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quarta-feira

Aluga-se

Publicado a 03-02-2009
Quem define o verdadeiro valor intrínseco das coisas? Porque as coisas têm obrigatoriamente que conter um valor. Material, simbólico, contratual, íntimo. A objectividade das coisas que pensamos ou detemos incorporam uma valia, um preço, um custo. E todos nós somos negociadores do que nos apropriamos. Nada nos pertence. Mesmo quando compramos algo ou conquistamos alguém, não nos pertence. Por isso, partilhamos. E a partilha é um jogo de dar e receber. Dar e receber têm implicitos a questão do valor. E o que tem valor, tem preço. E o que tem preço permite obter margens. De perca ou de ganho. Assim, o que define quanto vale o que possuímos? O nosso bom senso ou a necessidade de partilharmos o que, afinal de contas, não nos pertence? Quando uma mulher decide anunciar o aluguer de um pedaço da sua alma e um tempo delimitado do seu corpo, que valor dá ela a si mesma?
Ana sai da casa de banho apressadamente. O seu cabelo ainda está molhado e o seu corpo tem dificuldade em envolver-se na toalha branca. O telemóvel que lhe pertence está a tocar incessantemente em cima da cómoda do seu quarto. Com a água tépida a escorrer nas suas pernas despidas, com a mão esquerda a segurar a toalha com força junto ao peito, a jovem atende o aparelho com a mão direita, sem sequer verificar quem está a ligar.
- Sim?!... Ah!...Olá...como está? Não esperava que me ligasse tão cedo....Não, não está a incomodar... Eu é que não contava que ganhasse coragem tão cedo... Eu?! Receio? Não, está enganado... Este é o meu trabalho e entre nós dois eu sou a pessoa que tem menos a perder...
O tom de voz de Ana espelha a máscara nocturna que ela colocou momentaneamente para falar ao telemóvel. Calmo, quase a sussurrar, ainda assim perfeitamente compreensível. Directo e conciso. Assertivo mas sensual. No entanto, ela ainda tem a sua alma vestida com a máscara diurna. Dentro da casa de banho, a presença masculina terminou o seu banho. Com a toalha envolta na cintura, ele troca o passo avançando para o quarto da inquilina. Ao mesmo tempo, não deixa de prestar atenção às palavras soltas por ela. A alma de Rafael treme com a ideia de Ana estar ao telefone com um cliente.
- ....Como lhe disse ontem, precisamos de acertar todos os pormenores. E não tenho por hábito fazê-lo ao telefone com visitas novas...... Só depende de si... Diga-me o dia e a hora em que possa estar mais disponível e tratamos de todos os detalhes.....
Rafael assiste incrédulo à atitude da sua vizinha. Ana tem mesmo coragem de fazer uma marcação com um cliente, enquanto ele está ali. Porque Ana consegue fazer uma negociação por telefone enquanto aponta os detalhes essenciais num caderno preto pessoal, aproveitando ainda para secar a pele húmida do seu corpo, com a toalha macia. Sentado na cama, Rafael olha para Ana sobre dois pontos de vista. A perspectiva traseira, frontal, sem filtros, em que Ana está meiga, já sem a toalha, com o rabo desconcertante a mover-se gentilmente, ao sabor das acções do seu corpo. A perspectiva frontal, espelhada no vidro da cómoda que reflecte a sua postura, a sua máscara, o seu olhar concentrado, o seu peito lascivo, esbelto e acariciado pela toalha.
- Sim.... E onde quer encontrar-se?.... Não, como lhe disse...Não tenho receio de nada... Com certeza.... Fica então combinado... Fique descansado... Se teve a ousadia de me propor, saberá certamente que guardo sigilo.... Uma Boa Noite então...
Ao mesmo tempo que desliga o telefone, Ana olha para o espelho, confrontando a atenção do instrutor na sua pose. Ela questiona se o olhar dele deseja as suas nádegas mornas e redondas ou se a questiona, cara a cara. A jovem deixa cair a toalha no chão, pousa o telemóvel na cómoda e pega num creme hidratante, elemento fundamental no seu processo de mutação. Gera-se um silêncio perturbante. Ana sabe que ele a está a questionar. Rafael hesita em questioná-la. O momento passado debaixo da água quente soube-lhe demasiado bem, para agora estragar tudo numa discussão sem fundamento e sem conclusão. Ana estava a fazer uma marcação com um cliente, ao mesmo tempo que se prepara para encarnar o seu papel de acompanhante. Ele sabe que naquele mundo, ele não entra. Por isso, engole qualquer provocação da qual se iria arrepender assim que a fúria se dissipasse. Mas a sua amante entende o seu incómodo. Molda os lábios num sorriso ténue, quase trocista. As palmas das suas mãos contornam a face, o pescoço e vagamente o peito, espalhando o creme branco que lhe entrega uma nova aura. Todos aqueles movimentos com o corpo nu parecem excitar o homem.
- O que se passa, Neves?
- Nada...
- Nada?!... É só isso que vês diante de ti?
- Vejo-te linda... Vejo-te poderosa... Vejo-te a mulher mais sensual que já se despiu diante de mim... E vejo que daqui a pouco deixas de ser minha...
Ana gira o seu corpo. O elogio de Rafael ultrapassa o mero conforto das palavras no ego sedento da jovem. A afirmação do homem que está no seu quarto pretende servir de desabafo para a impossibilidade de controlar o querer da acompanhante. O seu vizinho é um cristal frágil quando exposto à voluptuosidade dela. Nem sempre foi assim. Mas hoje assim o é. Rafael é um homem insegura quando confrontado com o olhar e o desejo de Ana. Ela aproxima-se da cama, nua e formosa. Ele está sentado no fundo da cama, ansioso. A jovem abre gentilmente as pernas para as colocar ao lado das coxas dele. Quase que se senta no colo do homem. Quase que encosta o seu peito à face dele. Quase que exige um abraço tenso de Rafael. Ela acaricia os cabelos do amante e olha-o com meiguice. Ele sustém a respiração quando vê os mamilos excitados dela tão próximos dos seus lábios. Ergue a cabeça, comunicando com ela.
- Mas por agora sou tua... Não sou?
- Não... Não és minha... Só me pertences quando tens algum valor para mim...
- E agora?... Tenho algum valor para ti?
Ela não espera uma resposta. Não aguarda sequer uma reacção da alma que se esconde na incompreensão. Ana quer apenas agir. Porque o desejo iniciado há cerca de uma hora, quando a jovem abriu a porta do 3º direito ao seu vizinho e se entregou a ele sem hesitação, ainda está latejante. Aproximando um pouco mais os seios firmes e sedosos, ela obriga Rafael a envolver as suas mãos no seu rabo delicioso. As caricias são doces, atenciosas, convidativas. Um leve gemido solta-se por entre os lábios de Ana que sorriem. Os bicos dos mamilos escorregam nas maçãs do rosto masculino. E quando ele se preparava para beijar o vale do peito, Ana agarra os cabelos com os dedos da mão direita e puxa a cabeça do amante para trás. A mão esquerda dela empurra o corpo dele para o deitar na cama. A inquilina dobra os joelhos e coloca-se sobre o colchão. A sua postura é excitante. Denota-se claramente a procura em obter o domínio sobre o homem que a deseja. É evidente o jogo que Ana demonstra ao caminhar ajoelhada em direcção ao peito do negociador que lhe quer dar um valor inestimável. Nua e excitada, Ana faz escorregar levemente a sua vulva pelo tronco rígido de Rafael. Ele sente o toque. Ele apercebe-se da excitação. Ele aguarda que a valia do seu elogio lhe traga sensações imensas. No trajecto que Ana prossegue, as suas coxas e as suas nádegas são acariciadas com paixão. E não tarda, ela prende os braços esticados de Rafael, deixando que o seu corpo repouse ligeiramente.
- Isso é meu? - sussurra ele, entusiasmado.
- Isto é um pedaço daquilo que te posso dar enquanto me deres o valor que sabes que mereço.
Três segundos servem para Rafael reflectir sobre aquelas palavras docemente soltas. Ana cola as palmas das mãos na parede e sabe o que quer dar. Sabe o que quer receber. E anseia que tudo isso a recompense de um ansiado prazer. Rafael levanta ligeiramente a cabeça e esse movimento basta para que a sua boca toque nos lábios grandes da vagina da sua amante. Ela sorri, ao sentir esse toque terno. Ela deixa a cabeça cair. Apesar de saber que detém o controlo do que acontece, Ana está completamente rendida à fome do seu vizinho. O homem usa a boca com gosto. Espalha o lábio inferior em toda a largura da rata dela. Franze o lábio superior para acariciar o clítoris da jovem. E a língua é intrometida, ao querer arrepiar caminho por entre a delicia da fenda feminina. Rafael adquire agora a certeza de que realmente, naquele pedaço de tempo, naquele recanto, Ana lhe pertence autênticamente. O gemido que ela solta sem inibição demonstra que ele pode prosseguir. A sua língua é longa o suficiente para se intrometer entre os lábios vaginais. As saliências encarnadas da sua boca procuram agora focar-se em chupar o gosto e o aconchego do sexo da jovem. Ana volta a gemer. Procura controlar o seu ímpeto fervoroso, mas o preço que lhe pagam para este instante parece não ter nenhuma cláusula que obrigue à sua reserva. Por isso, Ana geme. Cerra brevemente os olhos e abre a boca. Diante do seu olhar está escuro, está um espaço perdido, do qual ela já não consegue assentar os pés. Dentro de si, está a certeza de que o seu corpo vibra com cada gesto que a língua e os lábios do amante exercem. Debaixo de si não está um cliente. Este encontro não foi marcado detalhadamente, sem margem para erro. Este momento é rebelde, é inesperado, é fruto de uma vontade que ultrapassa qualquer contratualização. Ainda assim, Rafael sabe que o tempo e o espaço contam. Sabe o preço que paga por ter a sua voluptuosa vizinha sobre a sua face. E ela sabe o quanto recebe. Não existe um envelope branco, mas há um valor guardado dentro de si. Ana guarda-o então no cofre mais apaixonante de si mesma. O coração dela palpita e aperta com o minete feito pelo seu amante. Os membros dela tremem e começam a perder força. Rafael consegue soltar os braços e invade as nádegas quentes dela com as suas mãos. Ela está a ser possuída. As ancas femininas movem-se, procurando tornar mais frenético o ritmo das lambidelas que ele pinta na sua rata. Ana move a cabeça, em sintonia com a melodia dos seus gemidos. O clítoris da inquilina torna-se rijo e molhado. A boca de Rafael já prova o verdadeiro sabor que flui dentro dela. E enquanto ele finca a ponta dos dedos na carne do rabo tenro dela, Ana apresenta o seu orgasmo.
- Neves!...Ohhh...Dá-me...Por favor...uhmmm...dá-me!... Sou tua...Sentes que sou tua?!
Ela morde o lábio inferior. Ela cerra os olhos com força. Ela pende a cabeça para frente. Ela arrasta as mãos pela parede. Porque ela acaba de sentir toda a energia que foi solta da boca dele, directamente pelo seu sexo, até alcançar as profundezas do seu deleite. E estes orgasmos, só Ana sabe o valor que têm. Rafael ainda segura ambas as nádegas redondas da amante. Também ele procura confirmar que tal gozo foi possível. Como se tentasse perceber se o seu tempo tinha acabado exactamente no instante em que proporcionou uma viagem inesquecível. Ana volta a compor-se. Senta-se levemente sobre o peito dele e abre corajosamente os olhos. Enfrenta-o, como que a querer confirmar que Rafael sentiu o mesmo que ela. Indiscutivelmente, isso aconteceu. Mas Ana não se considera uma mulher resignada ou satisfeita com tão pouco. Toda a boca de Rafael despertou a libido interior do seu corpo, que a foda no hall de entrada, que a penetração no chuveiro, e que o minete na cama, por si só, não conseguiram satisfazer. Ana sai de cima do corpo do seu vizinho. Atrás de si está um pénis erecto, inchado, indiscutivelmente sedento de voltar a ser presenteado com uma forte acção sexual.
