quarta-feira

Aluga-se

Publicado a 03-02-2009
Quem define o verdadeiro valor intrínseco das coisas? Porque as coisas têm obrigatoriamente que conter um valor. Material, simbólico, contratual, íntimo. A objectividade das coisas que pensamos ou detemos incorporam uma valia, um preço, um custo. E todos nós somos negociadores do que nos apropriamos. Nada nos pertence. Mesmo quando compramos algo ou conquistamos alguém, não nos pertence. Por isso, partilhamos. E a partilha é um jogo de dar e receber. Dar e receber têm implicitos a questão do valor. E o que tem valor, tem preço. E o que tem preço permite obter margens. De perca ou de ganho. Assim, o que define quanto vale o que possuímos? O nosso bom senso ou a necessidade de partilharmos o que, afinal de contas, não nos pertence? Quando uma mulher decide anunciar o aluguer de um pedaço da sua alma e um tempo delimitado do seu corpo, que valor dá ela a si mesma?
Ana sai da casa de banho apressadamente. O seu cabelo ainda está molhado e o seu corpo tem dificuldade em envolver-se na toalha branca. O telemóvel que lhe pertence está a tocar incessantemente em cima da cómoda do seu quarto. Com a água tépida a escorrer nas suas pernas despidas, com a mão esquerda a segurar a toalha com força junto ao peito, a jovem atende o aparelho com a mão direita, sem sequer verificar quem está a ligar.
- Sim?!... Ah!...Olá...como está? Não esperava que me ligasse tão cedo....Não, não está a incomodar... Eu é que não contava que ganhasse coragem tão cedo... Eu?! Receio? Não, está enganado... Este é o meu trabalho e entre nós dois eu sou a pessoa que tem menos a perder...
O tom de voz de Ana espelha a máscara nocturna que ela colocou momentaneamente para falar ao telemóvel. Calmo, quase a sussurrar, ainda assim perfeitamente compreensível. Directo e conciso. Assertivo mas sensual. No entanto, ela ainda tem a sua alma vestida com a máscara diurna. Dentro da casa de banho, a presença masculina terminou o seu banho. Com a toalha envolta na cintura, ele troca o passo avançando para o quarto da inquilina. Ao mesmo tempo, não deixa de prestar atenção às palavras soltas por ela. A alma de Rafael treme com a ideia de Ana estar ao telefone com um cliente.
- ....Como lhe disse ontem, precisamos de acertar todos os pormenores. E não tenho por hábito fazê-lo ao telefone com visitas novas...... Só depende de si... Diga-me o dia e a hora em que possa estar mais disponível e tratamos de todos os detalhes.....
Rafael assiste incrédulo à atitude da sua vizinha. Ana tem mesmo coragem de fazer uma marcação com um cliente, enquanto ele está ali. Porque Ana consegue fazer uma negociação por telefone enquanto aponta os detalhes essenciais num caderno preto pessoal, aproveitando ainda para secar a pele húmida do seu corpo, com a toalha macia. Sentado na cama, Rafael olha para Ana sobre dois pontos de vista. A perspectiva traseira, frontal, sem filtros, em que Ana está meiga, já sem a toalha, com o rabo desconcertante a mover-se gentilmente, ao sabor das acções do seu corpo. A perspectiva frontal, espelhada no vidro da cómoda que reflecte a sua postura, a sua máscara, o seu olhar concentrado, o seu peito lascivo, esbelto e acariciado pela toalha.
- Sim.... E onde quer encontrar-se?.... Não, como lhe disse...Não tenho receio de nada... Com certeza.... Fica então combinado... Fique descansado... Se teve a ousadia de me propor, saberá certamente que guardo sigilo.... Uma Boa Noite então...
Ao mesmo tempo que desliga o telefone, Ana olha para o espelho, confrontando a atenção do instrutor na sua pose. Ela questiona se o olhar dele deseja as suas nádegas mornas e redondas ou se a questiona, cara a cara. A jovem deixa cair a toalha no chão, pousa o telemóvel na cómoda e pega num creme hidratante, elemento fundamental no seu processo de mutação. Gera-se um silêncio perturbante. Ana sabe que ele a está a questionar. Rafael hesita em questioná-la. O momento passado debaixo da água quente soube-lhe demasiado bem, para agora estragar tudo numa discussão sem fundamento e sem conclusão. Ana estava a fazer uma marcação com um cliente, ao mesmo tempo que se prepara para encarnar o seu papel de acompanhante. Ele sabe que naquele mundo, ele não entra. Por isso, engole qualquer provocação da qual se iria arrepender assim que a fúria se dissipasse. Mas a sua amante entende o seu incómodo. Molda os lábios num sorriso ténue, quase trocista. As palmas das suas mãos contornam a face, o pescoço e vagamente o peito, espalhando o creme branco que lhe entrega uma nova aura. Todos aqueles movimentos com o corpo nu parecem excitar o homem.
