...Sim...Não pares...
- Segurei o rabo dela e acaricei-o...A tua irmã tem um....
- Eu sei!...Uhhmmm...Eu sei..ooohhh...está a saber tão bem!!....
- Foi tão fácil enchê-la....Se tu visses...Escorregava...
Rafael apercebe-se que é mais fácil pôr qualquer uma das irmãs fora de si, se colocar a presença da peculiar cara metade, no meio da cena. Ele deixa o polegar esticado enquanto Alexandra cavalga sobre o colo do amante. O inquilino não conseguia deixar de sorrir, ao mesmo tempo que os seus dedos faziam palpitar a rata da jovem. Ela cerrava os olhos e imaginava a irmã a ser comida naquela piscina.
- Ela gemia...Ela gritava...Ela chamava-me nomes...
- Ohhhh...
- Eu sentia-me apertado e empurrava o corpo dela contra a parede...
- Neves!...Ohhh...Tão bom!!....
- Estava tão excitado...O rabo dela apertava-me...E houve uma altura em que não consegui parar...
- Vieste-te nela?!...Ah?!...Vieste-te nela?
- Vim-me em cima do rabo dela...
- Ohhhh!...Neves...Uhm...Neves!!... Ahhh!!
Ela descontrola-se. Não pára de cavalgar e abraça-se ao homem. Os seios grandes de Alexandra apertam no pescoço do professor enquanto ela se vem com a masturbação profunda e intensa dele. O polegar roça no clítoris redondo e duro da jovem. Na mente de Alexandra está a ideia da pele suave da irmã a ser salpicada com o sémen do amante que ela partilha. Ao invés, Rafael sente o suco vaginal da convidada a misturar-se com a água da piscina. As paredes do sexo feminino palpitam contra os dedos dele e quanto mais ela salta, mais a bolinha entesada de Alexandra roça no dedo de Rafael e mais a excitação a arrebata. Ela tenta apertar as nádegas, tenta apertar-se contra o corpo dele, tenta suportar a tesão que invade o sexo. Na humidade que se apodera da casa do jacuzzi, a carga sexual era frenética. Rafael acaba de masturbar a duas irmãs num espaço reduzido de tempo. Ele nem sequer quer tentar comparar com a primeira noite com as duas mulheres. Possuí-las e fazê-las vir-se em tempos diferentes tornou-se épico. Acordar as fantasias mais profundas, mas ainda assim mais familiares das irmãs revela-se grandioso. E ainda que tudo não passe de duas grandes mentira, é inegável que os três amantes envolveram-se como se estivessem juntos. Alexandra quase viu a irmã se penetrada analmente, numa posição excitante. Carolina tem quase a plena ideia de que a jovem irmã foi penetrada duas vezes na mesma cadeira onde ela se veio. E no fundo, Rafael sentiu que podia mesmo ter possuído as duas mulheres. A seu tempo, as duas irmãs vão confrontar a ténue linha entre realidade e fantasia. Mesmo que não tivesse usado o seu pénis excitado e imponente, Rafael tem a certeza que dificilmente poderia ter levado aquele fim de tarde para uma experiência tão intensa e prazeirenta.

quarta-feira

Nua

Publicado a 21-10-2008
Há uma fotografia que guarda o intimo feminino numa concha, explorando toda a sensualidade de uma mulher na sua essência. Não se exibem seios, não se demonstra o sexo e as nádegas apenas e só são sugeridas. A nudez desta fotografia está exposta na melancolia da postura, no obscuro dos sentimentos e na necessidade de carinho que o modelo transmite. Nude, de 1936, é uma obra artística de Edward Weston, fotógrafo americano. Pinta numa imagem concreta o invólucro feminino. Molda um objecto sensual numa harmonia gestual, carregado de emoções, segredos e palpitações. Faz imaginar uma dança estática, ansiosa e definida. Há uma fotografia, com uma sombra indesejada, que retrata a emoção feminina num único sentimento.
O Espaço Magnólia mistura o corrupio habitual de clientes stressados de um final de tarde com a serenidade do ambiente próprio do estabelecimento, pormenor que o torna num lugar surreal. É possível relaxar num sofá enquanto funcionários públicos pedem uma sandes mista. Há vagar para ouvir as músicas entoadas na jukebox, ao mesmo tempo que o gestor empresarial bebe o décimo café do dia. Existe tempo para sonhar por entre um batido e uma tosta de queijo, mesmo sabendo que um grupo de jovens fala num tom de voz muito alto. Aqui dentro ainda é assim. A rotina diária pode esperar entre um café e um pedaço de sonho, inscrito nas mesas surreais do Espaço. Lúcia procura o melhor de dois estados de espírito no estabelecimento por debaixo do apartamento onde reside. Para estudar, ela precisa de tranquilidade e abstracção do mundo real. Mas para conseguir absorver o objecto de estudo e consumir as suas potencialidades, a jovem aceita rodear-se dos melhores colegas de turma no seu curso. Lúcia está sentada numa mesa, num dos cantos do Espaço Magnólia. Bebe o enorme batido de morango que lhe arrefece a garganta frenética. Divulga as conclusões da leitura e interpretação de mais uma obra psicanalista às colegas que se sentam na mesma mesa que ela. Três jovens que partilham os conhecimentos com uma das melhores alunas da turma. E desta forma, é possível beber o ambiente do Espaço, relaxando a mente, ao mesmo tempo que se corre em contra-relógio para a assimilação de uma matéria que exige concentração. O ritmo intenso do curso assim o dita. Desde o inicio da tarde que as quatro mulheres debatem os vários pontos de estudo. As amigas de Lúcia já incorporaram a mítica envolvência do café sitiado no Edifício Magnólia. Clientes entraram. Clientes saíram. Pessoas com pressa. Pessoas com tempo. Pedidos rápidos. Pedidos exigentes. Mulheres que trocam segredos. Homens que lêem o jornal. Mas ninguém se mantém tanto tempo dentro deste lugar como as quatro jovens. O cansaço abate-se naturalmente de uma forma progressiva. Há intervalos cada vez maiores. Há conversas que se estendem um pouco mais. Não foi marcada uma hora de conclusão do estudo, mas é notório que a vontade já cessou. Lúcia procura sustentar as poucas forças que lhe restam. Termina a última linha da vigésima segunda folha de apontamentos escrita. Devoção não lhe falta e o seu olhar está embutido entre o caderno, os dois livros que enchem a mesa e um breve dispersar discreto.
- Lúcia...ainda não paraste de escrever... - diz uma das colegas.
- Estou só a acabar este capítulo. - responde Lúcia.
- Já é a quinta vez que nos dizes isso...
- Quero acabar isto e sair daqui, tanto quanto vocês...
- Estou farta de olhar para este livro e....
- Já repararam na mulher que está ali? - notou a colega de Lúcia do seu lado esquerdo.
- Quem?!
- Shiuu...Não dêem nas vistas... Ali...Junto à jukebox...Há uns bons vinte minutos que está a olhar para este lado.
- O que tem? - pergunta Lúcia.
- ....O que tem?!!... Não gosto que fiquem a olhar assim para mim... Ainda por cima com uma máquina fotográfica...
Uns metros à frente, junto à máquina de música do Espaço, está sentada uma mulher. Sozinha. Sinistra. Lúcia já tinha reparado nela. O olhar disperso da jovem apercebeu-se de uma atenção que estava efectivamente a ser direccionado para a sua mesa. A mulher respira um ar inquietante. Na casa dos trinta anos, mas ainda jovem. Cabelo curto preto, lábios finos pintados num vermelho aguerrido mas ainda assim discreto, e uns olhos escuros penetrantes. Sim. Lúcia já tinha denotado a presença peculiar que mantinha a atenção entre a sua mesa e a máquina fotográfica profissional que segura nas mãos. Parece ajustar as definições da lente ou algo parecido. Parece visualizar as imagens já conseguidas, fazendo uma selecção pessoal. E depois, volta a erguer o olhar.