- Fica aqui... - pede ele.
- Não vou a lado nenhum... Ainda temos tempo...
- Eu quero-te!
- Não te mexas...
Deitado na cama, Rafael obedece. O espectáculo ainda lhe está reservado e Ana ainda não sucumbiu às exigências do seu tempo. Ao invés disso, segura a carne erógena do seu amante, com firmeza e convicção, como se lhe sobrasse o tempo de uma vida para se deliciar com aquele capricho. Com o rabo empinado e virado para ele, Ana agarra o pénis e abre um sorriso de satisfação na sua face. Aquilo pertence-lhe. Tem um valor. Foi alugado pela vontade dela, misturado no desejo dele. Assim, Ana pode dar-se ao luxo de decidir o que fazer com a volúpia que segura na sua mão fechada. A picha dele está quente. Dura, escaldante e com uma sagacidade que poucas vezes a jovem teve possibilidade de assistir. Prová-lo é uma hipótese viável. Rafael sempre foi saboroso e assim ela teria a certeza que tinha dado o melhor de si para recompensar este momento. Quando Rafael deixa que a sua mão atrevida escorregue pelo rabo convidativo, Ana percebe que tem de agir. Os dedos dele fazem cócegas no seu ânus e acariciam os lábios vaginais inchados. Sim, mais do que a vontade de pôr o sexo dentro da sua boca, Ana precisa de afogar a sua sede, matar a sua fome, libertar aquela tesão continuamente palpitante.
Rafael volta a ter duas perspectivas. Deitado na cama completamente nu, com o peito ofegante e com os dedos fincados no lençol, ele envolve-se com a sua amante em dois prismas distintos. Ana está sentada em cima da cintura dele, com as costas viradas para o homem, exibindo a sua pele a suar e as costelas tensas, a moverem-se com excitação. Ela é uma mulher doce, atenciosa, apaixonada, quando sente a carne dele entrar dentro de si. Ana está a saltar sobre a picha dele freneticamente, com as suas mãos seguras às mamas que pulam a cada salto e o olhar fixo no espelho da cómoda. Ela é uma mulher selvagem, possuída e praticamente mergulhada numa máscara nocturna oculta, quando sente que a picha dele tem que explodir de prazer. E ambas as perspectivas de Rafael proporcionam um prazer alucinante. E ambos os pontos de vista fazem-no entender que de uma ou outra forma, Ana quer foder com ele até à exaustão. É amor, quando ela se entrega assim, esperando receber tanto como está a tentar dar? É paixão, quando ela sufoca o pénis dele com todo o peso do seu corpo e o aperto da sua rata? É loucura, toda a devoção que ela despeja nos seus gemidos e nos seus movimentos, assim que aumenta o ritmo dos seus pulos sobre a postura dele? É convicção, toda a certeza dela em estar a levá-lo a um prazer inquestionável e absoluto, assim que ela deixa que todo o seu sexo entesado entre profundamente na rata. Porque é forte o jeito com que ele a penetra. É intenso o deleite que ela solta quando se sente cheia. É tudo tão confuso que Rafael não sabe o papel que ocupa ali. É tudo tão incandescente que ele sabe que está prestes a vir-se, quando os dedos meigos da mão de Ana acariciam os testículos saltitantes do homem, ainda inchados. Ela está louca, excitada, imparável. E a jovem encontra nas bolas dele uma forma de descarregar a vibração que todo o seu corpo sente. Ela é meiga no gesto efectuado mas demasiado suave. Ela é carinhosa na acção que entrega mas intensamente excitante. E no exacto momento em que Ana admite o cansaço do seu corpo, ela deixa o pénis dele enterrado e sente ele a vir-se dentro de si. Os dentes trincam o lábio inferior com violência, os olhos fecham impulsivamente e ela só quer aproveitar toda a ejaculação de Rafael.
- Sim...sente-me!!!...Ohhh...És linda!!...Ohhhh...não consigo parar!...Anaaaahhh!!
A vontade dela é recolher forças do mais profundo de si, para se suster naquela posição. O seu anseio é prolongar aquela sensação quente dentro de si. Mas ela não domina o seu corpo e parece desfalecer em cima de Rafael. Ouve-se a respiração da jovem, misturada nos suspiros fortes do homem. As mãos dele envolvem o peito da acompanhante. Ela quer sentir-se acarinhada e confortada, mas o tempo vai escasseando. O casal de amantes entrelaça-se, consumado o derradeiro prazer.
- Confessa... Uhm... Confessa que te dá prazer saber que por este pedaço de tempo, eu fui só tua.
- Sim...
- E que não importa o que eu faço na minha vida...sabes que nunca ninguém te deu tanta luta... sabes que nunca ninguém te respeitou tanto como eu...
- Não sei...
- Eu não sou de ninguém, Neves... Apenas entrego um pouco de mim a quem me dá o valor certo...
Solta-se um suspiro de resignação das narinas de Rafael. Ela percebe que não consegue encontrar forma de colocar o vizinho na mesma ideologia que a sua e liberta-se dos braços e das pernas dele. Levanta-se da cama e abre o armário. Retira um vestido cinza de algodão e umas botas. De uma gaveta, retira uns collants pretos e com um pé empurra umas botas para fora do sapateiro. Senta-se novamente na cama, perante o olhar atento do homem que lhe acabou de proporcionar um fim de tarde delicioso. Coloca gentil e cuidadosamente os collants nas pernas, ainda com o seu corpo praticamente despido. Insere o vestido que lhe deixa parte do peito saliente. O banho refrescou-a, o creme hidratou-a, mas a sua pele tem agora uma tez ruborizada, viva, acesa. Ana calça as botas e já praticamente composta dirige-se à casa de banho. Com o cabelo vagamente arranjado e perfumada, a jovem regressa ao quarto. Rafael ainda está nu na cama, confuso sobre o que irá acontecer. No entanto, ele sabe que o aluguer terminou. Foi esse o tempo permitido pelo valor que ele entregou a Ana. Ela coloca um joelho em cima do colchão e pende o seu corpo para entregar um beijo meigo nos lábios do homem.
- Tenho o direito de perguntar onde vais?
- Tens...Vou ter com uma amiga minha... Uma boa amiga... Marquei encontro com ela para daqui a vinte minutos do outro lado da cidade.
- E o que vais fazer com ela?
- Desculpa?...
- Posso saber o que vão fazer?
- ....Deixo isso entregue à tua imaginação.
O carácter irónico da deixa de Ana coloca Rafael, naturalmente, numa dúvida imensa. Se de uma certa forma, ela não parece ter vestida a sua máscara nocturna, ao mesmo tempo a jovem detém uma ansiedade por ir de encontro a essa suposta amiga. Acreditando Rafael que é mesmo com uma amizade que ela tem marcação, ele não consegue deixar de ficar inquieto à ideia de que o seu tempo de aluguer terminou ali e que brevemente Ana poderá ir, nesta mesma noite, procurar valor noutra negociadora da vida da acompanhante. Informal, descontraída mas sensual, Ana leva o seu passo para fora do quarto. Irá fechar a porta do seu apartamento, descer as escadas do Edifício e apanhar o primeiro táxi que atravessar a rua, com a certeza de que Rafael ficará bem dentro do seu lar. Numa possibilidade demasiado remota concebida pela sua consciência, se ela regressar nesta mesma noite, o homem poderá ainda estar a dormir na sua cama.

quinta-feira

A Casa da Cascata

Publicado a 11-11-2008
sitios que nos fazem sentir bem. Há espaços que tornam a vivência mais inspiradora. Há recantos construídos com um espírito inovador, feitos a pensar na comodidade, mas acima de tudo, desenhados para serem únicos e especiais. A Casa da Cascata é uma obra do arquitecto americano, Frank Lloyd Wright. Foi construída em 1936, nos Estados Unidos da América, com o intuito de servir de casa de férias de um homem de negócios, mas dado o seu carácter revolucionário foi transformado em museu. O que a demarcava de todas as outras obras arquitectónicas era a sua envolvência com o meio florestal e possuir uma queda d'água que corria por debaixo da casa. O aspecto estético hoje pode ser considerado vulgar, mas na época foi uma quebra com as correntes arquitectónicas existentes. The Fallingwater House é um lugar que respira tranquilidade, imponência e uma peculiar sensualidade.
A casa do jacuzzi no Edifício Magnólia tornou-se parte essencial da vida deste empreendimento. Criou um espaço de lazer consignado a todos os moradores. Permitiu proporcionar momentos relaxantes a cada um dos utilizadores. Trouxe novas experiências aos já ousados inquilinos, especialmente para aqueles que nunca imaginavam uma piscina interior e todo o equipamento envolvente, como um local de fantasias excêntricas. Quando a administradora do condomínio propôs a construção de um jacuzzi no topo do Edifício, os inquilinos consideravam-na louca. Agora, eles assumem a loucura de querer gozar naquele espaço, quantas vezes a imaginação lhes permitir.
Rafael delira com a casa do jacuzzi. Vive-a quantas vezes puder. Sonha das formas que for possível. Reserva o seu lugar quase todas as semanas. Seja para um prolongado banho no chuveiro retemperador. Seja para um mergulho sublime na água borbulhante do tanque. Seja para trazer companhia que possa entender a surrealidade que ali dentro se pode viver. Ao final da tarde, a luz ainda entra pela janela diagonal. Ele ainda está vestido com a indumentária profissional. Chegou há dez minutos do clube de equitação e entra com a ansiedade a brotar da sua pele. Ao seu lado vem Carolina. A jovem amante do inquilino do 3º esquerdo quis conhecer a outra face do Edifício. A irmã da outra jovem amante de Rafael quer voltar a entregar-se aos caprichos escaldantes do homem. E tudo decorre como ela pretende. A sós com ele, Carolina percepciona que o lugar espalha a mesma magia sensual que a fez seduzir por Rafael, no Espaço Magnólia. A piscina é apelativa, o chão é tépido e a tranquilidade reina de uma forma surreal.
- É para aqui que queres trazer a minha irmã? - atira Carolina.
- Como é que?!!...
- Somos unha e carne...Sempre o fomos...
- Então porque é que estás aqui sozinha?...
A pertinência da questão desarma a mulher. Carolina, a faceta mais madura das duas irmãs percebe que Rafael não tem rodeios. Ela está ali e a irmã não. Ela quer o homem e não consegue sequer criar um jogo persuasivo. Ele tira a camisola suada e chega-se junto a ela. As mãos femininas colam-se à pele húmida do amante. Um sorriso transparece o desejo consumado dela em deter o homem, antes mesmo da sua irmã chegar. Rafael é impulsivo. Rafael é inusitadamente atrevido. Não há nada a enganar. Carolina teve ciúmes por ele ter combinado um encontro no jacuzzi com Alexandra. Carolina queria confrontar o amante com a curiosidade. A resposta dele, quanto ao facto de a querer comer, estava na forma como ele abre violentamente a blusa da mulher jovem. Ela solta um suspiro. Ele sorri ao ver Carolina com o soutien branco e com o peito erguido. Envolve as mãos na cintura dela e cola os lábios no cimo do vale dos seios. Carolina salta para o colo do homem aguerrido.