- O que se passa, Neves?
- Nada...
- Nada?!... É só isso que vês diante de ti?
- Vejo-te linda... Vejo-te poderosa... Vejo-te a mulher mais sensual que já se despiu diante de mim... E vejo que daqui a pouco deixas de ser minha...
Ana gira o seu corpo. O elogio de Rafael ultrapassa o mero conforto das palavras no ego sedento da jovem. A afirmação do homem que está no seu quarto pretende servir de desabafo para a impossibilidade de controlar o querer da acompanhante. O seu vizinho é um cristal frágil quando exposto à voluptuosidade dela. Nem sempre foi assim. Mas hoje assim o é. Rafael é um homem insegura quando confrontado com o olhar e o desejo de Ana. Ela aproxima-se da cama, nua e formosa. Ele está sentado no fundo da cama, ansioso. A jovem abre gentilmente as pernas para as colocar ao lado das coxas dele. Quase que se senta no colo do homem. Quase que encosta o seu peito à face dele. Quase que exige um abraço tenso de Rafael. Ela acaricia os cabelos do amante e olha-o com meiguice. Ele sustém a respiração quando vê os mamilos excitados dela tão próximos dos seus lábios. Ergue a cabeça, comunicando com ela.
- Mas por agora sou tua... Não sou?
- Não... Não és minha... Só me pertences quando tens algum valor para mim...
- E agora?... Tenho algum valor para ti?
Ela não espera uma resposta. Não aguarda sequer uma reacção da alma que se esconde na incompreensão. Ana quer apenas agir. Porque o desejo iniciado há cerca de uma hora, quando a jovem abriu a porta do 3º direito ao seu vizinho e se entregou a ele sem hesitação, ainda está latejante. Aproximando um pouco mais os seios firmes e sedosos, ela obriga Rafael a envolver as suas mãos no seu rabo delicioso. As caricias são doces, atenciosas, convidativas. Um leve gemido solta-se por entre os lábios de Ana que sorriem. Os bicos dos mamilos escorregam nas maçãs do rosto masculino. E quando ele se preparava para beijar o vale do peito, Ana agarra os cabelos com os dedos da mão direita e puxa a cabeça do amante para trás. A mão esquerda dela empurra o corpo dele para o deitar na cama. A inquilina dobra os joelhos e coloca-se sobre o colchão. A sua postura é excitante. Denota-se claramente a procura em obter o domínio sobre o homem que a deseja. É evidente o jogo que Ana demonstra ao caminhar ajoelhada em direcção ao peito do negociador que lhe quer dar um valor inestimável. Nua e excitada, Ana faz escorregar levemente a sua vulva pelo tronco rígido de Rafael. Ele sente o toque. Ele apercebe-se da excitação. Ele aguarda que a valia do seu elogio lhe traga sensações imensas. No trajecto que Ana prossegue, as suas coxas e as suas nádegas são acariciadas com paixão. E não tarda, ela prende os braços esticados de Rafael, deixando que o seu corpo repouse ligeiramente.
- Isso é meu? - sussurra ele, entusiasmado.
- Isto é um pedaço daquilo que te posso dar enquanto me deres o valor que sabes que mereço.
Três segundos servem para Rafael reflectir sobre aquelas palavras docemente soltas. Ana cola as palmas das mãos na parede e sabe o que quer dar. Sabe o que quer receber. E anseia que tudo isso a recompense de um ansiado prazer. Rafael levanta ligeiramente a cabeça e esse movimento basta para que a sua boca toque nos lábios grandes da vagina da sua amante. Ela sorri, ao sentir esse toque terno. Ela deixa a cabeça cair. Apesar de saber que detém o controlo do que acontece, Ana está completamente rendida à fome do seu vizinho. O homem usa a boca com gosto. Espalha o lábio inferior em toda a largura da rata dela. Franze o lábio superior para acariciar o clítoris da jovem. E a língua é intrometida, ao querer arrepiar caminho por entre a delicia da fenda feminina. Rafael adquire agora a certeza de que realmente, naquele pedaço de tempo, naquele recanto, Ana lhe pertence autênticamente. O gemido que ela solta sem inibição demonstra que ele pode prosseguir. A sua língua é longa o suficiente para se intrometer entre os lábios vaginais. As saliências encarnadas da sua boca procuram agora focar-se em chupar o gosto e o aconchego do sexo da jovem. Ana volta a gemer. Procura controlar o seu ímpeto fervoroso, mas o preço que lhe pagam para este instante parece não ter nenhuma cláusula que obrigue à sua reserva. Por isso, Ana geme. Cerra brevemente os olhos e abre a boca. Diante do seu olhar está escuro, está um espaço perdido, do qual ela já não consegue assentar os pés. Dentro de si, está a certeza de que o seu corpo vibra com cada gesto que a língua e os lábios do amante exercem. Debaixo de si não está um cliente. Este encontro não foi marcado detalhadamente, sem