- Achas que ela está a olhar para alguma de nós? - pergunta uma das colegas de Lúcia.
- Porque raio haveria de estar?! - questiona outra.
- Provavelmente está a olhar para a rua... - atira Lúcia.
Na mesa encostada aos vidros da fachada, as jovens procuram ser discretas. Mas já é demasiado evidente que elas percepcionaram o olhar indiscreto. E quando Lúcia pretendia voltar à sua concentração, o seu olhar encontra-se com os olhos da mulher. Alucinante. Como uma força demolidora que a arrastou, a jovem congela a sua postura. A mão direita pousa sobre o caderno e tal como tantas vezes no Espaço Magnólia, a surrealidade invade a sua envolvência. Deixa de existir o estabelecimento. As suas colegas parecem não estar ali. Nem sequer a mesa sobra, no mergulho que a sua mente efectuou. O olhar da mulher agarrou-a. Lúcia nunca a viu. Nem sequer consegue ter uma ideia de quem possa ser ou o que queira. Mas no fervilhante movimento do café, a mulher prende a sua atenção. Ela tem um ar casual, muito descontraído. Veste uma blusa de algodão fina, com dois botões abertos, salientado ligeiramente o peito. As mangas estão dobradas quase até ao cotovelo. Nela, resiste uma ideia muito ténue de feminidade. O olhar entre elas não se cruza. Choca. Consome a respiração de ambas. E na intimidade desse olhar é captada mutuamente uma chama que já se desejou numa altura indecifrável.
- Ela está a olhar para a Lúcia... - refere uma das jovens.
- Muito esquisito...
- Achas que ela é lésbica?
- É lésbica.
Os comentários das amigas de Lúcia são apenas vozes soltas na mente da jovem. Ela já não está ali. Até mesmo a música que se solta da jukebox se desfaz na concentração imensa no olhar da mulher estranha. Quente, misterioso, viciante. O sorriso da mulher começa a abrir-se ligeiramente. E num gesto muito sereno e descomprometido, a mulher levanta a enorme máquina fotográfica, coloca-a junto à face e aponta-a na direcção da mesa das jovens. Na mente de Lúcia, mais rápido que a surpresa do gesto, mais inconsciente que a interpretação do acto, entra o som trovejante do disparo da máquina. E ela sente-se retratada. A mulher baixa a máquina e liberta o seu melhor sorriso. O ar incrédulo das colegas de Lúcia não pode ser maior. Ainda assim, ela mantém-se calma no exterior. Finge que não deu relevância à acção e volta a cingir o olhar no seu caderno. Mas tudo aquilo já aconteceu. Uma mulher sensual, de aparência arrapazada e com um olhar magnético, acaba de a fotografar e retirar parte da sua essência para dentro de uma máquina.
- Lúcia!...
- O que foi?!- responde Lúcia veemente.
- O que vais fazer?
- Tenho que fazer alguma coisa?!...
- A mulher está-se a atirar a ti...
Por entre risos trocistas, olhares dispersos e confusos, misturado na confusão do Espaço, Lúcia não sabe o que fazer. Alguém teve a ousadia de lhe tirar uma fotografia no meio de um lugar público, sem a prévia autorização. É proibido, certamente, pensa ela. Mas excitante. E antes que ela pudesse pensar. Antes que ela decidisse se iria levantar-se e repreender a mulher ou ficar calada. Antes que ela conseguisse deduzir o que deveria fazer, a mulher misteriosa levanta-se. Pega numa enorme mala onde devia guardar o material fotográfico e afasta-se da mesa onde tomou o café. O coração de Lúcia pula. O entusiasmo das suas colegas aumenta. E a mulher aproxima-se, no seu caminhar conciso, da mesa das quatro jovens. Há um ambiente apreensivo naquele canto do Espaço. Lúcia fecha o caderno e ergue o olhar assim que percebe que a mulher se encosta a si e a fixa. Um breve silêncio antecede a curiosidade da jovem.
- Porque é que me fotografaste?
- Para te dizer que me fixei a ti.
- E precisas de tirar fotografias para o dizer?
- Costumo falar pelas imagens que capto.
- ...E o que dizem as tuas imagens?
- Se as conseguisse descarregar, dizia-te...
A surrealidade do Espaço Magnólia atinge o seu auge. O olhar troca-se de novo em silêncio. O magnetismo entre ambas é embriagante. Há um feitiço que paira no ar que se respira. E Lúcia sabe que só quem entende este clima se deixa fascinar por ele. A mulher teve uma atitude indiscreta, algo intimidante. A jovem entendeu-a de uma forma completamente distinta das suas colegas. Absorvida no encanto misterioso da mulher, ela entrega-se.
- ...Eu moro aqui em cima e...
- Preciso de um computador...
- E do que precisas mais?
- Preciso de ti...
As amigas de Lúcia não conseguem abrir a boca. É tudo demasiado insólito. Lúcia levanta-se da cadeira, segura nos cadernos e dirige o olhar para as colegas de turma. Elas têm dificuldade em entender o que ali ocorre, mas percebem que Lúcia está prestes a sair do Espaço, na companhia daquela mulher.

O quarto de Lúcia respira o ambiente normal de uma jovem universitária. Sozinha, aprumada e responsável, a divisão está pronta a receber as vivências da jovem. A luz do dia já custa a entrar por entre a janela com os cortinados corridos. Esbate na parede uns tons de cinzento e realça as sombras que se movem no quarto. Lúcia está de pé, nua. Não esconde o seu corpo, mesmo por entre a ténue iluminação. A sua postura está a um palmo da presença da mulher fotógrafa. Também ela de pé. Também ela nua. Frente a frente, os dois corpos deixaram para trás as roupas que as separavam. A palma da mão direita da mulher cola-se à face redonda e suave de Lúcia. Os olhares continuam a chocar, mas desta vez misturam-se um no outro. No silêncio da ansiedade, a jovem aguarda. Ela quer saber se o feitiço do Espaço não se desvaneceu.
- Sou a Luísa.
- ...Lúcia...
E os lábios ainda vermelhos da mulher colam à boca carnuda de Lúcia, sedenta de um beijo maduro. Uma das mãos da jovem envolve as costas brancas de Luísa. A outra acaricia os cabelos curtos na nuca da mulher. Os peitos esbatem-se mutuamente, os ventres roçam e a perna de Luísa embrulha-se na coxa da nova amante. O mistério continua vivo na presença da mulher. Lúcia pouco sabe sobre a pessoa que ela conheceu há pouco mais de quinze minutos, dois andares abaixo. Percepciona que ela é fotógrafa, talvez profissional. Deduz a sua idade, a partir dos contornos faciais, maduros mas ainda jovens. Desconfia da sua faceta lésbica, ainda que raramente tenha visto uma mulher galanteá-la da forma directa como ocorreu. De uma coisa Lúcia sabe. Ela deseja Luísa. Assume o deslumbramento pela face bonita da mulher. Aprofunda o conhecimento do corpo dela, nas suas formas ligeiras mas nos seios desenvolvidos, ligeiramente descaídos, no rabo firme que ela quer apertar, no pescoço que liberta um aroma apaixonante. Sim. Lúcia convence-se de que neste final de tarde, Luísa é a conquista que se segue, no quarto do 2º esquerdo.
- E as fotografias? - pergunta Lúcia.
- Queres ouvir-me ou queres sentir-me?