- Fode-me...Ohhh, fode-me, Neves!...
Ele transporta-a até ao chuveiro peculiar da casa do jacuzzi. Deixa a porta de vidro entreaberta e encosta-a na cadeira longa de madeira. Puxa as calças de ganga dela com ímpeto, deixando a mulher jovem com o soutien e as cuecas. Apesar de ter as ancas largas, ela exalta uma figura excitante e apelativa. Rafael abre a torneira de água quente, que molha imediatamente todo o corpo de Carolina, ainda com a lingerie vestida. Ela solta um gemido, sentido que a água desperta toda a sua libido. Demasiado depressa. Ele está sentado na cadeira e acaricia as nádegas da mulher. Os dedos dele parecem penas a escorregar junto às virilhas femininas. Os lábios dele passeiam no ventre dela, junto ao elástico das cuecas.
- Era a minha irmã que devia estar aqui, não era?...Uhm??!!
A dúvida de Carolina mantém a pertinência dos curtos rasgos dialogais. Enquanto Rafael beijava as cuecas, junto ao sexo dela, a mulher provocava o seu amante. Na verdade, ele passou a tarde inteira a imaginar a forma como iria receber Alexandra. Com dois dedos, Rafael puxa as cuecas para o lado.
- Ohhh!!...Era ela...Era ela que querias foder aqui...
- Sim...era!...
Ele entra no jogo e quando descobre os lábios vaginais de Carolina, lança o que a sua imaginação processa. Passa levemente a língua pela fenda erógena da mulher jovem e ergue o olhar.
- Ias meter-lhe os dedos?...Assim?!...
- Não!...
- Então?!...Uhm?!!...
- Ia encostá-la aqui...Exactamente como estás agora...
- E depois?!....
- Desviava as cuecas dela e enfiava-lhe...
- O dedo?
- Não!...
- Cabrão!!
Enquanto dois dedos de Rafael escorregam por entre os lábios vaginais molhados, Carolina delicia-se com a água que lhe escorre pelos cabelos, pelos ombros, pelas costas, pelos seios ainda cobertos pelo soutien. Ele masturba-a, mas não deixa de atentar no que a amante poderá estar a imaginar sobre a sua irmã.
- Não a tocavas?!...
- Eu sei que ela ansiava para que eu a penetrasse...Para que eu a fodesse assim de pé...
- Estás a mentir!... A minha irmã gosta de ser tocada..ohhh...assim como o estás a fazer...
- Ela já não precisa...
- Porquê?!...Ohhh!!
- Ela já se tocou... Enquanto estava ao telefone comigo...
- Aaahhh!!...
Rafael volta a escorregar a lingua pelos lábios vaginais inchados de Carolina, roçando brevemente pelo clitóris. Apalpava com a mão direita as nádegas redondas dela, ao mesmo tempo que a mulher colocava a perna esquerda sobre o ombro dele. O duche era mesmo relaxante. Parecia que ela era lambida por debaixo de uma cascata surreal.
- Vou fodê-la... Vou penetrá-la profundamente até sentir que ela treme toda...
- E depois?!...Ohhh... E depois??...O que lhe fazes, Neves?!!!
- Vou agarrar-lhe os seios e prolongar aquela tesão toda. Vou encher-lhe a rata e não saio...
- Ohhh....mais...mais!!!
- Ela vai sentir-se cheia...vai querer que eu me venha...
Nos intervalos em que Carolina geme, Rafael coloca a boca na rata da mulher. Puxa o clitóris dela apenas com os lábios e suga toda a excitação da mulher. Ele sente-la frenética. Sente que ela está a vibrar em toda a pele, em cada pedaço do seu corpo. As mãos dela seguram o cabelo dele pela nuca. Empurram a cabeça do homem para dentro de si. E quando a língua invade a doce profundeza de Carolina, ela solta um gemido forte.
- Ohhhh!...Cabrão!...Vais comê-la por trás?
- Uhmmm...Sim!...Vou virar o corpo dela, passar os meus dedos por entre as pernas....uhmmm... e sim...Vou enchê-la por trás...
- Aaahhh...oohhh...és louco!...Ohh...És louco!
- Sim...e eu vou fodê-la até ela gritar! Vou encher as minhas mãos com as mamas...
- Cala-te!...Ohhh...Cala-te e come-me...Come a minha rata, por favor!!
Rafael está excitado com a cena. O corpo encharcado e húmido de Carolina. A posição que ela ostenta. A entrega que ela se predispõe ao ter a rata mesmo diante da boca do amante. Quando a mulher alcança o auge da sua excitação, ele enterra a boca ainda com mais intensidade. A tensão na perna de Carolina é evidente. Ela está a vir-se. E não sabe se é a forma como a língua dele invade a sua vagina, se são os dentes dele que seguram o clítoris inchado, se é a imaginação dela que a transporta para um estado de demência excitante. Imaginar a irmã a ser penetrada e tocada naquela cadeira inovadora, deixa Carolina fora de si. Mais do que ciúmes, mais do que a ideia de que tal poderá mesmo vir a acontecer. A irmã de Alexandra adorava estar presente para ver a cena. Talvez a excite mais do que aquela masturbação fenomenal.
Rafael entrega-lhe uma toalha. Ela tomou um duche peculiar. Com alguma vergonha, ela retira as cuecas. O clima intenso já serenou. Ele estava de pé e tirava também as calças, imensamente encharcadas. Olhava para a sua amante, que se despe totalmente, ao tirar o soutien. As mamas molhadas dela transpiram sensualidade. Mas tudo parecia aligeirar.
- Desculpa!...Não posso mesmo faltar...
- Se tens que ir...
- Tenho...E acredita que adoraria ficar aqui...
Carolina acaba de se limpar com a toalha e vai buscar as suas roupas. A caminhar nua pela casa do jacuzzi, ela sabe que a irmã pode surgir a qualquer momento. Afinal, a mulher jovem está definitivamente com pressa. Mais do que uma rapidinha. Carolina trouxe Rafael para um devaneio emergente. E a masturbação que ele lhe ofereceu foi uma ofertada minada. Ela volta a aproximar-se dele e arranca-lhe um beijo. Ele olha para ela, sabendo que raramente teve tanta excitação com um minete. A sua efémera amante volta a sair do seu espaço, encantada com a magia do jacuzzi.
-//-
O homem mantém os boxers. Ainda não teve a astúcia de os retirar. Aguarda pelo melhor instante para o fazer. Está sentado no pequeno degrau da piscina redonda. A água borbulha no seu peito. O ar está imensamente húmido, tornado a respiração um processo mais rígido. Sobre as suas coxas, Rafael tem a jovem mulher sentada ao seu colo. Alexandra chegou sete minutos depois da irmã ter abandonado o topo do Edifício Magnólia. Os braços da irmã mais nova de Carolina apoiam-se nos ombros do inquilino. Os cabelos de Alexandra ainda estão secos, apesar de carregarem o vapor do ambiente. Ela está nua, tendo espalhadas no chão as suas roupas. A jovem amante do professor de equitação está impaciente. Aguarda pelo momento em que ele lhe possa entregar o prazer que está implícito na sua face. Eles trocam o olhar, parecendo comunicar desejo entre ambos. As mãos de Rafael, que seguram as costas macias dela, deixam o corpo dela pender para trás. Os enormes seios de Alexandra apresentam-se viçosos e entesados, perante a atenção do homem. Ela deixa que o cabelo mergulhe na água. Jamais ela poderia imaginar um lugar tão intenso, como o jacuzzi onde Rafael a trouxe. Ele descreveu-o ao telemóvel, duas horas antes. Disse-lhe que era possível concretizar as fantasias sexuais que só residem nos sonhos que ocorrem em ilhas paradisíacas. Os dedos de Alexandra cruzam-se por trás do pescoço do homem, suportando peso do seu corpo que quase flutua na linha de água borbulhante. O sexo do homem roça por entre a sua rata, mas ainda cobertos pelo pedaço de tecido. Ele não consegue descrever para si mesmo o calor que brota daquela vagina. Ela olha para a janela surreal e apercebe-se do cair da noite. Inspira fundo e cerra os olhos.
- Fodeste-la mesmo?...
É inevitável. Carolina era incapaz de suportar estar cinco minutos sem contar à sua irmã a aventura que teve com Rafael. Mas era também incapaz de lhe contar tudo o que ocorreu dentro daquele espaço. É esse desconhecimento que faz palpitar o íntimo de Alexandra.
- Diz-me...Fodeste-la aqui?...
- Sim...
- Aqui?!!
- Sim...Comi a tua irmã dentro desta piscina....
- Como?
- ... Como?!!....
Alexandra ergue de novo o corpo dela. Coloca o peito saliente e palpitante junto à cara de Rafael. Acaricia levemente os cabelos do homem, mas não deixa de transparecer um ar apreensivo. A curiosidade devora o seu estado. A mão do professor escorrega por debaixo da água nas coxas fofas da jovem. Vazia de roupa por entre as pernas, Alexandra sente os dedos do amante a roçarem nos seus lábios vaginais.
- Ela pediu-me...
- Pediu o quê?
- Estava demasiado entesado para não o querer...
- Pediu o quê, Neves?!...
A ansiedade acumula-se no peito de Alexandra. A mão esquerda de Rafael apalpa o seio dela, esfregando o bico entesado na palma da mão. A mão direita já se apoderou do sexo feminino. E o leve gemido dela estava no intervalo entre a surpresa da acção que possa ter decorrido com o amante e a irmã, e a introdução do polegar masculino dentro da sua rata inchada. E assim que o dedo escorregou profundamente na vagina, ele olhou a jovem com um toque de malícia.
- A boca dela sugou-a...Uhmmm...Tinha assim os lábios como os teus...
- A minha irmã pediu para te chupar?!!!...
- Sim....
- E ela -lo?!
- Sim...
- Aqui?!!...
- No preciso sítio onde estou sentado...
- Não pode ser....
- Durou alguns segundos. Mas ela aguenta muito bem com a cabeça debaixo de água....
- Gostaste?!...Uhmmm?!!...
- Ser chupado debaixo de água?...Delirei...
E agora Alexandra era possuída por uma fantasia emergente. Uma ideia chocante, na medida em que parece ter sido estonteante, ver Carolina chupar aquele homem, em lugar tão inusitado. Mas Rafael estava a ser trapaceiro. Nada daquilo tinha acontecido. Mas enquanto o polegar fazia curtas viagens dentro da rata de Alexandra, ele não deixava de pensar que poderia ter sido poderoso receber sexo oral da mulher jovem. Talvez tão bom como sentir os lábios carnudos de Alexandra a abocanharem a sua picha. Todavia, neste instante, Rafael está entretido com a rata daquela irmã. E ele sente que pode continuar assim até anoitecer por completo. Penetra várias vezes por entre os lábios grandes e estimula o sexo de Alexandra.
- Ohhh...isso sabe bem, Neves....Uhmmm....Não pares!...
- Ela também não queria que eu parasse.
- Quando?!! Também a masturbavas?
- Não...
- Não?!...Uhmmm...oohhh...não lhe meteste os dedos??
- Só quando a penetrei...
- Fodeste-a mesmo!...Ohhh....
- Claro que sim....Achas que conseguia resistir àquele rabo?
- Vocês são mesmo...ooohhh...Podiam ter esperado por mim....
- Sim...podiamos...Mas eu queria enchê-la...