margem para erro. Este momento é rebelde, é inesperado, é fruto de uma vontade que ultrapassa qualquer contratualização. Ainda assim, Rafael sabe que o tempo e o espaço contam. Sabe o preço que paga por ter a sua voluptuosa vizinha sobre a sua face. E ela sabe o quanto recebe. Não existe um envelope branco, mas há um valor guardado dentro de si. Ana guarda-o então no cofre mais apaixonante de si mesma. O coração dela palpita e aperta com o minete feito pelo seu amante. Os membros dela tremem e começam a perder força. Rafael consegue soltar os braços e invade as nádegas quentes dela com as suas mãos. Ela está a ser possuída. As ancas femininas movem-se, procurando tornar mais frenético o ritmo das lambidelas que ele pinta na sua rata. Ana move a cabeça, em sintonia com a melodia dos seus gemidos. O clítoris da inquilina torna-se rijo e molhado. A boca de Rafael já prova o verdadeiro sabor que flui dentro dela. E enquanto ele finca a ponta dos dedos na carne do rabo tenro dela, Ana apresenta o seu orgasmo.
- Neves!...Ohhh...Dá-me...Por favor...uhmmm...dá-me!... Sou tua...Sentes que sou tua?!
Ela morde o lábio inferior. Ela cerra os olhos com força. Ela pende a cabeça para frente. Ela arrasta as mãos pela parede. Porque ela acaba de sentir toda a energia que foi solta da boca dele, directamente pelo seu sexo, até alcançar as profundezas do seu deleite. E estes orgasmos, só Ana sabe o valor que têm. Rafael ainda segura ambas as nádegas redondas da amante. Também ele procura confirmar que tal gozo foi possível. Como se tentasse perceber se o seu tempo tinha acabado exactamente no instante em que proporcionou uma viagem inesquecível. Ana volta a compor-se. Senta-se levemente sobre o peito dele e abre corajosamente os olhos. Enfrenta-o, como que a querer confirmar que Rafael sentiu o mesmo que ela. Indiscutivelmente, isso aconteceu. Mas Ana não se considera uma mulher resignada ou satisfeita com tão pouco. Toda a boca de Rafael despertou a libido interior do seu corpo, que a foda no hall de entrada, que a penetração no chuveiro, e que o minete na cama, por si só, não conseguiram satisfazer. Ana sai de cima do corpo do seu vizinho. Atrás de si está um pénis erecto, inchado, indiscutivelmente sedento de voltar a ser presenteado com uma forte acção sexual.
- Fica aqui... - pede ele.
- Não vou a lado nenhum... Ainda temos tempo...
- Eu quero-te!
- Não te mexas...
Deitado na cama, Rafael obedece. O espectáculo ainda lhe está reservado e Ana ainda não sucumbiu às exigências do seu tempo. Ao invés disso, segura a carne erógena do seu amante, com firmeza e convicção, como se lhe sobrasse o tempo de uma vida para se deliciar com aquele capricho. Com o rabo empinado e virado para ele, Ana agarra o pénis e abre um sorriso de satisfação na sua face. Aquilo pertence-lhe. Tem um valor. Foi alugado pela vontade dela, misturado no desejo dele. Assim, Ana pode dar-se ao luxo de decidir o que fazer com a volúpia que segura na sua mão fechada. A picha dele está quente. Dura, escaldante e com uma sagacidade que poucas vezes a jovem teve possibilidade de assistir. Prová-lo é uma hipótese viável. Rafael sempre foi saboroso e assim ela teria a certeza que tinha dado o melhor de si para recompensar este momento. Quando Rafael deixa que a sua mão atrevida escorregue pelo rabo convidativo, Ana percebe que tem de agir. Os dedos dele fazem cócegas no seu ânus e acariciam os lábios vaginais inchados. Sim, mais do que a vontade de pôr o sexo dentro da sua boca, Ana precisa de afogar a sua sede, matar a sua fome, libertar aquela tesão continuamente palpitante.
Rafael volta a ter duas perspectivas. Deitado na cama completamente nu, com o peito ofegante e com os dedos fincados no lençol, ele envolve-se com a sua amante em dois prismas distintos. Ana está sentada em cima da cintura dele, com as costas viradas para o homem, exibindo a sua pele a suar e as costelas tensas, a moverem-se com excitação. Ela é uma mulher doce, atenciosa, apaixonada, quando sente a carne dele entrar dentro de si. Ana está a saltar sobre a picha dele freneticamente, com as suas mãos seguras às mamas que pulam a cada salto e o olhar fixo no espelho da cómoda. Ela é uma mulher selvagem, possuída e praticamente mergulhada numa máscara nocturna oculta, quando sente que a picha dele tem que explodir de prazer. E ambas as perspectivas de Rafael proporcionam um prazer alucinante. E ambos os pontos de vista fazem-no entender que de uma ou outra forma, Ana quer foder com ele até à exaustão. É amor, quando ela se entrega assim, esperando receber tanto como está a