O convite é preciso. Não esconde nada, nem deixa rodeios intrometerem-se. O beijo prossegue numa troca de línguas, enquanto os lábios se acomodam um ao outro. Lúcia prova um sabor doce. Luísa come a macieza dos lábios fofos. As mãos das duas mulheres fabricam um abraço envolvente. É perceptível o encanto de Luísa perante o carinho intimista da jovem amante de cabelos compridos. A cama é já ali. Traz uma intimidade ainda mais assombrosa, na mistura do branco e do preto. Porque a pele de Luísa é branca. Imensamente branca. Porque a pele de Lúcia combina uma tez ligeiramente morena. E porque tanto os cabelos da jovem como da mulher se pintam de negro naturalmente. E o abraço que elas trocam em cima do colchão é a simbiose de uma sombra quente. Luísa enche as mãos com os seios volumosos da estudante. Sente as mãos dela apalparem-lhe o rabo, em caricias excitantes. Ao mesmo tempo, deixa que a boca carnuda de Lúcia invada o seu pescoço fino. Muito magro, mas com a pele hidratada. A inquilina delicia-se com a macieza e o sabor que retira da amante. A excitação dela aumenta, à medida que chupa com veemência os ombros da mulher. E quanto mais ela pensa que quer saber sobre Luísa, maior é o desejo em consumir o corpo dela. Um ligeiro empurrão faz deitar o corpo da fotógrafa. Suavemente, com tranquilidade. Ela estende-se na cama da anfitriã e sorri para ela. Lúcia embriaga-se com o sorriso da mulher. Fino, ligeiro, mas figurativo. Os traços da face de Luísa são definidos. As pestanas negras dela salientam o movimento dos olhos e toda a tenção que a mulher entrega à jovem.
- És linda, Luísa...
- Hoje sou tua...
As mãos da estudante lésbica agraciam as coxas de Luísa com carícias extenuantes. A mulher sente a palma das mãos a deslizar até tocarem nas suas virilhas. As suas pernas dilatam ao mesmo tempo que os cotovelos fincam no colchão, deixando o seu tronco levantado. Lúcia deixa cair o corpo sobre a postura da nova amiga. As mamas da jovem caem sobre a barriga de Luísa e os bicos deslizam na pele dela. A mulher liberta os primeiros gemidos intensos. O corpo dela quer libertar-se. Algo nela afirma a necessidade de encontrar algo diferente. E os seus seios descaídos, voláteis, sensuais, descobrem a paixão dos lábios femininos, sedentos de chupar os bicos entesados. Desde que encontrou pela primeira vez a presença da fotógrafa no Espaço, Lúcia apercebeu-se da firmeza dos mamilos da estranha mulher. Salientes, bicudos e sugestivos. Agora que se depara com as mamas descobertas, ela realiza a peculiaridade do peito de Luísa. Auréolas muito grandes e os bicos saídos. Parecem pequenos caroços de cereja. E colocá-los entre os dentes torna-se sublime. Luísa solta um gemido arrebatador. A mão esquerda dela procura acariciar os cabelos longos de Lúcia. O baton na boca da mulher vai desaparecendo e ela trinca o lábio inferior. A anfitriã percepciona a ingenuidade sexual da amante, bem como a confrontação com algo especial. Entusiasmada pela voz de Luísa, a jovem beija o vale húmido da mulher, acariciando os seios com a mão cerrada. Depois, aventura-se pela barriga da mulher. Um abdómen mole, muito sensível e rugoso, destoando do resto da derme corporal. Mais alguns beijos e Lúcia conquista o ventre de Luísa. Mais um gemido seco e a mulher deixa cair a cabeça para trás. Abre um pouco mais as pernas e sente os lábios cremosos de Lúcia tocarem por entre os lábios vaginais. A jovem toma conta de todas as peculiaridades dos órgãos erógenos da convidada. O clítoris de Luísa é saliente. Com a excitação proporcionada, ele parece querer saltar por entre os lábios húmidos. A mão esquerda da mulher está agora a pressionar a nuca de Lúcia, incitando-a a comer-lhe a rata. A tarde vai dando lugar à noite e os jogos de sombra vão deixando de existir. Na imensidão da escuridão, uma mulher entrega-se aos desejos carnais de Lúcia. E ela, afectivamente fragilizada e psicologicamente frenética, devora o sexo de Luísa de uma forma impulsiva. Por entre a boca que chupa os lábios grandes e a língua que penetra dentro da vagina, o clítoris da fotógrafa está preso entre os dentes meigos da jovem. Os gemidos começam a dar lugar a gritos tremidos. Os olhos redondos de Luísa fecham-se e as pálpebras macias vibram de tanta tesão. As mãos de Lúcia seguram o fundo das costas da mulher, ao mesmo tempo que a puxam um pouco mais para cima. E quando a boca da estudante já está enterrada na rata da amante, Luísa ainda empurra a cabeça de Lúcia um pouco mais para dentro. O minete é intenso. Jamais a mulher experimentou sexo oral daquela forma e Lúcia consegue perceber no êxtase do seu trabalho. Luísa vê-se e sente-se completamente molhada dentro da boca da rapariga. O seu clítoris escorrega na ponta do nariz de Lúcia.
- Ohhh!!...Lúcia!...Lúcia...Ahhh!...És poderosa!!...Ohhh...estou-me a vir...oohhh!!
Lúcia sabe o que fazer. Sabe o que quer. Entende o que precisa. Age conforme o que crê ser a melhor forma de concluir aquele momento explosivo. Pára de lamber, descola a boca da rata de Luísa e ajoelha-se em cima da cama, deixando o corpo da amante por entre as suas pernas. Imediatamente ela coloca o seu ventre diante da face da mulher. Segura a nuca de Luísa, pelos cabelos curtos e puxa a cabeça dela contra o seu sexo. A fotógrafa experimenta agora o calor e a humidade da rata da jovem, entusiasmada pelo orgasmo que Luísa ainda solta. A mulher vai perdendo força nos braços e deixa-se cair na cama, mas não deixa de querer chupar o clítoris da amiga. O seu corpo estende-se na cama e as suas mãos apalpam as nádegas da estudante. Possuída, ela entrega o último pedaço sexual de si a Lúcia, que solta um gemido apaixonante. Na rata da jovem sobrevive o derradeiro suspiro de excitação da convidada.
Já é noite. Já não há jogos de sombras. Já existe uma luz artificial que acrescenta uma nova iluminação. Às imagens de Luísa, à curiosidade de Lúcia. Deitadas na cama, as duas amantes voltam a trocar olhares, misturados entre beijos meigos, na mistura entre os lábios finos e a boca carnuda. Lado a lado, elas experimentam conhecer-se. Olhar para o corpo que têm diante de si e percepcionarem depois da consolação o que realmente consumiram. Lúcia realiza que trouxe para casa uma mulher sensual, diferente e com um perfil tipicamente lésbico. Luísa encaixa a aventura em que se deixou levar. A atracção por uma jovem desconhecida que mantém discrição quanto à sua opção sexual, acabou por confirmar-se como uma fantasia concreta. Com os corpos de lado no colchão, tanto os seios de Lúcia como de Luísa esbatem, dando uma elegância sensual ao momento. Há tempo para ter tanto. Mas a curiosidade é o que ainda resta de tanto prazer.
- Eu nem sequer sei quem tu és! - diz Lúcia num tom baixo de voz, misturado com um sorriso.
- Sou a Luísa...
- Pois, isso já eu sei, mas...
- Sou fotógrafa...Repórter fotográfica.
- Isso também eu já percebi.
- O que queres então saber?
- Porquê eu?...
A pergunta torna-se demasiado subjectiva para responder. No Espaço, a atracção foi mútua. A acção inusitada de Luísa a nenhum momento foi recusada pela jovem. E se Lúcia aceitou a fotografia e a consequência dela, não havia justificação quanto ao motivo que fez a fotógrafa escolhê-la a ela. Afinal de contas, Lúcia é lésbica, nunca o pretendeu esconder e correspondeu ao olhar. A pergunta era assim difícil de responder com coerência. Luísa levanta-se da cama. O seu corpo nu vai de encontro à mala preta que pousou junto à porta do quarto.
- Importas-te que volte a fotografar-te?
- ...Não... Mas porquê?
- Já te disse...É assim que eu falo.