Alexandra procura ter uma ideia concisa do que pode ter acontecido naquela piscina. Mas não importa o que ela possa imaginar, nunca irá passar disso. Uma intensa e pródiga imaginação. Mas dentro daquele jacuzzi climatizado, só Rafael sabe o que verdadeiramente aconteceu. No entanto, a ideia de ter Alexandra na sua mão, entesada e devota ao seu desejo, -lo prosseguir a inofensiva mentira. Retirou o polegar de dentro da rata dela e introduziu dois dedos.
- Encostei-a aqui ao muro. Ela quase que se deitou....Consegues imaginar?....
- Sim!!....uhmmm...Sim...Não pares...
- Segurei o rabo dela e acaricei-o...A tua irmã tem um....
- Eu sei!...Uhhmmm...Eu sei..ooohhh...está a saber tão bem!!....
- Foi tão fácil enchê-la....Se tu visses...Escorregava...
Rafael apercebe-se que é mais fácil pôr qualquer uma das irmãs fora de si, se colocar a presença da peculiar cara metade, no meio da cena. Ele deixa o polegar esticado enquanto Alexandra cavalga sobre o colo do amante. O inquilino não conseguia deixar de sorrir, ao mesmo tempo que os seus dedos faziam palpitar a rata da jovem. Ela cerrava os olhos e imaginava a irmã a ser comida naquela piscina.
- Ela gemia...Ela gritava...Ela chamava-me nomes...
- Ohhhh...
- Eu sentia-me apertado e empurrava o corpo dela contra a parede...
- Neves!...Ohhh...Tão bom!!....
- Estava tão excitado...O rabo dela apertava-me...E houve uma altura em que não consegui parar...
- Vieste-te nela?!...Ah?!...Vieste-te nela?
- Vim-me em cima do rabo dela...
- Ohhhh!...Neves...Uhm...Neves!!... Ahhh!!
Ela descontrola-se. Não pára de cavalgar e abraça-se ao homem. Os seios grandes de Alexandra apertam no pescoço do professor enquanto ela se vem com a masturbação profunda e intensa dele. O polegar roça no clítoris redondo e duro da jovem. Na mente de Alexandra está a ideia da pele suave da irmã a ser salpicada com o sémen do amante que ela partilha. Ao invés, Rafael sente o suco vaginal da convidada a misturar-se com a água da piscina. As paredes do sexo feminino palpitam contra os dedos dele e quanto mais ela salta, mais a bolinha entesada de Alexandra roça no dedo de Rafael e mais a excitação a arrebata. Ela tenta apertar as nádegas, tenta apertar-se contra o corpo dele, tenta suportar a tesão que invade o sexo. Na humidade que se apodera da casa do jacuzzi, a carga sexual era frenética. Rafael acaba de masturbar a duas irmãs num espaço reduzido de tempo. Ele nem sequer quer tentar comparar com a primeira noite com as duas mulheres. Possuí-las e fazê-las vir-se em tempos diferentes tornou-se épico. Acordar as fantasias mais profundas, mas ainda assim mais familiares das irmãs revela-se grandioso. E ainda que tudo não passe de duas grandes mentira, é inegável que os três amantes envolveram-se como se estivessem juntos. Alexandra quase viu a irmã se penetrada analmente, numa posição excitante. Carolina tem quase a plena ideia de que a jovem irmã foi penetrada duas vezes na mesma cadeira onde ela se veio. E no fundo, Rafael sentiu que podia mesmo ter possuído as duas mulheres. A seu tempo, as duas irmãs vão confrontar a ténue linha entre realidade e fantasia. Mesmo que não tivesse usado o seu pénis excitado e imponente, Rafael tem a certeza que dificilmente poderia ter levado aquele fim de tarde para uma experiência tão intensa e prazeirenta.

sábado

Meia-noite e dois

Publicado a 08-08-2008
Sábado. Quase Domingo. Um balançar entre uma noite cheia de desejos e uma madrugada por preencher. Ninguém parece gostar de adormecer cedo num Sábado à noite. Tem que haver um programa. Algo tem que ser diferente de uma noite ocasional de semana. Encontrar amigos, jantar fora, beber um copo, conhecer pessoas novas, experimentar sensações diferentes, viver emoções fortes. A noite de Sábado tem que acontecer. Quanto mais não seja para sentir que o mundo ainda gira. Rafael preenche a sua noite. No sofá da sua sala de estar, ele acaricia os cabelos lisos creme de Alexandra. Os olhos da jovem brilham. São uns olhos redondos, vivos, intensos. Os lábios dela palpitam. Ela anseia um beijo. A mão do homem a encher o seu seio volumoso é apenas um pormenor que Alexandra deixa que ele desenvolva em si. O desejo invade-a e o olhar penetrante de Rafael não a deixa sequer respirar. Ele quer esquecer a verdadeira motivação para querer a presença da jovem na sua casa. Ele quer viver a noite de Sábado como um sonho. Ele quer achar que aquilo é um desabafo instintivo da sua mente. Quando ele acordar, terá tempo para pensar no que fere o seu coração. Por agora uma anestesia toma conta do seu corpo. Os lábios colam-se. E uma mão desbrava caminho pela perna dele, em direcção ao fecho das calças. Porque a sua noite não podia ficar vazia.
--
Foi duro. Pegar a chave da porta de entrada do Edifício Magnólia e dar de caras com a presença de Ana, a atravessar o passeio da rua, tornou-se uma crueldade indelével. Na ténue luz que marcava a sua postura, Rafael amolecia os seus gestos, na tentativa de que a sua vizinha denotasse que ele estava ali. Ana estava encantadora. Ousada, sensual. Vestia a sua máscara nocturna e ainda lançava as primeiras lufadas do seu charme. Ela tinha saído do estabelecimento do rés do chão do prédio e aguardou no lancil do passeio. Um carro preto, luxuoso, arrebatador esperava por ela. Um motorista abria-lhe a porta traseira do carro e ela entrava delicadamente. Antes de se sentar, Ana conseguiu avistar Rafael. Um olhar sinistro marcou a comunicação silenciosa entre ambos. A agenda da acompanhante continua preenchida. E a sua noite de Sábado reservava-lhe um cliente sumptuoso. Era como uma faca que atravessava as vísceras do instrutor. Mais do que vazia, a noite de Rafael parecia agora uma penumbra.
Um homem assim não adormeceria ferido de solidão. Não se fecharia no seu casulo num Sábado à noite, atormentado pelas suas mágoas apaixonantes. Rafael voltou a fechar a porta do Edifício e deixou-se atrair pelo movimento do Espaço Magnólia. Cheio. Carregado de pessoas que antecipavam uma noite de discoteca, de bares na baixa da cidade, de quartos quentes de paixões partilhadas. Assim sempre foram os serões de fim de semana neste lugar. Um aperitivo para fantasias. Rafael abriu a porta do estabelecimento climatizado e cruzou-se com pessoas que dificultavam a chegada até ao balcão. Vislumbrou a vizinha que mora por baixo de si e tentou desvendar o que procurava ela. Deu um encontrão no ombro de um homem com dois ou três martinis bebidos a mais para aquela hora. Apertou a mão a Vasco que tentava a custo atender a todos os pedidos. Na distracção de tanta envolvência, deu um encontrão a uma mulher jovem que como ele, tentava encontrar o caminho mais fácil para chegar ao balcão. Ele procurou pedir desculpa, mas ela lançou-lhe um olhar desinteressado. Rafael sentou-se finalmente no balcão e desviou o olhar dela. Pediu uma bebida e ansiava por encontrar um objectivo. Raramente ele viu o Espaço Magnólia tão cheio. A cabeça dele girava e criava uma imagem do que o envolvia. Subitamente, havia um olhar que se fixava a si. Carnalmente sorridente. Ingenuamente atrevido. Descaradamente persuasivo. Rafael recebeu a bebida, pegou nela e levantou-se do banco junto ao balcão. Cinco passos e ele alcançou a mesa. A jovem até levantou a cabeça para fixar a imagem dele. O homem até aguardou uns segundos. Mas o resto, foram apenas pormenores. Rafael conseguiu sentar-se na mesa dela.
Havia uma música envolvente. Alcançava o espaço que existia na mesa, que criava uma bolha invisível. A confusão de todo o estabelecimento parecia um som de fundo. Rafael já estava enfeitiçado.
- ...Alexandra.
- Rafael, muito prazer.
- Veremos...
- Tens um sorriso fascinante.
- É essa a frase que usas para engatar mulheres num Sábado à noite?
- Não preciso de engatar. Isso é para frustrados.
- Ai é?! Então o que estás a fazer?
- A corresponder.
- Desculpa?!!
- Estou a corresponder ao sorriso deslumbrante que me lançaste quando estavas a olhar para mim.
- Eu não estava a olhar para ti...
- Estavas...
- Não. Não estava.
A jovem parecia mais distante do que à primeira vista ele tinha deduzido. Ela não recusou que ele se sentasse. Ainda assim, parecia reservar algo só para si. Alexandra ainda guardava um ar excitante, confiante e ainda assim, meigo. A nova companhia de Rafael não parecia querer afastá-lo, mas fazia questão de se mostrar complexa. A conversa desenrolava-se. Por vezes, o olhar dela evadia-se. Mas cedo ele a recuperava. Passo a passo, ele assumia o controlo. Com o olhar fixo nela, o homem pincelava a conversa.
- Isto é mais um sitio para tomar o pequeno-almoço e apreciar o amanhecer... - disse ele.
- E moras aqui?
- Três andares acima...
- A sério?! Curioso.... Mas parece ser um sitio muito....
- ...Se soubesses o quanto ficava bem se desprendesses o cabelo...
E Alexandra bloqueia. O elogio inusitado arrepiou a coluna da jovem até à nuca. Agora, Rafael sabia com o que podia contar. Alcançou um ponto nevrálgico na auto-estima de Alexandra e arrebatou a atenção dela. Nervosa, ela tentou dissipar o seu olhar. Virou os olhos para a esquerda, para a direita e depois para trás, directamente para o balcão. Desta vez, Rafael também olhou. O balcão já estava vazio.
- Estás com alguém? - pergunta o homem.
- Não!...Eu vou só à casa de banho....
Atrapalhada, Alexandra levantou-se. Seguiu imediatamente para a casa de banho feminina, com ar empolgado. Sem hesitar, Rafael levantou-se também. Acompanhou de perto o passo da jovem, por entre a confusão do Espaço. Assim que a porta encerrou, ele olhou para o redor, evitando que alguém percebesse a sua intenção. Ele volta a abrir a porta e invade um espaço que não lhe pertencia. Instintivamente, confirmou que ninguém entrava. A porta da primeira cabine estava entreaberta, a segunda estava fechada. Por uns segundos, a sua mão abriu-se, querendo tentar empurrar a porta. Ainda assim, ele hesitou.
- Alexandra?.....
Não se ouviu uma resposta. Pelo menos verbal. Ouviu-se um leve tossir. Rafael assumiu-o como uma confirmação de presença. Encostou-se junto à porta e soltou um forte suspiro.
- Deixa-me levar-te ao meu apartamento... Ao terceiro andar... Eu sei que estavas a olhar para mim... Eu sei que houve qualquer coisa ali... Não estou a tentar engatar-te... Há coisas que não se podem evitar e eu sei que sentiste o mesmo que eu... Vem comigo... Ofereço-te um copo...ofereço-te as minhas mãos... eu sei que vais gostar das minhas mãos... Se soubesses como elas te podem dar prazer... Deixa-me desprender o teu cabelo... Desprender a tua roupa.... Bolas...deixa-me ser teu...por esta noite... Há qualquer coisa, não há?... Não estou enganado... Eu desejo o teu corpo, os teus lábios... Eu sei que há qualquer coisa nos teus lábios... Eu estou excitado, acho que tu também estás.... Vá lá, Alexandra...Abre a porta e sobe comigo... Sobes? Eu conto-te como a minha mente te está a imaginar...