tentar dar? É paixão, quando ela sufoca o pénis dele com todo o peso do seu corpo e o aperto da sua rata? É loucura, toda a devoção que ela despeja nos seus gemidos e nos seus movimentos, assim que aumenta o ritmo dos seus pulos sobre a postura dele? É convicção, toda a certeza dela em estar a levá-lo a um prazer inquestionável e absoluto, assim que ela deixa que todo o seu sexo entesado entre profundamente na rata. Porque é forte o jeito com que ele a penetra. É intenso o deleite que ela solta quando se sente cheia. É tudo tão confuso que Rafael não sabe o papel que ocupa ali. É tudo tão incandescente que ele sabe que está prestes a vir-se, quando os dedos meigos da mão de Ana acariciam os testículos saltitantes do homem, ainda inchados. Ela está louca, excitada, imparável. E a jovem encontra nas bolas dele uma forma de descarregar a vibração que todo o seu corpo sente. Ela é meiga no gesto efectuado mas demasiado suave. Ela é carinhosa na acção que entrega mas intensamente excitante. E no exacto momento em que Ana admite o cansaço do seu corpo, ela deixa o pénis dele enterrado e sente ele a vir-se dentro de si. Os dentes trincam o lábio inferior com violência, os olhos fecham impulsivamente e ela só quer aproveitar toda a ejaculação de Rafael.
- Sim...sente-me!!!...Ohhh...És linda!!...Ohhhh...não consigo parar!...Anaaaahhh!!
A vontade dela é recolher forças do mais profundo de si, para se suster naquela posição. O seu anseio é prolongar aquela sensação quente dentro de si. Mas ela não domina o seu corpo e parece desfalecer em cima de Rafael. Ouve-se a respiração da jovem, misturada nos suspiros fortes do homem. As mãos dele envolvem o peito da acompanhante. Ela quer sentir-se acarinhada e confortada, mas o tempo vai escasseando. O casal de amantes entrelaça-se, consumado o derradeiro prazer.
- Confessa... Uhm... Confessa que te dá prazer saber que por este pedaço de tempo, eu fui só tua.
- Sim...
- E que não importa o que eu faço na minha vida...sabes que nunca ninguém te deu tanta luta... sabes que nunca ninguém te respeitou tanto como eu...
- Não sei...
- Eu não sou de ninguém, Neves... Apenas entrego um pouco de mim a quem me dá o valor certo...
Solta-se um suspiro de resignação das narinas de Rafael. Ela percebe que não consegue encontrar forma de colocar o vizinho na mesma ideologia que a sua e liberta-se dos braços e das pernas dele. Levanta-se da cama e abre o armário. Retira um vestido cinza de algodão e umas botas. De uma gaveta, retira uns collants pretos e com um pé empurra umas botas para fora do sapateiro. Senta-se novamente na cama, perante o olhar atento do homem que lhe acabou de proporcionar um fim de tarde delicioso. Coloca gentil e cuidadosamente os collants nas pernas, ainda com o seu corpo praticamente despido. Insere o vestido que lhe deixa parte do peito saliente. O banho refrescou-a, o creme hidratou-a, mas a sua pele tem agora uma tez ruborizada, viva, acesa. Ana calça as botas e já praticamente composta dirige-se à casa de banho. Com o cabelo vagamente arranjado e perfumada, a jovem regressa ao quarto. Rafael ainda está nu na cama, confuso sobre o que irá acontecer. No entanto, ele sabe que o aluguer terminou. Foi esse o tempo permitido pelo valor que ele entregou a Ana. Ela coloca um joelho em cima do colchão e pende o seu corpo para entregar um beijo meigo nos lábios do homem.
- Tenho o direito de perguntar onde vais?
- Tens...Vou ter com uma amiga minha... Uma boa amiga... Marquei encontro com ela para daqui a vinte minutos do outro lado da cidade.
- E o que vais fazer com ela?
- Desculpa?...
- Posso saber o que vão fazer?
- ....Deixo isso entregue à tua imaginação.
O carácter irónico da deixa de Ana coloca Rafael, naturalmente, numa dúvida imensa. Se de uma certa forma, ela não parece ter vestida a sua máscara nocturna, ao mesmo tempo a jovem detém uma ansiedade por ir de encontro a essa suposta amiga. Acreditando Rafael que é mesmo com uma amizade que ela tem marcação, ele não consegue deixar de ficar inquieto à ideia de que o seu tempo de aluguer terminou ali e que brevemente Ana poderá ir, nesta mesma noite, procurar valor noutra negociadora da vida da acompanhante. Informal, descontraída mas sensual, Ana leva o seu passo para fora do quarto. Irá fechar a porta do seu apartamento, descer as escadas do Edifício e apanhar o primeiro táxi que atravessar a rua, com a certeza de que Rafael ficará bem dentro do seu lar. Numa possibilidade demasiado remota concebida pela sua consciência, se ela regressar nesta mesma noite, o homem poderá ainda estar a dormir na sua cama.