A mulher retira a máquina fotográfica e depois de voltar a fazer os seus ajustamentos, senta-se ao fundo da cama, colocando a perna direita dobrada sobre o colchão. Encosta o aparelho junto à face, cerra um olho e dispara. Baixa a máquina e olha para a sua amante.
- Queres saber se costumo engatar raparigas em cafés, é isso? - diz Luísa a rir-se.
- Não!...Foi tudo muito de repente e...
- Senti uma atracção muito forte por ti... Não sei como te explicar, mas foi assim que aconteceu. Estava há meia-hora a reparar em ti...a pensar que te queria fotografar...
Luísa volta a procurar o melhor ângulo e fotografa duas vezes. Lúcia ainda continua deitada na cama. O facto de estar a ser fotografada nua parece uma sensação incómoda, mas ela não impede a acção. Ao invés, olha em direcção à lente, procurando chegar à mulher.
- És lésbica?...
- Não...Quer dizer, acho que não.
- Primeira experiência?
- Segunda. A primeira foi com a minha madrinha, dois dias antes do casamento.
- És casada?!!
- Separada...Ele saiu de casa há três semanas. Casámo-nos há um ano e meio... As coisas não correm bem desde que tive o meu filho...
Mais um disparo. Lúcia está abismada. A mulher que está nua, dentro do seu quarto, é uma história em si. Ela em si torna-se uma fotografia complexa, com um compromisso anexado. Descomprometida, talvez. Lúcia repara nas mãos da amante e na verdade, não existe aliança. É dificil decifrar alguma marca no dedo anelar. Mas está tudo a parecer demasiado confuso na cabeça dela. A mulher é sensual. Tem uma beleza invulgar e uma personalidade misteriosa, por detrás daquelas sobrancelhas negras. Faz amor de uma forma intensa. E mesmo que não se considere lésbica, procura o corpo de uma mulher como se fosse uma. Parece madura e apresenta uma ocupação fascinante. Na verdade, as fotografias estão a deixá-la ansiosa e excitada. Luísa tem tudo para encantar a jovem estudante e ela realiza essa percepção. Seria perfeito. Mas Luísa tem um filho, um casamento a meio e sabe-se lá que outras histórias. Por outro lado, ninguém se comprometeu. É apenas um final de tarde estonteante. Ouve-se outro disparo e Lúcia volta a despertar.
- Estás a pensar no quê? - pergunta Luísa - Que sou uma devassa que vai para a cama com a primeira rapariga, tendo um filho em casa?
- Não, Luísa... Não é isso que estou a pensar.
- Estás a pensar que não te poderias apaixonar por uma mulher ainda casada?
- Uhm?!...Ah..não....ah!..Hum..
- Eu falo a partir da lente, mas também ouço com a lente.
A fotógrafa é perspicaz. A jovem não consegue responder. Porque neste momento, nem ela sabe o que há-de pensar. Teve um dos melhores momentos carnais que se recorda de ter experimentado, mas também um dos mais impulsivos. E ela não quer justificar o desejo de repetir tudo outra vez com o vazio emocional que sente dentro de si.
- Estou a ser aborrecida em fotografar-te?
- Não!... Estou a adorar, Luísa... A sério...Posso ver?
- Sim, claro...
- O computador está ligado. É só ligares o monitor e encontrares a porta para o cabo.
Rapidamente, Luísa conecta a sua máquina fotográfica ao computador da amante. Lúcia já está sentada na cama, curiosa para ver as imagens captadas pela mulher nua. Após o descarregamento, começa a correr uma apresentação de slides no ecrã do computador.
- Estas fotografias tirei-as antes de te conhecer. Sim, eu sei. Falta algum sentido artistico nelas. Quando rebenta uma conduta de água nesta cidade, eu estou lá...
- E essa?
- Desculpa, já te tinha fotografado antes... Não podia deixar de captar esse ar concentrado enquanto estudas. És linda quando o fazes, sabias?
Lúcia sorri, gostando do elogio. As imagens de Luísa parecem mesmo falar. Falam com ela. Antes de encontrar a presença de Luísa, a jovem demonstra um ar cansado, algo perdido, delicadamente triste. A fotógrafa passa a imagem, alcançando a fotografia que Lúcia autorizou.
- Se te pedisse para olhares para mim assim, talvez não o conseguisses fazer...
- Se soubesse que me ias fotografar, tinha posto um olhar diferente.
- Foi isto que eu quis... Foi isto que eu desejei.
- ...Obrigada... Essas a preto e branco também estão muito boas...
O corpo nu de Lúcia. A transparência das suas emoções. A maturidade dos seus gestos. A ferida que ainda sucumbe no peito escondido. O desejo que desperta no seu ventre meigo. Em sete fotografias, Luísa espelhou digitalmente aquilo que vê na amante. E Lúcia reconhece. De tal forma, que ela deixa de olhar para o monitor. O seu corpo despido é sensual. Mas torna-se doloroso identificar um espelho. E assim, a jovem agacha-se. Envolve os braços nas pernas dobradas e encosta a testa nos joelhos. Parece querer esconder o seu corpo. Luísa ouve um suspiro e procura entender a amante. Com a máquina ligada ao cabo, ela segura-a e escolhe os melhores ajustamentos. Preto e branco. Lente próxima. Relevo às sombras definidas. Clique. Disparo. Revelação. Num simples botão, Luísa repete o processo de descarregamento, mas desta vez para uma única fotografia. Aquela em que Lúcia - a sua amante - guarda em si uma melancolia apaixonante. Essa melancolia que a fotógrafa agarrou intemporalmente. Nesse tempo em que Lúcia se fixou. Ficou. Aceitou. Entregou. Nua.

terça-feira

O Beijo

Publicado a 16-10-2008
E o beijo ímplicito que poderia nunca chegar a existir. E o abraço que carrega uma frágil história. E toda a incidência da intima curiosidade humana. A transformação de um instante de vida em arte e o significado de um momento guardado na mente. O Beijo de Auguste Rodin é uma escultura que evoca a idílica história de Francesca de Rimini. A mulher nobre que se apaixona pelo irmão mais novo do seu marido. A entrega da amante nua, sentada no colo despido do cunhado, encoberta pela face dele que absorve a essência do rosto maduro dela, personifica o amor que perdura aos sentimentos de perda. Os seus lábios podem quase tocar-se, mas palpitam em si a mútua reminiscência do passado. Nesta estátua que congela um momento, a beleza pode parecer uma postura apaixonada e confiante, despida de receios, de preconceitos ou de pudores. Nesta escultura, é excitante deduzir como se moldou aquele momento e imaginar o que pode acontecer na pose sensual que apetece ver.