00:02 - Enquanto não obtivesse uma reacção, Rafael não se iria calar, nem tão pouco sair daquela casa de banho. Mas houve um ruído. O trinco da porta rasgou as palavras do instrutor. Lentamente, a porta abriu-se. Rafael afastou-se e não escondeu alguma ansiedade. Dentro da cabine, saiu uma mulher efectivamente excitada. Mas não era Alexandra. Era a jovem mulher. Aquela que - quando ele entrou no Espaço - procurava o caminho para o balcão ao mesmo tempo que ele. Afinal, ele não estava a falar para a jovem que que estava sentada consigo. Estava a libertar palavras excêntricas para uma mulher que lhe fazia lembrar Alexandra. O cabelo, os contornos da face, os olhos. Os olhos redondos, vivos, intensos. Em tudo semelhante à jovem que ele procurava alcançar. Ainda assim, esta mulher parece ter bebido as palavras quentes de Rafael. Na verdade, ela estava mesmo excitada. Era perceptível nos seus lábios finos, húmidos e palpitantes. A mulher saiu da cabine, não sem antes lançar um olhar interessado em Rafael, como que a dizer "Eu aceito". Ele estava atrapalhado, sem perceber ao certo o que estava a acontecer. Ela foi dirigindo-se para a saída da casa de banho, num passo provocante, com as nádegas redondas a sobressaírem ao olhar do homem. Entretanto, da primeira cabine com a porta entreaberta, apareceu delicadamente Alexandra. Depois da outra mulher ter saído, ele lançou o olhar à jovem que ele cobiçava. Algo demasiado estranho e embaraçoso estava a acontecer. Mas a explicação foi curta e eloquente.
- Rafael... apresento-te a minha irmã Carolina...
E um sentimento perverso e alucinado invadiu a mente do instrutor. Nada do que Rafael tinha imaginado se podia comparar com a transformação excitante que ocorria dentro de si e que Alexandra parecia entender.
--
É a mão de Carolina. Desaperta as calças de Rafael e procura acariciar o tecido dos boxers dele. Ele troca a língua com a irmã da jovem mulher. Um beijo macio, envolvente, assertivo. Porque ninguém esconde o que quer. Carolina transpira uma sensualidade inusitada. Desenha em si uma beleza misteriosa, um olhar desgarrado, um sorriso surreal e uma empatia estranha com a irmã. Alexandra expõe os seus enormes seios ao homem que a enfeitiçou no café. Florescem do top vermelho decotado que ela ostentou no bar. São mamas descaídas mas formosas. Curvilíneas mas cheias. E enquanto as mãos de Rafael lhe enchem o peito, a sua irmã - quatro anos mais velha - retira o pénis do amante dentro dos boxers. Segura-o com vigor, aperta-o, faz com que ele inche, masturba-o, dá-lhe satisfação. Apesar de sentir o entusiasmo a eclodir num ponto específico, Rafael mantém a concentração e mima Alexandra. Acaricia os seus cabelos com dois dedos, apalpa os seios quentes femininos de uma forma terna e brinca com os lábios carnudos e vermelhos da jovem. As línguas envolvem-se e a tesão aumenta.
É a mão de Alexandra. Detém agora o sexo masculino na palma da mão. Aperta ligeiramente os testículos e procura segurar a excitação dele. O olhar da jovem prende-se à face dele. Os seus lábios palpitam, desenhando ao mesmo tempo um sorriso perverso. Carolina ocupa-se. Enche a boca com a carne erógena do homem que aceitou receber duas mulheres em sua casa. Não será a primeira vez que Rafael partilha prazer com duas mulheres ao mesmo tempo. Mas isto é inédito. Duas irmãs, cúmplices, sensuais, conscientes, maduras. Uma experiência assim complementa-se na frieza com que ele encara os sentimentos nesta noite cruel. A boca fina de Carolina chupa o seu pénis. O pescoço dele exerce um movimento que pretende proporcionar um deleite fantástico ao anfitrião. Ela tem os olhos fechados e solta breves gemidos. O broche está a ser delicioso, a jovem mulher lambe a ponta do sexo, mas ele quer mais. Acaricia os cabelos castanhos de Alexandra e exerce uma pequena pressão na nuca. Ela só queria um pedido dele. A exigência dele é um desejo que Alexandra goza. Agora, os lábios carnudos de Alexandra absorvem gentilmente a ponta da picha do instrutor. Agora, ele tem duas mulheres a deliciarem-se com a sua carne inchada. Agora, naquele sofá, a fantasia mistura-se com um deboche sensual. Agora, o sexo oral pratica-se a duas bocas, a quatro mãos, a duas línguas que brincam incessantemente com a tesão de Rafael.
É a mão de Rafael. Descreve círculos carinhosos com a palma das mãos no rabo feminino despido. Carolina está sentada em cima dele. Da cintura para baixo, a suavidade da sua pele deixa transparecer o sexo húmido, as pequenas pernas e o rabo largo. São duas nádegas salientes, macias, mas cheias. Ele apalpa-as, decorando as formas excitantes. Da cintura para cima, Carolina veste ainda a camisola ousada. É uma lã suave. Resguardou a brisa nocturna, mas não conseguiu esconder os seus mamilos entesados. Os bicos parecem querer furar por entre os fios brancos da peça de roupa. Rafael olha para eles com desejo. Surgem deliciosos, perversos, sedentos. E cedo aquela camisola de lã prostrará no chão e será testemunha da degustação da boca dele nos seios pequenos mas sensuais da jovem mulher. Ela está aberta. Os seus joelhos fincam nas almofadas do sofá. As suas virilhas roçam nas coxas do homem. E o sexo dele já entrou três vezes com vigor dentro da sua rata. Ela pula sobre ele com ligeireza, com encanto, com devoção, com uma imensa vontade de prolongar aquele momento. Alexandra ainda se mantém sentada ao lado do amante e da irmã. Já ergue o corpo depois de ter chupado com intensidade o sexo de Rafael. A sua face desvenda os restos do prazer obtido. Tinge a pele macia dela com um fio que flui pelas suas bochechas fofinhas. Ao olhar para a sua irmã, Alexandra descobre que o prazer foi distribuído. Não há tempo para limpar, para retirar aquilo que já foi gozado. A mão dela acaricia o peito do amante e cedo a jovem perceberá o seu lugar nesta inusitada orgia.
São as duas mãos de Rafael. Estão ocupadas e cheias de carne erógena. A mão esquerda continua a apalpar o rabo de Carolina, incitando-a a cavalgar sobre o colo dele. O sexo do instrutor penetra profundamente na vagina da jovem mulher e ouvem-se alguns gritos vindos da boca dela. Os olhos de Carolina cerram e os seus seios bicudos, com o movimento do seu corpo, tocam ligeiramente no rabo da sua irmã. A mão direita de Rafael apalpa as mamas de Alexandra. O seu braço ergue-se por completo. A jovem está com ambos os pés colaterais ao abdómen do amante. Agora nua, ela coloca-se com os joelhos ligeiramente dobrados e colados ao encosto do sofá, aproximando a sua cintura à cabeça de Rafael. Os cotovelos dela fincam no cimo da peça de mobiliário enquanto ele procura com algum custo tocar a rata de Alexandra com a língua. O envolvimento a três prolonga-se numa acção dividida em vários estímulos sensuais e excêntricos. Carolina está prestes a vir-se, com o pénis inchado a fazer sucumbir o sexo feminino que pede um pouco mais, conforme os pulos progressivos que o corpo desenvolve. Alexandra está entesada. As suas mamas estão rijas e acariciadas. A sua rata parece volátil às lambidelas que proporcionam uma sensação intensa e latejante, desde o clitóris até ao cérebro. Rafael, esse, incorpora-se numa fantasia surreal. É difícil ele conseguir manter-se consciente da realidade que ocorre. É difícil ele procurar uma devoção maior a todo o seu corpo. É difícil ele imaginar uma lascividade maior que aquela. As duas mulheres absorvem as suas energias. As duas jovens engolem o corpo dele, retirando todo o poder sexual e físico do instrutor. Alexandra e Carolina entregam os seus orgasmos ao homem, numa transmissão fervilhante. Desde a ponta dos dedos dos pés da mulher mais velha, deslizando pelas suas nádegas redondas, passando pela picha inchada do anfitrião, suavizando nos seis da irmã mais nova até terminar na explosão libidinosa da vagina dela, onde a língua de Rafael consome a paixão, o desejo e a tesão dos três elementos.
São todas as mãos. Alexandra, Carolina e Rafael unem-se pelas caricias contagiantes das seis mãos, dos trinta dedos e das centenas de pequenos poros que se misturam e absorvem o que a derme do parceiro pode oferecer. Os dedos de Carolina fincam nos joelhos firmes do homem. Ela ainda está sentada no colo dele. Mas desta vez, vira as suas nádegas salientes para a cintura dele. O seu corpo pende ligeiramente para a frente e os seus seios pequenos mas bicudos balançam ao sabor das penetrações do instrutor de equitação. Rafael tem o tronco erguido. As suas mãos seguram-se com dedicação às ancas da mulher. Apalpa-lhe as nádegas e penetra por entre a carne erógena. Com poucas contemplações, ao ritmo dos gemidos intensos de Carolina, ele invade o ânus dela com virtuosismo. É frenética a forma como ele sente que a jovem se dilata para o receber. Alexandra pressente a intensidade do momento. Ouve cada tom de voz que se liberta da boca da irmã. Vibra com a forma como as mãos dele se apoderam do rabo de Carolina. Delicia-se com a forma como o seu corpo ainda treme do último orgasmo, da sua rata a ferver, da tesão que o seu peito ostenta, ao sentir toda esta orgia. Ajoelhada em cima da almofada, ela coloca-se ao lado do casal de amantes que se une e divide a atenção das suas mãos. A palma da mão direita acaricia o braço da sua irmã. Atenciosamente, ternamente, intrinsecamente. Os dedos da mão esquerda viajam entre o peito impulsionado de Rafael e a nuca dele. Caricias intensas, selvagens e aguerridas. Alexandra sacia por mais. Exige mais. Suplica por uma repetição prazeirenta. Aproxima a sua face para o beijar, para trocar com ele as línguas escaldantes. A boca dela sabe ao orgasmo dele. A boca do homem tem todo o suco intimo dela. Enquanto a mulher mais velha se infiltra numa sensação de prazer enlouquecido, Alexandra volta a reunir as suas mãos e colhe as mamas enormes com a derme da palma. Apalpa-as, brinca com elas, aperta os mamilos. Rafael atenta a estes gestos e ao mesmo tempo que entra com alguma dor no rabo de uma das amantes, abre a boca para devorar um dos seios de Alexandra. Ela cerra os olhos. Geme. Deixa-se levar pelo hipnotismo de todos os sentidos. O que ouve, o que toca, o que cheira, o que não vê mas imagina. Os lábios e a língua de Rafael deliciam-se com o peito suave, meigo mas estupendamente voluptuoso da jovem. Carolina não aguenta. Finca as unhas na pele das coxas dele. Grita num tom de voz implorável de desejo. Flecte todos os músculos, prendendo a energia numa imensidão de delírio físico. Carolina sente o seu interior a arder. Sente as nádegas vibrar. Os seus olhos também cerram. Mas quando ela movimenta a mão esquerda para se segurar à irmã, pressente algo mais ali. Um braço. Outro braço. Entre as pernas de Alexandra, a sua mão aperta com entusiasmo o pulso de Rafael. Ele acaba de a penetrar com dois dedos na rata e um no ânus. Ele masturba a jovem de uma forma ainda mais intensa do que penetra a irmã dela. Mais uma vez, a orgia borbulha numa explosão. Diversas acções não permitem distinguir sentimentos e sensações. Rafael, Carolina e Alexandra tornam-se num único elemento de prazer. Ainda assim, eles nunca se tinham visto até esta noite.