8 comentários:

Sanxeri disse...

Escreves muito bem. Adoro a escrita, sempre cheia de sensualidade. Parabéns.

o fantasma do Edifício :) ... disse...

Cada vez mais intenso, extravagante e cativante. Continua a mesma sagacidade a desvendar sensações, sabores e sentires, continua o mesmo torpor no corpo quando se lê algo tão bem (d)escrito. Magnólia,Magna Magnólia, um livro, porque apetece recolher, porque apetece reler em papel, porque apetece a capa ousada... leio e releio tudo, sim sei que desapareci mas um fantasma é livre, como livres são as suas personagens e um fantasma vive atento e reaparece quando...ninguém já o espera :)

Beijos...

Magnolia disse...

SANXERI, agradeço-te as palavras. Os inquilinos esperam que voltes mais vezes e que sejas uma cusca habitual :)
O FANTASMA DO EDIFÍCIO, tens razão. O regresso parece mais agradável quando ninguém o espera. De qualquer forma, o Edificio tinha saudades das tuas palavras e da tua apreciação.
Ainda bem que continuas a gostar do que é descrito. Ainda bem que te apeteceu reler, como um livro.
Continua por aqui, dentro do que for possivel :)

Joao disse...

Simplesmente... fantástica!
Simplesmente... excitante!
Sensual, erótica, estimulante...

o confronto entre o gostar (amar), o ter (não ser só sua), o partilhar...

brutal!

Magnolia disse...

JOÃO, simplesmente só te posso dizer que consegues captar a essência das revelações.
Espero que continues a gostar.

luafeiticeira disse...

Por muito que queira, tenhop sempre dificuldade em entrar neste apartamento, pois lembro-me sempre que falta o preservativo a alguém que penetra uma "acompanhante". Mas não expliques nada, porque já o fizeste e tens razão.
beijo

Magnolia disse...

LUAFEITICEIRA, não é uma questão de ter razão ou não. Se eu seguir pela tua perspectiva, perco naturalmente e felizmente toda a razão. Não defendo o sexo sem segurança. No entanto, creio que também entendes a perspectiva que é dada quando existe a falta de preservativo. :)
No entanto, não quero que tenhas dificuldades em aqui entrar. Fica a garantia de que tanto a Ana como os seus clientes são pessoas saudáveis. Procura entender aqui o preservativo como um elemento omnipresente, mesmo que pareça ilógico ou irresponsável.
Não expliquei nada...pois não? lol
beijinhos

Anónimo disse...

Ler este blogue é uma lufada de ar fresco, perante uma escrita simplesmente fantástica, erótica , sem tabus e com alto nível de sensualidade sem abordar o "rasca" tão presente na maioria dos " ditos " blogues eróticos.
só mais uma coisinha, já algum dia pensaste em passar o que escreves para edição de um livro?
Acho que o deverias fazer, pois a qualidade é muito boa. Seria de facto uma leitora que recomendaria o teu livro.
Parabéns.
Sei o quanto a escrita cansa e desgasta ao fim de um certo tempo.
Por continuares com este projecto que a mim me encanta, os meus sinceros parabéns.
Beijinhos
Isabel