Maria José amanheceu na graciosidade matinal. Sabe-lhe bem sentir-se bem. O amante que ela aceitou amar, ama-a ao seu lado. Henrique ainda dorme na cama ainda fresca. A mão suave da mulher suaviza no peito despido dele. Levemente, como quem o quer acordar sem o acordar. A manhã acorda todas as rotinas da professora, ainda que ela já não saiba o que é ter o hábito de despertar frequentemente ao lado de um homem. Ainda que ela nunca teve um quotidiano prolongado, acordando ao lado de um homem que amasse. Nesta manhã, Henrique parece ser esse homem. Aqueceu a sua noite, embeleza a sua manhã. E ao sair da cama, de corpo nú, Maria José experimenta esquecer qualquer amargura ou pudor. Os cortinados da janela estão entreabertos. Quatro passos adiante e a mulher empurra o caixilho do vidro que guardou o calor de toda a intensidade nocturna. Uma ligeira brisa entra naturalmente no quarto. O buliço da cidade já se fazia sentir. Os carros atravessavam a rua, para trás e para a frente. As pessoas entravam nas correrias habituais e os vizinhos abriam as persianas. Do outro lado da rua, havia uma persiana que não chegou a estar encerrada. Manteve-se toda a noite na escuridão, mas com uma barreira transparente entre o seu interior e o quarto do 1º direito. Um edifício um pouco mais para o lado direito, num andar um pouco mais elevado, numa janela indiscreta. Um pouco demais. Maria José já se apercebeu. Desde a manhã de ontem, quando não se sentiu sozinha ao despir a camisola do pijama. Alguém a espreitava. Não um vislumbre. Não uma espreitadela. Não uma mera coincidência de abrir uma janela para arejar e dar de caras com a vizinha a despir-se. Maria José percepcionava desde a manhã do dia anterior que alguém vigiava os seus passos dentro do seu próprio quarto. Um homem. Talvez. Depravado. Possivelmente. Um velho que encontrou uma forma de ocupar os seus dias de solidão. Poderia acontecer. Um adolescente que descobriu a melhor maneira de usar os binóculos que recebeu no aniversário. Plausível. Uma mulher. Uma peculiar mulher que alcançou no voyeurismo uma excitante de completar as suas fantasias. Muito provável. Maria José não conseguia perceber, por entre o cortinado, o perfil da pessoa que a espiava. Mas no momento que ela mantém a sua postura ligeira e nua diante da sua janela transparente, a professora aposta na sua melhor dedução. Ela tem sido observada. E se ontem, quando se confrontou com tal facto, a ideia lhe pareceu repulsiva, neste instante em que ela passa a mão pelos seus seios ligeiramente descaidos, o facto de alguém a comer com os olhos deixa-a excitada.
De um lado, Maria José tem o seu amante prostrado na cama, enterrado num sono amolecido pelas primeiras horas matinais. Se Henrique abrisse agora os olhos, conseguia perceber o quanto ela se sentia sensual diante dele. Porque o beijo que ele lhe entregou quando chegou ontem à noite a casa, demonstrou isso mesmo. Ele desejava o seu corpo sensual. De outro lado, a professora tem um espelho que reflecte os seus traços amadurecidos pela idade. E ela não vê um corpo que lhe desagrade. Rugas, curvas deficitariamente equilibradas, alguma flacidez nas zonas mais erógenas. Naturalmente. Mas ela apercebe-se dos seus cinquenta anos. E dá-se conta de viver bem neles. Atrás de si, a fantasia premente. Há um olhar forasteiro a apreciá-la. Uns olhos de mulher. Lésbica, pensa ela. Estará agora a admirar o seu rabo reluzente, tatuado com as caricias de Henrique quando ele a deitou naquela mesma cama. Estará embeiçada pela firmeza das suas costas, fruto de uma postura séria mantida durante anos a fio. A mulher que a observa já não será jovem por certo. No minimo terá trinta e cinco anos. Casada, sem filhos. Talvez tenha descoberto que uma mulher tem o poder de a conseguir excitar e tenta comprová-lo no segredo do seu quarto. No máximo terá cinquenta anos. Um marido que aprendeu a odiar, filhos adultos, uma vida sexual deprimente e uma paixão platónica pela funcionária da lavandaria que engoma a sua roupa semanalmente. Qualquer um destes perfis entusiasma a líbido de Maria José que passa agora dois dedos por entre as suas nádegas. E ela ainda tem a ardente sensação o sexo do amante a latejar dentro de si, quando a mulher se colocou de gatas para ele, no decorrer da noite quente.
Nunca uma manhã pareceu tão singela e tão perfeita ao mesmo tempo para Maria José. Como se pudesse guardar aquela sensação de excitação, sem sequer ser tocada. Como se fosse venerada pelo inconsciente e pelo desconhecido. Uma auto-estima reflectida num homem que dormia e numa pessoa estranha. A mulher procura fazer perdurar estes momentos. Já quase sem olhar pela janela, a inquilina sabe que continua a ser vigiada. Isto dura há algumas horas. Talvez até há alguns dias. Maria José apercebeu-se do olhar indiscreto por volta da uma da manhã. Henrique absorvia-lhe a ansiedade da sua pele, enquanto lhe abria as pernas e beijava o ventre com imensa paixão. A boca dele guardava o calor que os seios dela brotavam. Maria José estendia-se na cama, despida de roupa, nua de incertezas. Ela queria que o seu cunhado a possuísse. Por entre as pernas da mulher, Henrique roçou a boca na rata madura e húmida. Nesse instante, Maria José esticou os braços e libertou um gemido forte, que fez dilatar o peito feminino. Excitada e vulnerável aos desejos do amante, a professora quis deliciar-se com o atrevimento da lingua do proprietário daquele apartamento. Procurou concentrar-se e encontrar um foco para manter o seu olhar. Ao mesmo tempo que Henrique segurou as pernas dela e ergueu-as, Maria José fixou a atenção na janela. No meio da escuridão externa, um brilho despontava de uma janela. Parecia um reflexo da luz do lampião urbano que esbatia num vidro. Envolvida no minete intenso que o seu amante lhe proporcionava, ela quis imaginar que ali estava uma pessoa. Alguém com uns óculos ou até mesmo outro aparelho ocular. Podia ser um binóculo, uma máquina fotográfica de alta resolução, até mesmo uma câmara de filmar. De qualquer forma, a professora tinha quase a certeza de que estava ali um vulto humano e que o mesmo via o que estava a acontecer no seu quarto. Maria José chupou um dedo e veio-se. Em si, brotava a emoção de saber-se observada. É manhã e a professora sabe que quem a espia ainda não retirou a atenção do que acontece aqui dentro. Ela volta a morder o dedo e solta um breve riso, fruto da satisfação que a mulher goza, ao saber que alguém a vê nua. E no instante em que ela olha discretamente por entre os cortinados, Henrique acorda.