Rafael procura perceber quem tem diante de si. Duas irmãs. Com idades ligeiramente separadas, mas com um envolvimento muito forte entre ambas. Não é só a semelhança física que as aproxima. Os gestos, a voz, a forma de agir parecem uma só. As partilhas, as emoções e as convicções também se assemelham. É evidente que não é a primeira vez que as duas mulheres partilham o mesmo homem. Ao mesmo tempo. É possível que já tenha havido um beijo. Numa hipótese remota, o envolvimento carnal pode ter acontecido numa experiência de descoberta. Mas pelos vistos, as jovens mal se tocam. Respeitam o espaço de cada uma. Não misturam desejos. Há realmente toques. Os corpos nús chegam a roçar-se. Mas tudo desprovido de paixão carnal, lésbica e incestuosa. Rafael entende que a fantasia não irá mais longe que isto. Ainda assim, o maior envolvimento entre as duas irmãs, está nos olhares silenciosos e lascivos que trocam. Elas devoram-se mutuamente pela força da mente, porque procuram o mesmo proveito.
A noite é longa. Só pode ser longa. As sensações não se esgotam. Desvanecem. Querem adormecer na profundeza do cansaço. Testemunham o arrastar da hora desta madrugada frenética. Os orgasmos incontáveis colam-se ao suor dos três corpos. O homem e as duas irmãs terminaram a noite nús. Estendidos no sofá que jamais experimentou tamanha ousadia. Elas entendem a ocasião da noite. A perversão da sedução no Espaço Magnolia transportou-as para momentos sexuais indescritiveis. De manhã tudo isto não passará de um sonho. Talvez uma fantasia. Delicadamente uma aproximação real de desejo. Certamente uma surrealidade. Assim, em conjunto, Alexandra e Carolina levantam-se exaustas. A noite de Sábado aconteceu. Vai amanhecer. Rafael irá acordar de uma madrugada em que não dormiu, em que se entregou, em que rendeu-se aos fantasmas que o assolam, em que bebeu o deboche apaixonante. Rafael irá acordar e perceber que Ana não adormeceu ao seu lado. Nem na sua cama, nem no apartamento ao lado. Rafael irá acordar e tentar esquecer que a noite de Sábado foi demasiado real.

quarta-feira

Nove menos um quarto

Publicado a 18-07-2008
- Bom dia!
- Olá!...
Há coisas que não têm preço. Há sentimentos que não podem ser contratados. Há emoções que não se encomendam num catálogo, num anúncio, num boato. Há gestos que só acontecem uma vez na vida e não voltam a ser repetidos. Rafael acorda com uma pintura genuína, única, incomparável, para sempre sua. Ana é uma mulher especial. Veste uma máscara à noite que é difícil de vestir ao vulgar humano. Despe essa mesma máscara na certeza das suas convicções. Aquilo que ela entrega ao vizinho, quando a mão percorre o peito dele despido, quando a face dela se aproxima do ar ensonado dele, quando o sorriso da jovem é um dom sublime, é a sua pessoa. Pura e crua. Sem máscaras. Porque aquilo que ela veste num dia normal, não é mais do que a riqueza da sua personalidade genuína. Completamente nua, colada ao corpo dele, Ana acorda o seu amante, após uma noite incompleta, em que adormecer na casa dele foi um passo de gigante. Ana e Rafael não são namorados. Não têm compromissos. Recusam-se a afastar-se das suas rotinas, demasiado vincadas nas suas vidas. Mas esta noite, ela adormeceu na casa dele. Ele aceitou. Comprometeu-se a acordar com ela. Ao lado dela. Junto a ela. Colado a ela. Algo mudou. Mas nem eles parecem ainda ter aceitado que mudou.
- Está a ser assim tão difícil? - pergunta ela.
- O quê?
- Acordar com companhia?
- É complicado... Quando encontro um sorriso assim...Por mais complicado que seja, é arrebatador. És linda, Ana.
- Estarias disposto a dizer-me isso todos os dias?
- Não sei... Estarias disposta a adormecer todos os dias comigo?
- Possivelmente...
- Como ontem, não é?
- Estás a queixar-te?! Vim aqui ter contigo, não vim? Toco à tua campainha, estavas quase a adormecer no sofá, faço amor contigo, tomo um banho relaxante ao teu lado, adormeço na tua cama e ainda te estás a queixar?...
- Tendo em conta que vinhas de um cliente... sim, estou a queixar-me.
- Não aconteceu nada, Neves...
- E estás à espera que isso me faça sentir melhor?!
- Porque é que estamos a discutir?... Estamos outra vez a discutir! Eu pensava que queríamos acordar juntos.
- Eu não quero discutir.... A noite de ontem já passou, já não se pode voltar atrás...
- Sim, tens razão... A verdade é que sabe bem estar aqui contigo.
- Em que sentido?
- Como assim?!... Quantas vezes acordas e podes dar tanto valor a pequenas coisas como partilhar um beijo?... Tomar o pequeno almoço a dois, sentir-te assim nu....sentir-te assim entesado....
Os seios redondos de Ana deslizam pelo tronco firme do homem. A mão dela já acaricia o sexo hasteado dele. O olhar da jovem fixa-se naquele pedaço de carne delicioso. E os lábios da amante de Neves palpitam de desejo. Ela deita-se de lado na cama e coloca a sua cabeça junto à cintura do instrutor. Os dedos tenazes da mão esquerda dela agarram o pénis com sabedoria e convicção. Os dedos delicados da mão direita acariciam as bolas do homem. A boca doce e carinhosa engole com suavidade e vagarosidade a carne que se deita sobre a língua dela. Tudo junto, demonstra-se uma dedicação saborosa na forma como Ana pratica sexo oral com uma pessoa que é tudo menos seu cliente. Rafael sabe que vai ser bom. Capacita-se de que a jovem amante desenvolve um gesto apaixonante, logo pela manhã, logo quando uma simples acção significa mais do que qualquer palavra. Ana chupa e demonstra o quanto pode dar-lhe mais. Ana come a picha dele e segura a tesão do parceiro numa degustação soberba e fundamental. Ele ergue o seu tronco e olha com mais atenção ao trabalho efectuado por Ana. Ele vê uma acompanhante a chupar. Ele sente uma amante a consumir-lhe a excitação. Mas ele também sente uma mulher devota, apaixonada, desarmada da sua máscara, desprotegida da personalidade distante que caracteriza a profissão da jovem. A sua mão direita acaricia os cabelos lisos e despenteados e algo gordurosos da amante. A sua mão esquerda segura o seio macio e meigo e puro da parceira. E nesta harmonia e equilíbrio de sentimentos, ele vem-se.
É irresistível cingir o olhar na sensual e ousada Ana. Seja como acompanhante, seja como uma comum jovem citadina e extrovertida. Rafael encostou o seu corpo para trás e apoiou o peso do seu tronco no braço, onde o cotovelo finca no colchão. Ele repara na posição que a amante dispôs, imediatamente depois dele se ter vindo, salpicando-lhe ligeiramente o queixo e de grosso modo, o peito. Repara na sumptuosidade da leveza que Ana assume, deitada de costas para cima, com o rabo suave e ligeiramente elevado - por causa da almofada onde ela colocou a cintura - a reflectir a luz matinal. Repara nos seios dela que descaem como duas gotas cheias e perfeitas e fazem os mamilos tocar levemente no lençol branco. Não consegue esconder a excitação que lhe provoca ver Ana a levantar-se da cama e caminhar confiante em direcção à casa de banho. O corpo nu, a pele límpida e brilhante, as costas sublimes, as nádegas a balançarem suavemente, a cabeça que se movimenta, só para olhar uma vez para trás. Rafael espera por ela. Não consegue deixar de se mostrar estarrecido quando a vê sair da casa de banho, com uma toalha branca a limpar gentilmente as mamas, outrora embebidas do sémen masculino. O pescoço dela está húmido, a face dela solta pingos da água que a lavou, as mãos guardam um aroma refrescante dá água que ela usou. É magnânimo, para ele, trocar um olhar intenso com Ana, enquanto ela se senta. É magnânimo vê-la sentar-se, com a maior calma do mundo, e senti-la pura e simplesmente tranquila.
- Que horas são? - pergunta Rafael.
- São quase nove.
08:45
- Quase nove?!! Estou atrasado! Tenho que ir para o clube...
- Fica mais um pouco...
- Eu não tenho a tua vida, Ana... Eu trabalho de dia... Fazemos assim, vemo-nos logo à noite. Jantamos juntos, vemos um filme e...
- Não posso...
- Não podes??!
Rafael já se levantou da cama. A falta de percepção da hora certa deveu-se ao relaxamento com que encarou esta manhã. Deve-se à abrupta mudança de hábitos matinais, que a presença feminina na sua cama provocou. Ele apressa-se em encontrar as suas roupas no armário e decidir o que coloca primeiro no corpo. Ainda nua, ainda serena, Ana mantém-se sentada na cama, com a toalha no colo, com um pé no chão e outro em cima do colchão, com o joelho dobrado.
- Já tenho um encontro marcado para as sete.
- Desculpa?! Não...repete outra vez que eu não percebi bem...
- Tenho uma pessoa que vai chegar às sete da tarde para um encontro e não sei a que horas..... quando é que consigo libertar-me...
- Estás a dizer que não podes anular um encontro?! Não és tu a tua patroa? Dá-te assim tanto trabalho cancelares...
- Eu tenho um trabalho, Neves! Exige rigor e disciplina! A minha semana já está toda organizada. Como as pessoas normais fazem. Organizam a semana. E tu pedes-me que em cima da hora altere a minha semana!...
- Não te estou a pedir para cancelares a semana toda! Estou a pedir-te que abdiques de certas coisas e te dediques a outras. Estou a pedir-te um pedaço de ti. Estou a pedir-te para ficarmos esta noite juntos e tu preferes dar prazer a um desconhecido.
- Desconhecida....
- Diz?!...
- Desconhecida. É uma cliente....
- Vai-te lixar!
- Neves...tu sabes que é isto que eu faço. Tu já estás atrasado para o trabalho e eu não posso exigir que fiques a manhã comigo.
- Tens razão, não te posso exigir que não te envolvas com outras pessoas. É perfeitamente normal....
- Eu disse-te que não ia mudar o que tinha. Eu já te pedi para mudares por mim?!....
- Adormeci contigo, não adormeci?...
- É diferente, Neves.
- Completamente diferente! Já percebi que podemos comer quem quisermos... Já percebi, Ana...
O instrutor acaba de se vestir. Entra na casa de banho e acaba os últimos preparativos, antes de seguir caminho em direcção ao trabalho. Regressa ao quarto e pega nas chaves de casa. Lança um olhar frio à jovem que se mantém calma na margem da cama. A postura dele é apressada. O olhar é cabisbaixo. Os nervos estão à flor da pele. Finalmente, ele pega na sua mochila e caminha em direcção à saída do quarto.
- Não tenho aqui um duplicado das chaves...Por isso fica à vontade, mas quando saíres confirma que a porta fechou... Até amanhã...