Será que alguém se masturba na janela indiscreta? Maria José gosta de imaginar que sim. Excede os limites das suas fantasias ter a sensação que metros adiante, do outro lado da rua, alguém está sentado numa cadeira, escondido por entre as cortinas, por detrás de uma parede alheia. Provoca-lhe calafrios intimos pensar que derivado da sua nudez explícita, uma mulher ou um homem toca o seu sexo para seu próprio prazer. Na cabeça de Maria José, torna-se arrepiante mas frenético julgar que alguém está a olhar para ela e masturbar-se. Tão bajulante como a forma aguerrida que Henrique usa para olhar para a sua amante. Ele está deitado na cama, mas percepciona a postura leve, ainda assim intacta, de Maria José. Ela sabe no que ele pensa. Foi a última coisa que ela se recorda da noite de ontem. A memória daquele olhar quente, envolvente e apaixonante pintou-se no instante em que a mulher alcançou o último orgasmo da noite. O mesmo que a arrebatou para um cansaço evidente. E Henrique olha para a inquilina, garantindo que a mulher se ofereceu mesmo daquela forma, na noite antes desta manhã. E tudo terá sido visto na janela indiscreta. A entrega e a ousadia de Maria José foram projectadas desde o cenário morno do quarto até ao lugar onde provavelmente o observador sinistro mas excitante de Maria José se tocava. No pénis, na rata? Não interessa. A professora sabe que isso aconteceu. E ela está agora entre o olhar de ressaca do seu amante e o olhar de ansiedade do seu voyeur. Poderia tudo recomeçar. Ela pode deitar-se na cama e sentar-se de novo sobre o colo do amante despido. Ela pode voltar a incarnar um papel de selvagem fora de controlo. Porque foi assim que a mulher madura se sentiu, ao exibir-se para a janela observadora. Jamais Maria José conseguiu demonstrar a si mesma uma faceta tão devassa e tão exibicionista. Na noite de ontem, ela sentia que queria aquilo. Ser observada, alvo de cobiça visual, objecto de prazer. Maria José queria protagonizar-se, como uma verdadeira actriz de carácter erótico. Porque quando ela se sentou em cima da cintura dele, deixando o sexo dele penetrar profundamente dentro de si, a mulher encenava a sua cena escaldante. Henrique entusiasmou-se com a entrega da amante e acariciou as ancas dela. Deixou o corpo dela mover-se, de forma a que o pénis crescesse e envolvesse a rata molhada. De olhos sempre bem abertos, Maria José confrontou o olhar dele e começou a cavalgar. Ela tinha a certeza que para o seu voyeur, aquilo era um momento alto. E na mente da mulher estava a ideia de que do outro lado da rua, alguém se masturbava com os sucessivos acontecimentos lascivos do 1º direito. Maria José saltava, fazendo tremer as suas nádegas, de cada vez que deixava o pénis de Henrique mergulhar no seu interior. Havia uma luz ténue - do candeeiro da mesinha de cabeceira - que iluminava a cama e criava um ambiente intimo. Ela acariciou os seios e foi cavalgando impulsivamente. Gemia. Ela queria gemer. Mesmo que ninguém ouvisse de tão longe, ela queria garantir que quem a observava podia supor a sua voz de prazer. Seria alguém que ela conhecesse? Uma vizinha que ela cumprimentasse quando ia tomar café ao Espaço? Uma mulher que a olhasse com desejo quando ela tomava o caminho até ao fundo da rua? Uma aluna sua? Uma colega de escola? Aquilo excitava-a. A incerteza de não saber quem participava indirectamente na sua foda fazia fluir uma adrenalina em todo o seu corpo. Poderia ela já se ter vindo com tão escaldante visão? Por quanto tempo estaria ela a masturbar-se. Iria filmar em pormenor? A quem iria mostrar? A cada pensamento, Maria José aumentava a dimensão do seu salto e impingia mais pressão quando apertava o pénis dele no seu intimo. Ela estava louca. Sentia-se louca. Sentia-se perversa. Sentia-se a ultrapassar o limite do bom senso e a desafiar o conforto da sua privacidade. Não confessou a Henrique que estava a ser vigiada. Não confessou que enquanto fodia com ele, se sentia uma mulher num filme erótico, visionado por homens e mulheres sedentos de prazer visual. Na noite passada, na intimidade do seu quarto, Maria José não se ofereceu apenas ao seu cunhado. Um terceiro elemento possuia o seu espirito, proporcionava-lhe um deleite desmesurado e fez a mulher vir-se com uma fantasia dentro de si. E a única coisa que confessou a Henrique foi a tesão que lhe estava a dar sentada em cima dele, a cavalgar num pedaço de carne soberbo.
Henrique não consegue ler a mente da sua cunhada. Ela tem um dedo a roçar levemente a sua vagina. A mesma que ele ontem inflamou com tanta paixão, com tanta fome, com tanto desejo de prazer carnal. A mulher não sabe se olha para ele, se refugia os olhos na janela escondida. Será que quem está do outro lado repara que o objecto da sua vizualização se apercebeu? O que esperará o voyeur do que possa acontecer? Será que ele ou ela a vê como uma ninfomaníaca que fode a qualquer momento com aquele homem? Será que ela desconfia de quem seja aquele homem? Estas interrogações surgem enquanto Henrique espera. Maria José está excitada. Quer pelas lembranças escaldantes da noite passada, quer pelo vigor que o sexo de Henrique ostenta pela manhã, quer pelo exibicionismo que ela quer evidenciar. Um sorriso pinta-se na sua face. O homem senta-se na cama e estende a mão, chamando a sua presença. Pé ante pé, a professora aproxima-se de Henrique. Senta-se no colo dele e sente as mãos fortes a tocarem nas suas coxas. Os seios femininos roçam no peito dele. Os mamilos estão rijos mas húmidos. Levemente, o braço de Maria José envolve o pescoço do seu cunhado. E na janela indiscreta, alguém assiste a tudo isto. Será que ela sabe o sentimento que agora flui entre os dois? Paixão, amor, desejo carnal? Será que ela desvenda que o homem a quem ela se entrega faz parte da vida da mulher de uma forma ao mesmo tempo sinistra e apaixonante? Maria José quer achar que para além do seu quarto, por detrás daquela janela indiscreta, está uma suposta mulher que mais do que ver um corpo nu, mais do que se masturbar com cenas tórridas, mais do que excitar-se com a ansiedade do que pode acontecer num pequeno quadrado, pretende imaginar uma história entre os dois amantes. Para Maria José, a voyeur pode ver um homem e uma mulher casados, um casal de amantes ou até a mais ínsólita história de um homem que seduz as suas inquilinas para proveito carnal. Mas será que essa observadora consegue ver que naquele quarto, a mulher abraça o homem que a torna feliz? Será que ela sabe que que esse homem é o viúvo da irmã da mulher com que ele fez amor? Por detrás de uma janela indiscreta não é possível alcançar as peculiariedades de uma paixão. E nesta ordem de ideias, Maria José conforta-se com a intimidade da sua privacidade. Como no Beijo de Rodin, a mulher entrega-se ao colo do seu amante. A história reside neste abraço. A face de Henrique encobre a face de Maria José que quase se encosta no ombro dele. A mão do homem segura a anca da amante. E o beijo está tão próximo. É este sentimento puro que Maria José quer oferecer à sua observadora. Ela ama o homem que se apaixonou pela irmã mais nova da sua mulher. Para além da perda, para além da dor, para além das memórias que perduram, este é o presente. E antes mesmo de os lábios se colarem, no preciso momento em que uma brisa acorre por entre os dois prédios e empurra o cortinado gracioso do quarto do 1º direito, cortando a visão do voyeur, um pensamento aterrador invade a mente silenciosa de Maria José. A personagem que a observava podia ser a sua ausente irmã.

segunda-feira

O Sonho

Publicado a 03-10-2008
Resumia-se numa obra erótica. Pintava-se de formas cúbicas tal como o seu consciente o via e de traços redondos, exactamente como o seu sub-consciente gritava. A pintura da amante de Pablo Picasso guardava no seu ventre um mistério até hoje indecifrável. O Sonho de Picasso é o acordar de um desejo intimo, repousado na mente de qualquer mulher. Esta forma de arte desvenda as fantasias privadas e puras de uma mulher, sentada aos olhos de quem a admira, com os dedos encruzilhados na sua essência. Mais do que satisfação pessoal, esta jovem amante revela em si um superficial segredo, incapaz de se suster naquilo que aparenta realmente.
- Cheguei!!...
Onze da noite e mais alguns minutos. A isolada Tania abriu a porta do 2º direito e confirmou a sua chegada, num tom de voz agudo. Talvez não tenha realizado o tardio avançar das horas. Talvez nem sequer se apercebeu que a casa onde agora vive, respira um outro ambiente. O mais provável é regressar de amarguradas memórias recentes, perdendo alguma noção da realidade. Certo é que Tania entrou na casa da sua amiga e colega de trabalho chamando a atenção de quem estava no seu interior. A filha de Laura não dormia em casa. Um fim de semana prolongado em casa do pai justificava essa ausência. É provável que Tania soubesse deste pormenor. Mas só na sua imaginação mais profunda ela podia ter em conta que a mãe da criança e o seu namorado estivessem no quarto de casal, a partilhar intimidades na cama que lhes pertence. Ao fechar a porta do apartamento, e apesar de ter recebido uma brisa de silêncio vinda do corredor, a jovem repara que um breve ruído fugiu da porta do lado esquerdo. A sua pose congela. E num instante, ela parece despertar do seu estado anestésico. Compenetra-se finalmente na casa onde entrou e deduz o que possa estar a ocorrer.
- Tania?! - solta a voz de Laura, vinda da divisão particular.
- ........Sim?!...
- Podes entrar, se quiseres....
- É melhor não...
- Nós queremos que entres.
- Deixa estar.
- Tania, por favor....