- Estás zangado comigo, é isso?
- Não!...Não estou zangado!...Vai lá ter com os teus clientes.
- Neves!!
- Se ainda tiveres espaço marca comigo para amanhã...Tchau!...
Sem mais. Rafael sai da sua própria casa e deixa Ana entregue a um vazio emocional a que ela se julgava imune. Magoada? Não. Triste? Pouco provável. Irritada? Jamais. Ainda assim, algo se lhe escapou por entre os dedos. E ela não consegue vestir a sua máscara nocturna a esta hora da manhã.

terça-feira

Espelhos d'alma

Publicado a 24-06-08
É noite. Mas ela usa a sua máscara diurna. Ela está em casa. Mas não recebe nenhum cliente. Não é uma noite de folga. Não houve sequer uma escassez de clientes para preencher o serão da jovem acompanhante. Ana cancelou antecipadamente um jantar que tinha combinado com um cliente habitual e vestiu o pijama. Calções e um top de seda fazem transparecer nela um ar tranquilo, sereno e casual. Sentada no sofá, onde dezenas de homens já experimentaram o desejo carnal da mulher sensual, ela procura sentir-se desejada. Volátil. Acarinhada. Ela está em cima do colo de Rafael. Os seus braços envolvem o pescoço do seu vizinho. O seu rabo aperta as coxas do seu amante que não é cliente. E todo o seu corpo roça no tronco do homem que a obriga a despir a máscara nocturna. Porque Ana deseja-o. Necessita da presença dele. Mesmo que Rafael demonstre uma presença fria. Mesmo que o único homem que é capaz de desarmar o carácter confiante e altivo da jovem, não ceda à entrega. O compromisso parece inevitável. Ainda assim, Rafael é um bloco de gelo. Ele acaricia as coxas descobertas de Ana com a mão direita e com a mão esquerda enche o seio dela. A troca de sorrisos é o flash luminoso que faz os dois amantes comunicar em silêncio, até que alguém solte palavras coerentes.
- Sabe bem estar aqui contigo... - confessa Ana.
- E tem sido sempre assim?
- O que queres dizer com isso?
- Tens-me evitado...
- Se te disser que tenho trabalho, talvez soe foleiro...Mas a verdade é que tenho estado ocupada...
Festas privadas, clientes atenciosos e uma panóplia de situações que Rafael não vê e Ana não mostra.
- Passei os últimos dias em casa dos meus pais...Só voltei hoje à tarde e...
- Posso fazer-te uma pergunta?
- As que quiseres.
- Os teus pais sabem?
- De ti?... Queres assumir um compromisso?
- Não fujas ao assunto...
- Eles não sabem que eu sou acompanhante... É a melhor resposta que te posso dar.
- E vives bem com isso?
- Porque não haveria de viver?
- Estás a enganá-los...
- Não os estou a enganar! Sei o que faço. Já sou adulta e sei tratar de mim. Para além disso, é a minha vida, não é a deles.
- És filha deles! Recebes dinheiro por estar com homens que só estão interessados em aproveitar-se de ti.
- Neves! Não vamos voltar ao mesmo. Já te disse o que penso. Eu entendo isto como algo que quero fazer. Não tenho esse direito?
- Não de o esconderes às pessoas que gostam de ti!
- Nunca escondeste um segredo da tua família?!... Aliás, nunca ouvi uma palavra tua sobre família. Não me lembro de te ouvir dizer o meu pai, a minha mãe, irmã, tio, sobrinha....
- Não interessa...
- Como assim, não interessa?! És assim tão frio que não consigas sequer falar da tua família?!
- Sim. Sou. É a melhor resposta que te posso dar.
Ana amua. Ana prometeu a si mesma que iria receber mais de Rafael do que um distanciamento egoísta. Ana procura aproximar-se sem querer precipitar a sua vida. Ana pressente que quanto mais procura chegar à verdadeira alma do instrutor, mais ele se fecha. Ana aproxima-se da face dele e entrega-lhe um beijo seco, para depois sair do colo dele.
- Vou à casa de banho...
É na divisão branca que Ana se evade. Até Rafael já entendeu essa reacção. Assim que algum assunto a incomoda. Logo no instante em que não há mais razão para conversa. No preciso momento em que deixa de sentir um reflexo que a apoie e proteja. Ana evade-se. Pinta um beijo seco na boca do amante e assim que entra, encosta a porta da casa de banho. Rafael sabe como agiu, porque agiu e até entende as consequências. O andar vagaroso, mas sensual de Ana deixa o homem entesado. Entrar na vida privada dele é como querer abrir uma caixa de Pandora. É como querer partir o espelho da sua alma.Quando alguém tenta entrar no oculto de Rafael, acaba por ser atacado ou confrontado com a inutilidade de penetrar naquilo que ele jamais quis contar a alguém. A sua vida, o seu intimo, os seus segredos. Porque Ana sabe melhor do que ninguém. Toda a gente tem segredos. E o instrutor também têm a certeza de que Ana se sente impotente quando não consegue alcançar a verdade do que pretende. Após vários segundos de hesitação, compenetrado nos seus pensamentos, Rafael acaba por levantar-se. Coloca um sorriso na face, aceitando que foi brusco na resposta que deu a Ana. A acompanhante, afinal, é a mulher que mais tentou conhecê-lo nos últimos tempos. Estudá-lo. Criar-lhe um perfil. Adaptar-se a ele. E não se considerando um cliente, ele entende o esforço que foi feito pela jovem. É um relacionamento que precipita o carácter frio de Rafael. É uma amante que desvirtua algo que ele parece prometer a si próprio. Afrontá-la exageradamente, como um jogo de gato e rato, será sempre um erro. Por isso, ele empurra com ligeireza a porta, onde Ana já se aprofunda no seu refúgio. A jovem está sentada em cima do mármore do lavatório da sua casa de banho. É um sitio requintado. Diferente. Escolhido a pormenor. Para começar, não é um lavatório. São dois. Um duplo armário, colocado num dos cantos desta divisão branca. Com porcelana luxuosa, design inovador e uma limpeza extrema, há um confronto de dualidades neste espaço singular. Como se estivesse pensado para um casal. Como se estivesse pensado para duas pessoas gozarem da sua intimidade e higiene, sabendo que ao seu lado está a cara metade a partilhar o espaço com toda a comodidade. Colocado em cima dos armários, junto ao mármore claro, estão dois espelhos enormes. Largos e compridos. Puros e definidos. Confrontam-se lado a lado, num ângulo de noventa graus. Com todo o jogo de luzes no topo, com todo o brilho que todo o espaço transluz, o jogo de imagens que os vidros dos lavatórios provocam são fascinantes. Neste preciso momento, Ana está entre estes dois espelhos. Está sentada na enorme peça de mármore que une os dois armários, os dois lavatórios, os dois espelhos. Nos vidros iluminados, estão espelhadas as costas dela, vistas de dois ângulos precisos. Com a apatia dos lábios de Ana, ao mesmo tempo que guarda um reserva de desejo no olhar, Rafael vislumbra a dupla personalidade de Ana na sua máxima força. A máscara diurna espelhada de um lado, a máscara nocturna reflectida no outro. E neste instante, em que os seus passos vagueiam a medo pelo ladrilho da casa de banho, Rafael procura escolher o lado certo. Quando percebe que a amante já optou por uma faceta, ao erguer as pernas, ele volta a congelar o passo. Antes de mais, ele precisa retractar-se.
- Não tenho relacionamento com a minha família... Zanguei-me com o meu irmão há uns anos e desde então não lhes falo. Soa melhor?...
- Vem cá...
Ana despe os calções e coloca um pé em cada lado. De pernas abertas, o seu sexo está perfeitamente dilatado, visível e apelativo. Os lábios vaginais estão inchados e o clitóris parece querer espreitar. Ela exibe um olhar presunçoso, ciente da sensualidade que ousa transmitir. Coloca os cotovelos em cima dos joelhos e pende o peito ligeiramente para a frente. A jovem pretende pôr de lado a intransigência da frieza de Rafael. Mesmo que ele até esteja disposto a revelar-se gradualmente. Ainda assim, ela prefere diferente. Ela pede diferente. Ela age diferente. O homem não esconde a excitação que tal visão provoca. Aproxima-se dos lavatórios e à medida que se cola ao corpo dela, encaixa-se por entre os dois armários. Os braços de Ana tocam no peito dele. Abrem os botões da camisa e puxam-na, para depois descobrir os ombros largos do amante. Rafael encosta-se a ela, deixando que tome conta de si. As mãos dela aventuram-se. Abrem toda a camisa e depois desapertam as calças do homem. A face dela encosta-se ao pescoço de Rafael. Roça com os lábios na pele húmida do seu vizinho. O instrutor decide-se por encostar o queixo no topo da cabeça dela, olhando ao mesmo tempo para o reflexo das costas de Ana. A jovem continua a desbravar o pescoço com a boca até chegar junto ao ouvido. Algo murmura na alma dele, enquanto o seu corpo é apertado contra o amante.
- Entra em mim....
O sexo dele pende para fora. Toca ao de leve na margem do mármore. Ana está completamente aberta. Molhada. Excitada. Necessitada da intensidade que ele teimou em deixar rasto no seu corpo. Porque Ana sente falta do toque dele. Até mesmo quando veste a sua máscara nocturna. Até mesmo quando a despe. Não obstante o jogo cínico que ambos praticam, ela não nega a evidência de necessitar da presença de Rafael. Entesado e taciturno, o instrutor acaba de penetrar por entre as pernas de Ana. Poderoso. Extenuante. Supremo. Os pés dela parecem colar-se à base de mármore. A jovem não se move. Finca os dedos nos ombros dele, liberta um pequeno sustenido na voz, mas de resto, tudo em si está incólume. Porque ela deixa-se levar. Deixa-se incorporar nele. Permite que ele assuma o controla de si mesma. O pénis de Rafael está entesado e parece ganhar vigor dentro da rata da sua vizinha. Ele detém-na. Possui a necessidade de Ana. Segura o seu corpo, mas também a sua alma. Ainda assim, Rafael mantém o olhar em ambos os reflexos. E subitamente, ele está enfeitiçado com o jogo de espelhos. Entra e sai por duas vezes do intimo dela. Abraça-se às costas dela e faz força com o queixo na cabeça feminina. Mas ele parece evadir-se. Talvez até consiga levar Ana consigo. Mas certamente, Ana não consegue ver o que Rafael vê. Ela geme. Sente o sexo masculino dilatar a sua rata. Sente uma força intensa apoderar-se dos seus reflexos e dos seus sentidos. Quando ele a penetra de uma forma mais vigorosa, Ana solta uma das pernas. Deixa-a, pura e simplesmente cair. Assim, um dos calcanhares continua a segurar-se ao mármore. O outro bate levemente numa das portas do armário. As pernas mantém-se abertas.
- És tão linda!...