Ela respira fundo. Pousa a mala no chão do corredor e prendendo de novo a respiração, dá cinco passos até ter a cama do casal amigo ao alcance da sua vista. Em cima do colchão, estão deitados Laura e Afonso. Cobertos apenas pelo lençol branco que tapava ambas as cinturas, os seus corpos estão totalmente nús. É perceptivel a união das cinturas. É notório que Afonso está dentro da namorada. Laura está de costas para ele, com a anca direita sobre o colchão, com o pescoço suado, com as mamas entesadas, com um sorriso frenético na face. E cada um dos elementos do casal olha para a amiga com um semblante tão divertido como natural.
- Estavas com medo? - pergunta Laura.
- ...Não... Mas também não gosto de interromper as vossas....
- As nossas fodas??.....Tania, tu também fazes parte das nossas fodas...
- Não faço não...
- Claro que fazes...
- Não todas...Quando eu não estou vocês fazem o que quiserem, que eu não tenho nada a ver com isso...
- Mas....agora estás aqui...e nós estávamos...
- Sim, ok! Eu sei! Já percebi... Parece que fizeram de propósito...
- Se calhar fizémos...
Gera-se um silêncio. Uma troca de olhares. Uma atenção envolvente por entre os três semblantes. Tania fica incólume, não mexe um cabelo. Afonso tem um sorriso ansioso na face. Laura parece que tem a perfeita certeza de que a amiga vai aproximar-se. Tania continua incólume, mas fraca para resistir.
- Não me vou meter aí na cama com vocês...
- Porquê?
- Porque não!!!
- Tania...vá lá....estás a enganar-te a ti mesma.... Queres ou não?
- Não!... Quer dizer, não é que não queira, mas não tem muita lógica...mas não quero...ou talvez queira mas não seja o que deva fazer...... Vou-me sentar aqui!...Ok?...Vou sentar-me aqui....
Tania senta-se numa cadeira que está junto à porta do quarto, mesmo defronte da cama. O seu peito está nervoso. E apesar de não saber bem o que fazer, o que é certo é que ela não tira o olhar do casal amigo, nu e com a pele sensível.
- Faz o que achares melhor...Mas...nós não vamos parar....Queres parar, Afonso?
- Agora não!....
- Fico a ver-vos....
- É isso mesmo que queres fazer?!
- Acho que é...
- E vais ficar assim vestida?
Começa a faltar perspicácia a Tania para conseguir responder. O jogo de palavras soltas vai-se desvanecendo. E a jovem começa a preferir agir em vez de ousar responder. Porque as palavras já a levaram mais longe do que previa. E no momento em que ela abria o botão das suas calças de ganga, tudo aquilo parecia um sonho. Um daqueles que a fazia tocar-se em noites sós. Um semelhante à fantasia de viver intimidades com o casal amigo. Só que mais uma vez, a fantasia ganhava contornos concretos. É no mesmo instante que Afonso tira o lençol de cima da cintura dos corpos deitados na cama, que Tania refugia a sua mão direita dentro das calças. Laura sorri e sente a mão do namorado invadir o seu ventre. Ele abre-lhe as pernas e revela a rata molhada da mulher, ainda com o pénis teso preso lá dentro. Ouve-se um gemido leve de Tania, assim que um dedo roça os lábios vaginais. Naturalmente, a expressão da jovem provocou uma excitação ainda maior no casal que voltava a envolver-se na cama. Afonso coloca dois dedos por entre as pernas da namorada, olhando ao mesmo tempo para Tania.
- Vocês são loucos....uhmmm...oohhh...são loucos....ahmm...não pares, Afonso...
- Sim...não pares, Afonso....dá-me mais....mais....
A masturbação desenvolve-se em duas mãos. Os dedos do jovem procuram os pontos sensíveis que ele conhece. E de cada vez que toca no clitóris palpitante de Laura, a mulher inspira fundo, cerrando os olhos. Os dedos da jovem na cadeira tentam estimular os lábios vaginais, roçando o polegar no clitóris saído. Mais do que voyeurismo, Tania coloca diante de si uma imagem fantasiosa dos seus amantes. Mais do que o envolvimento do casal, Tania proporciona o seu sonho. E a pouco e pouco, distancia-se daquele lugar. Ela tem dificuldade em manter a serenidade. Os dedos querem mais, o intimo vai engolindo os seus dedos. Apesar de não baixar muito a peça de roupa envolta às pernas, a jovem abre-se e deixa que o seu inconsciente comande. Afonso está excitado com toda a cena e enquanto fricciona os dedos dentro da rata molhada ao seu dispor, apalpa os seios de Laura, notando também que a sua tesão está efusiva.
- Ohhh...amor...oohhh...siiimmm...olha para ela...olha!!...Ela vai-se vir...uhmmm....
É verdade que Tania entra agora no auge do seu próprio prazer. Mas Laura deixa de conseguir controlar-se a si mesma. Os dedos do namorado, misturado com a delicia do orgasmo da colega de trabalho, forçam o deleite em todo o seu corpo. O seu sexo explode. Palpita na intensidade do toque. Encharca-se na fluência da excitação. E mesmo que Afonso continue a masturbar com as pontas dos dedos, a mulher afronta-se com a magnificência do prazer interior do seu corpo. Ele percebe que Tania está louca. A jovem quase que se deita na cadeira e percepciona que ela enfia os dedos profundamente na rata. Ela geme, com os dentes cerrados, com as pálpebras a tremerem, com a mão esquerda a apertar o ventre. Afonso guarda nos dedos o liquido da namorada, dando um último toque terno nos lábios vaginais. O corpo de Laura já não treme, apesar da vibração ligeira que ainda percorre a pele feminina. Ele sabe que está entesado. Surge-lhe a indecisão. Prolonga o prazer com a namorada, mesmo após a envolvência antes da amante chegar? Ou acode ao desejo emergente de Tania, derretida na cadeira? Olha para Laura, ainda desorientada. Olha para a jovem, que por um instante abre os olhos e entende que a acção sexual parou por uns momentos. Ele pula do colchão e vai sentar-se, nu, no fundo da cama.
- Vem cá!... - diz ele.
Tania já se ajoelhou no chão. O seu corpo vibra com a masturbação. Com a mão direita ainda dentro das calças, ela avança de joelhos até às pernas dele. A mão esquerda dela acaricia as coxas dele e Afonso amacia os cabelos da jovem. Um breve olhar entre ambos e depois, com suavidade, com delicadeza, com frontalidade, o sexo entesado de Afonso penetra na boca ansiosa de Tania.
- Eu sabia que era isso que estavas a imaginar, Tania....
Laura liberta um riso entusiasmado, satisfeita pela opção tomada. Quer pelo namorado, quer pela amante. A boca carnuda de Tania segura o pénis estimulado. De olhos fechados, de cabeça tombada para baixo e apenas com o auxilio da mão esquerda, a jovem abocanha o objecto do seu desejo premente. Na verdade, a amante tinha o sonho. Vibrou com ele. Rodou-o como um filme dezenas de vezes na sua mente antes de se vir. Pressupôs a cena de diversas formas. Ajoelhada no chão. Submissa às ordens das mãos gentis de Afonso. Cheia dele na sua boca. A segurar o sexo com a lingua. Sim. Isto estava no sonho da amante. Tal como na pintura.
- Sim...uhm...Tania...sabe bem....uhmmm...não pares... - solta Afonso.
- Nós não queremos que pares...oh, não, não queremos.... - diz Laura com um sorriso.