E ele só vê as costas dela. E ele sacode as mãos até alcançar as nádegas formosas da jovem. E ele mantém o olhar preso nos dois espelhos. Ele evade-se para um mundo distinto. Fixa o seu olhar e parece conseguir penetrar na sua própria alma. Ana está lá, mas ela não sabe. No espelho direito, ele vê-se a si mesmo tranquilo. Sereno. Apaga aquilo que nem a memória consegue fazer. Visualiza a máscara diurna de Ana. O seu lado doce, leve, carinhoso, meigo. Percepciona em segundo plano, no reflexo de um reflexo, o outro lado de Ana. Aquele que ela não consegue esconder. Nem mesmo com a máscara que a torna uma jovem apaixonada e subtil. As profundezas dos nossos segredos serão sempre como um icebergue. E ele encaixa-se nesta faceta. Neste perfil de costas. Naquilo que Ana não quer admitir e personificar a tempo inteiro. Mas que ele deseja. No espelho esquerdo, assim que Rafael gira a cabeça, ele vê-se a si mesmo presunçoso. Superficial, calculista, frio. Talvez seja a sombra da sua face que se reflecte no vidro. Talvez seja a percepção do outro lado de Ana mais a descoberto. A máscara nocturna dela, mais sombria, mais distante, mais perigosa. As costas dela carregam o peso de uma vida dupla, de uma personalidade escondida de muitos, desejada por imensos, possuída por aqueles que a contratam. E ele exalta-se com isso. Enfurece-se com o facto de gostar de alguém que vende a sua própria alma a clientes desconhecidos. E no seu corpo vibra a febre de provocação, de distância, de pudor, de revolta por algo que nunca deixará de ser uma faceta de Ana. Ainda que, reflexo de um reflexo, ainda seja visível o lado doce e fraterno de uma jovem perfeitamente normal. Naquilo que Ana já não consegue viver por inteiro.
- Neves...oohhh.... sentes-me??...Ohhh... consegues sentir-me... oohhh...sabes bem! Sinto-te todo em mim!....
Ele sente. Sente o corpo dela quando lhe agarra as nádegas. Sente a alma dela quando fixa os reflexos. Sente até a sua alma, numa penetração transcendente. Ele fode a jovem com uma ambiguidade surreal. Sabe que faz amor com a Ana que o deseja e que precisa do abraço que ele lhe entrega. Sabe que fornica, com uma carga selvagem, a Ana que tirou folga a um qualquer cliente e que decidiu entregar-se a ele, pressionando os braços dela contra as suas costas. O abraço é sublime. Os corpos fundem-se e conhecem-se. Ana apenas sente o vigor do sexo dele a prazentear o seu interior. Talvez possa pressentir a vibração que tilinta no tronco dele. Mas ainda assim, ela não vê o mesmo mundo em que Rafael viaja. Tudo muda. Tudo se transforma. Tudo se torna translúcido. A carne do rabo dela arrasta-se ligeiramente para a frente e para trás, tal é o ritmo frenético e cadente das penetrações dele. Ela geme. Ela grita. Ela pede por mais. E quanto mais ele lhe dá, mais a sua alma se expande. Torna-se vulnerável. Reflecte-se em si mesma e atinge-o. Enquanto se delicia com o corpo da amante, Rafael procura escolher um lado, uma faceta. Rafael quer escolher o lado das costas de Ana com que mais se sente inserido. É cruel. É incompreensível. É mordaz. Imensamente doloroso. Mas enquanto o homem se vem, ele prende o olhar no reflexo da máscara nocturna de Ana. Ela pressente o fervor que se espalha na sua rata e o aperto que todo o corpo dele exerce sobre si. A jovem finca os dedos na carne dos ombros do instrutor, cerra os olhos e liberta o seu prazer. Nestes instantes, em que o corpo dela flutua nas mãos dele, em que as suas pernas estão em lados opostos, em que o prazer se confunde com uma vertiginosa sensação de envolvência, os dois adultos quebram-se. Rafael pára progressivamente a penetração. Ana relaxa o seu corpo e acaricia os cabelos dele, assim que o homem pousa a cabeça no seu ombro. A cópula terminou, mas as posições mantém-se. As faces estão em lados opostos. Ouve-se as respirações, ouve-se o bater dos corações. Ouve-se um enorme arrepio das almas. Rafael tem um nó na garganta e Ana abre os olhos.
- O que se passou com o teu irmão? - diz Ana, ainda com a respiração ofegante.
- Se te contasse.... não ias acreditar.
- Eu ouço sempre histórias mirabolantes...Mais um dos motivos pelo qual adoro o que faço...
- Porque é que haveria de te contar? Nunca contei a ninguém...
- Ok, não contes...faz como quiseres...
- Espera!....Está bem..... O meu irmão...ele....uhm...ele...
- O quê? Casou com a mulher da tua vida?... - pergunta Ana ironicamente.
- Sim. - responde Rafael convictamente.
- Porra....... Desculpa... A sério, Rafael, desculpa...
Ela descola a maçã do rosto da orelha dele. Segura na cabeça do amante e chega-se ligeiramente para trás. Ana quer olhá-lo de frente. Confirmar se a afirmação dele é verdadeira. Certificar que finalmente, o seu amante está pronto a revelar os seus segredos mais profundos. Rafael olha uma vez para Ana. Depois baixa o olhar. Ele diz a verdade. Ele está pronto.
- Há coisa de seis anos, antes vir morar para aqui, namorava com a.... Se te disser que não me lembro do nome dela...podes fingir que acreditas?...
- Sim....
Agora o semblante de Ana modifica. Agora ele fixa o olhar dele e sente-se a mergulhar dentro dele. Agora Ana pressente que algo se transforma. Agora Ana ouve mais atentamente do que nunca.
- Ela era linda. Inteligente. A pessoa mais madura que tinha conhecido até então. Pretensiosa talvez...Dona de si, possivelmente... Namorávamos há sete meses e ninguém sabia disso. Envolver-me com colegas de trabalho na escola agrária poderia ser prejudicial. Ela era como uma amiga oculta na minha vida.....
- Até que ponto gostavas dela?
- Amava-a! Pronto, já disse... O Neves que conheces já amou perdidamente alguém... Comprei o terceiro esquerdo para vir morar com ela, talvez um dia assumir o compromisso, mudar de trabalho, mudar de vida, assentar...
- Onde é que moravas?
- Em casa dos meus pais. Sou o filho mais velho. O meu irmão sempre foi uma espécie de protegido e... Apesar de tudo, eu achava que era feliz...entendes?
Ana acena afirmativamente com a cabeça. Ela entende. Quer entender. Quer imaginar que Rafael já foi efectivamente feliz com uma mulher e que a faceta fria dele, afinal, é apenas uma máscara.
- Num Domingo de manhã, a casa estava preparada. Os meus pais prepararam-se. Pediram-me para estar preparado para receber em casa a nova namorada dele. Os meus pais morriam de ansiedade de saber que o filho mais novo estava terrivelmente apaixonado e que ainda por cima já pensava em casar-se.
- Era ela?!!
- Com a maior naturalidade da história, ela entra em casa agarrada à mão do meu irmão... Apaixonados... Ela não esperava ver-me. Ficou mais estupefacta do que eu.... Provavelmente não contava que o seu futuro cunhado, era afinal de contas, o seu outro namorado.... Nem percebi se o meu irmão sabia ou não... Pelo menos fingiu que não sabia... Aquilo durava há um mês. Ela tinha uma vida dupla e eu nunca percebi. Dizia que nunca tinha tido alguém como o meu irmão. Os meus pais adoraram-na. Inteligente, bonita, dissimulada, a nora perfeita para o filho perfeito.
- Meu Deus!...E ela?
- Como se nunca me tivesse visto...
- Não é possível... Como é que isso é possível?
- Passei-me.... Chamei-a todos os nomes que consigas imaginar. A ela e ao meu irmão. Ela negou. O meu irmão também..... Os meus pais recusavam-se a acreditar no que eu contava. Para eles, eu estava a dar falsas acusações. Para eles, eu procurava lixar o meu irmão. Não conseguiam acreditar que eu tinha escondido que namorava com alguém há tanto tempo... Chamaram-me mimado. O meu irmão chamou-me de aldrabão... E ela...ela...foda-se...ela não disse uma palavra!...
- O que fizeste?
- Desapareci... Não consegui enfrentar a ideia de que fui enganado e que passei por mentiroso à frente de toda a minha família... Ninguém acreditou em mim e nem sequer tinha provas de nada... As poucas coisas que tinha para comprovar...ninguém acreditou....Durante dois dias pensei em matar-me, pensei em matar o meu irmão...pensei em matá-la... Depois esqueci. Esqueci tudo. Esqueci quem era...esqueci quem era a minha família...vim viver para aqui.... Depois de um vicio estúpido em álcool e de meia dúzia de experiências patéticas com prostitutas...acordei.... Acho que acordei...
- É dificil de imaginar...
As palavras de Rafael têm uma tendência progressiva a soluçar. Custam a ser libertadas. Mas ele já não volta atrás. A sua respiração está ofegante. Ana olha incrédula para o seu amante e procura de alguma maneira confortá-lo. No preciso instante em que ela acaricia a face dele, existem duas lágrimas prestes a brotar do olhos de Rafael. Sim, o instrutor tem capacidade de chorar. Mesmo sendo difícl de acreditar, Ana tenta reagir. Mas algo já se libertou da alma de Rafael.
- É?! Achas que é?!...Sabes o que é ainda mais dificil de imaginar?! Sabes?? Imagina que eles se conheceram numa apresentação equestre que eu tive!....À minha frente!...Imaginas?! Eu fui cornudo e nem sequer me apercebi.... Consegues imaginar?!!!
- Neves....
Ele chora. Confirma todas as lágrimas que estavam presas dentro de si. Confirma a mágoa que ele sabia aprisionada dentro de si e que aprendeu a esconder. Confirma que Ana seria a única pessoa capaz de libertar o ódio que se acostumou a viver na sua alma. Ele chora e entende que após tanto tempo, ela é o melhor ombro para soltar o fantasma que sempre o tornou frio, calculista, distante de sentimentos, cruel de paixão. Ele chora e Ana vive uma dualidade de sentimentos.
- Neves, tem calma...
- Eles comeram-se no primeiro momento que puderam... Eles... eles enganaram-me!!
Ele berra. Grita toda a fúria que surpreendentemente vivia no seu âmago e que jamais alguma mulher conseguiu desvendar. A astúcia de Ana, na sua capacidade de ouvir, no seu envolvimento com quem partilha o corpo consigo, acaba por conquistar o oculto de Rafael. Como se fosse um cliente que procurasse a sua máscara nocturna para desabafar. Mas Ana veste a máscara diurna. Entrega-se a Rafael numa prova de paixão, numa entrega verosimil e sincera. Nem nas melhores fantasias, Ana se sentiu capaz de conseguir arrancar a dor do homem que daqui em diante lhe pertence.
- Vem para a cama comigo. Por favor...vem...
Como um menino a quem partiram o seu brinquedo predilecto. Como um adolescente que foi rejeitado pela rapariga dos seus sonhos. Como um homem que tem o coração despedaçado e nunca o conseguiu enfrentar. Rafael é um frágil rapaz entregue a um choro convulsivo. Ana é o ombro amigo. É a pele terna. É a ebulição de um sentimento. É a respiração tranquila. É a mão serena. Ana é o elemento que segura todas as lágrimas que o seu vizinho quiser chorar. Ele vai para a cama com ela. Não haverá sexo. Quente, explosivo, intenso, sem compromisso. Não haverão palavras. Cheias de mágoa, carregadas de dor, hipnotizadas por sentimentos incoerentes. Na cama de Ana, testemunha de noites ocultas com tantos clientes, o homem vai deitar-se e esperar pela tranquilidade que só as mãos dela lhe poderão dar. Surpreendente. Ousado. Incompreensível. Tudo o que se viveu esta noite no 3º direito terá lugar numa memória transcendente. Mas Ana vai guardá-la. Rafael vai vivê-la e seguir em frente. Mas tudo o que esta conversa significou, transmitiu, deu a entender, não terá certamente uma conclusão objectiva. E tudo o que acontecer na vida dos dois daqui em diante, nem um espelho irá conseguir reflectir.