E da garganta de Tania só se ouve ligeiros gemidos e sopros libertados do nariz. Afincadamente, a jovem delicia-se com a sua fantasia lasciva. Porque ela quer mais. É visível que anseia por mais. Mas enquanto a mão se aquece por entre as suas pernas, ela prazenteia o amante com um broche delicioso. E Afonso sabe a devoção que Tania liberta naquela acção oral. Laura assiste. Tem uma visão privilegiada do momento e saboreia cada instante do prazer proporcionado ao seu namorado. Porque aquilo excita-a. É perceptivel que a põe fora de si. E a tesão de Afonso tem uma implicação. A mente dos três sabe que não termina naquele broche suave e ligeiramente silencioso. Tania necessita de exprimir-se. De libertar algo dentro de si. Mais ainda. Intensamente mais ainda. Depois de molhar toda a picha dele, chupar com os lábios fofos a ponta do pénis e apalpar os testiculos com um pouco mais de pressão, a jovem pára. Cessa a masturbação pessoal. Termina o broche. Conclui esta etapa. Tania levanta-se harmoniosamente e acaricia de novo o seu ventre. Puxa a camisola negra que traz vestida e vai-se despindo. O soutien negro aperta os seus seios de uma forma excitante. E por onde as mãos de Tania roçam o seu próprio corpo, o olhar de Afonso acompanha. Os dedos empurram as calças. Um pé ajuda o outro a descalçar-se. E cedo Tania está apenas e só de lingerie. Tanto Laura como o seu namorado ficam estáticos a olhar para o corpo voluptuoso e sensual da amiga, inquilina e amante.
- Preciso de falar uma coisa com vocês? - diz Tania, suavemente.
- E precisas mesmo de falar agora?!....
Afonso parece ignorar a mulher que tem diante de si, mas na verdade, ele comunica com ela de outra forma. A mão dele desliza pela barriga de Tania. Toca no umbigo e amacia o ventre. Há uma ligeira comoção nos músculos da jovem. Solta-se um suspiro. Afonso ergue a cabeça e por sua vez o olhar. Ela cala-se. A ansiedade do momento, bem como a ternura do toque deixam-na atordoada. Laura mantém o silêncio. Assiste a tudo com uma imensa expectativa. Nem ela entende exactamente o que quer o seu namorado. As mãos dele estão agora nas nádegas macientas de Tania. Apalpam-nas e aproximam-na vagarosamente. Mas assim que os dedos puxam as cuecas negras e as fazem deslizar pernas abaixo, tudo estava lançado. Um movimento seco e repentino empurram ocorpo de Tania contra o de Afonso. Ela senta-se no colo dele e finca os dois joelhos no colchão. E olhar dela brilha. Treme ao sentir a picha dele roçar nos seus lábios vaginais. Dois segundos depois, a carne erógena do namorado de Laura irrompe na rata de Tania, roçando no clitóris inchado. Instintivamente, os braços dela envolvem no pescoço do homem. O abraço transmite confiança a Afonso, mas acima de tudo passa a ideia de que ela quer ser possuída. Afonso tinha os seios salientes da jovem colados à sua cara. Laura estava agora um pouco mais próxima. Atenta aos movimentos do seu namorado e presa às emoções de Tania.
- Eu quero dizer uma coisa!...Ohhh... - solta Tania, com os olhos cerrados.
- Diz!...Podes dizer...uhmmm...Podes falar....
Mas Tania parece não ter certezas sobre a exactidão do momento para soltar palavras. A sua rata vai estando cheia com o sexo dele. As suas ancas movem-se, ao sabor da excitação e das mãos de Afonso. O abraço anestesia o sentido lógico do que quer desabafar. E a foda vai começando a saber demasiado bem. O êxtase dos dois corpos já vem sendo prolongado. Afonso sabe que atinge um limite e Tania tem a rata a latejar. A jovem cavalga progressivamente sobre o colo do amante, ao mesmo tempo que sente os pulmões a abrir e o coração a bater forte. Enquanto Tania pula com empolgamento sobre o colo do amante, quase a vir-se, Laura aproxima-se da amiga. Acaricia as costas do namorado e dá um beijo leve nos lábios palpitantes da jovem. Percepciona o olhar perdido de Tania e procura agarrá-la.
- O que queres dizer?!...Uhm?? Diz!....
- Não!...Uhmmm...ooohhhh...não!
- Diz! estás-me a deixar louca...uhm...vá lá...diz...
- Não!!...
- Diz!
- Ohhhh!...Estou grávida!....
-/-
Os três corpos estendem-se na cama. Estão todos nus e suados. Tania já nem sequer veste o soutien. Está deitada de barriga para baixo, com as mãos a agarrar as próprias mamas. Tem o olhar virado para a parede do lado direito da cama. Afonso está deitado de barriga para cima. Tem os braços estendidos, mas não toca em nenhuma das mulheres. Olha para o tecto com um ar absorto. Laura está deitada de lado, com a cabeça pousada sobre o braço direito, esticado para cima. O seu olhar fixa-se entre as nádegas da amante e no fundo das costas. Passam menos de três minutos desde o orgasmo e a revelação de Tania. Ainda não foi trocada uma palavra mas há pensamentos velozes que quase parecem ouvir-se entre os três. A jovem respira fundo.
- Desculpem....eu sei que deveria ter dito antes... - diz ela.
- Nem sei o que dizer.... - tenta responder Laura.
- Como é que isso foi acontecer? - soltou Afonso.
- O que é que eu faço agora à minha vida?
- O que é que tu fazes?!!! - diz Laura - O que é que nós os três fazemos....
- Eu não quero envolver-vos nisto... - responde Tania.
- Mas tu não vais passar por isso sozinha, Tania. - desabafa Laura - Quer dizer, seja lá o que fôr que vás passar... mas...
- Desculpem-me...eu sei que devia ter dito antes...mas estava tão confusa e nervosa que dexei as coisas andar...
- Há quanto tempo é que soubeste isso?
- Desde os teus anos...
- Meu Deus!...Isto é uma loucura!....
- Bolas, Laura...também não é contigo que está a acontecer!...
- Estás a tentar dizer que não me afecta?! O que queres que pense?
- Que estou grávida...que nunca pensei que pudesse ser mãe...assim...desta forma...
- E achas que eu pensava? - responde Afonso.
- Pensavas o quê?!... - diz Tania nervosa - Bolas, eu não vos estou a pedir nada...apenas estou a desabafar que estou grávida há onze semanas e não sei o que hei de fazer!
- Onze semanas?!!!
- Sim...Mais ou menos, foi o que o médico me disse....Mas porquê?
- Onze semanas?...mas nós só há duas semanas é que... Quem é o pai?
- O Filipe!!...Mas quem é que havia de ser? Achas que eu estive com mais alguém sem ser o Filipe e...?? Espera!!...Vocês pensavam que eu estava grávida do...? Não!!!!
- Estás grávida do Filipe?... - tenta confirmar Laura.
- Tens a certeza que são onze semanas? - diz Afonso no mesmo tom.
- Não...Talvez até possam ser doze......Laura...Afonso...eu estou grávida do Filipe!...Lembram-se, aquele gajo que me pôs os cornos com a amante da minha amante?
- Sim, Tania...
Laura liberta um suspiro. De alivio. De confusão. Agora que ela segue todo o encadeamento de acontecimentos, a namorada de Afonso consegue tranquilizar. O próprio Afonso ainda tenta recuperar o ritmo cardíaco normal. Apenas Tania continua desorientada. A sua confissão parecia acarretar uma cruel realidade, mas ainda assim, ela ainda se sente perdida. Afinal, não estava mesmo nos seus planos ser mãe solteira, ainda por cima a viver com um casal amigo e amante. A surrealidade da ocasião não podia parecer maior. Laura encaixa a ideia e tem finalmente um gesto acional perante a amiga. Ergue o seu corpo e vai abraçá-la. Dá-lhe um beijo na face e traz as palavras certas.
- Tania...entendo...não vai ser fácil...acredito que não vai ser...Mas vamos encontrar uma solução... Estás grávida...vais ser mãe e...ouve o que te digo.... Vai tudo correr bem....
Com a respiração ainda presa, Tania alivia a pressão que tinha em cima dos seus ombros. Partilha o abraço com a sua colega de trabalho e segura toda a confiança que Laura lhe transmite. Não obstante a revelação, a rapariga do sonho consegue ficar entre o casal do qual é amante. Como uma menina confusa, Tania só quer adormecer na certeza do que Laura e Afonso lhe possam entregar daqui em diante.